19 julho 2013

A ingenuidade de um Presidente

Depois de conhecidas as dificuldades de entendimento entre os dois partidos que formaram o governo, o que originou uma profunda crise política, Cavaco Silva surpreendeu tudo e todos ao pedir um entendimento a três. Todos conhecemos a posição do partido socialista, autor de uma moção de censura ao atual governo e apoiante de todas as outras apresentadas pelos restantes partidos da oposição e reivindicador de eleições antecipadas.
Conseguido o entendimento entre Portas e Coelho, não me parece ter sido boa opção, deixar o país suspenso por um período indeterminado e com as consequências inevitáveis, de um improvável acordo, que mesmo que venha a ser conseguido não terá qualquer consistência dado um dos aliados, ser o maior inimigo do governo em funções.
Não terá sido com grande convicção que o presidente da república apresentou esta solução, pois já a está a dar como fracassada, ao anunciar eleições antecipadas para 2014.
Cavaco preferiu castigar os partidos da direita e entalar o PS, dando pontos aos partidos da esquerda os únicos beneficiados com a situação atual.
Portas, não querendo seguir os “passos” de Coelho, apresentou demissão irrevogável que viria a retirar em troca de mais protagonismo. Coelho terá aceite para segurar a coligação e evitar o agravamento da situação política. Cavaco não terá visto com bons olhos este novo cenário, obrigando os líderes dos partidos da coligação a desfazerem o acordo alcançado e a pôr à prova o nacionalismo do partido socialista.
Seguro é cada vez mais pressionado pelos históricos do PS para não assinar qualquer acordo, estando mais inseguro na posição a tomar, pois essa opção poderá ser vista por algum eleitorado como defensora dos interesses partidários em desfavor dos reais interesses da Nação.

A situação económica do país é demasiado grave para a nossa classe política se dar ao luxo de colocar em primeiro lugar os interesses pessoais e partidários ou de fazer possíveis ajustes de contas com o passado.

09 julho 2013

Vergonha de ser português...!

Depois de uma revolução
Que nos deu a liberdade,
Acabou-se a repressão,
Chegou a austeridade.

Aumentou o desemprego,
Também a dívida externa,
Começou o desespero
Pela crise ser eterna!...

Apesar dos sacrifícios,
Que há muito são pedidos,
Não se vêm benefícios,
Temos dias mais sofridos.

Temos tido governantes
Que desprezam a Nação,
E em períodos importantes
Apresentam demissão.

Deixam de ser responsáveis
Por interesses pessoais,
Demissões irrevogáveis,
Que deixam de ser reais.

Querem mais protagonismo,
Lutam só pelo poder,
Mesmo à beira do abismo,
Fazem o país sofrer.

Quando for para votar
Que ninguém se abstenha,
Pois temos de castigar
Quem abusa desta manha.

Quem está na oposição
Que seja mais comedido,
Esperem pela eleição,
Pra promover o partido.

Deixem lutas partidárias,
E guerrilhas pessoais
Pois são coisas secundárias,

O país vale bem mais.

17 junho 2013

Os novos treinadores de bancada

Já, mais que uma vez, escrevi abordando algumas semelhanças entre o desporto rei e a política. Hoje vou debruçar-me essencialmente sobre os treinadores de bancada há muito existentes no nosso futebol, mas que agora começam a proliferar nos meandros da política, muitos deles com lugar cativo na nossa comunicação social.
Todos temos as nossas opiniões e todo o direito de as expressarmos, dado vivermos num Estado democrático. Sempre existiram jornalistas especializados em fazer a sua análise, nos mais variados domínios, sendo essa a sua função quer na imprensa, quer nos órgãos áudio visuais.
Talvez devido à guerra de audiências, mais notória nos canais televisivos, estes, têm procedido à contratações de nomes sonantes da vida partidária, que nem sempre me têm parecido boas apostas. A justificar esta minha opinião, fala o seu passado, com conhecidos fracassos nos partidos por onde passaram, ou ainda militam.
O caso mais flagrante foi sem dúvida a aquisição, pelo canal público, do principal timoneiro da última equipa governamental que nos conduziu a um lugar de despromoção, só evitada graças à assinatura do memorando com a troika.
Assim, assistimos normalmente a análises nada isentas e sistematicamente de crítica a quem conseguiu alcançar, com mérito ou não, o lugar de destaque que a maioria dos novos comentadores gostaria de ter atingido. É significativo, a maioria deles vestirem a mesma camisola do atual chefe do governo e outro ser candidato vencido no último ato eleitoral.
É lamentável que tantos treinadores de bancada, que pouco ou nada fizeram no passado, venham agora opinar sobre a governação do nosso país, como fossem catedráticos nesse domínio.

Muito mal vai a nossa classe política e a prová-lo, está a crise profunda em que estamos mergulhados, sendo a maioria deles os grandes responsáveis por tal situação. 

31 maio 2013

Uma vida a dois

Juntos numa relação,
Do mesmo sexo, ou não,
Tudo é muito diferente.
Do que viver-se sozinho,
Sem possuir um carinho,
Que nos faz ficar contente.

Mas para haver felicidade,
Seja qual for a idade,
Deve existir sintonia.
Para a chama do amor,
Não se transformar em dor,
Ou em simples apatia.

Não é menos importante,
Que se seja tolerante,
E muito compreensivo.
Temos de confiar,
Não bastando só amar,
Num ciúme doentio.

Deixamos os nossos pais,
Quem nos adorava mais,
Para vidas bem diferentes.
De alegria e tristeza,
Partilhadas sobre a mesa,
 Ora tristes, ora contentes.

Quando existem descendentes,
Não podemos ser diferentes,
Tem de haver a mesma entrega.
Serão os nossos amores,
As mais bonitas flores,
Isso ninguém o renega.

Temos de ter opções,
Que obrigam os corações,
A tomar a decisão.
Ou com os filhos viver,
Ou então permanecer,
Junto da sua paixão.

Quem assim, não o fizer,
É porque algum deles não quer,
Uma vida a tempo inteiro.
Preferem se repartir,
Vendo por vezes fugir,
O seu amor verdadeiro.

14 maio 2013

Douro - um diamante por lapidar


Nascido no país vizinho,
Atravessa Portugal,
Transformando o seu caminho,
Em paisagem sem igual.

É na zona vinhateira,
Que se mostra mais vaidoso
E de forma sobranceira,
Manifesta grande gozo.

Não consegue adormecer,
Porque os barcos de recreio,
A subir e a descer,
Perturbam o seu passeio.

Numa das suas margens,
Tem sempre por companhia,
Inúmeras carruagens,
Quebrando a melancolia.

O vinho mais consagrado,
Produz-se na região,
Por todos apreciado,
É também uma atração.

Por muitos já visitado,
É bastante conhecido,
Mas falta ser lapidado,
Pra ser mais enriquecido.

De beleza incomparável,
Nos socalcos vinhateiros,
É um passeio agradável,
Para todos forasteiros.

Ao deixar esta paisagem,
Quase prestes a chegar,
Termina sua viagem,
Com um forte abraço ao mar.

Saudoso de todos nós,
Pelos dias que cá passou,
Vai desaguar à foz,
Onde o seu nome mudou.

04 maio 2013

Mãe!


Como poder descrever,
O mais importante Ser,
Que nos deu a existência!
A Flor mais encantada,
Também a mais perfumada,
A mais sublime essência

A mais bela poesia,
Verdadeira sinfonia,
Que nos deixa extasiado.
Supera toda a beleza,
É a mais nobre princesa,
Que existe neste reinado.

Fonte de imensa ternura,
Expressa numa doçura,
Impossível de encontrar.
Esvazia o coração,
Sem esperar gratidão,
É, sua forma de amar.

Mesmo depois de partir,
Nunca deixa de existir,
Continua bem presente.
Deixa-nos sua memória
Cada uma, a sua história,
Uma saudade pra sempre.

Quero também recordar,
Quem já não posso beijar,
E que me deu tanto amor.
Com imensa gratidão,
Estás no meu coração,
Rezo por ti, ao Senhor.

Crente na eternidade,
Onde mora a felicidade,
Espero te encontrar.
É o último juízo,
Que nos leva ao paraíso,
Onde vamos habitar.

Neste dia tão festivo,
Deixo um simples donativo,
Uma singela flor.
É um gesto de carinho,
Não mais do que um miminho,
Demonstrando o meu amor.

27 abril 2013

A política vista do 3º anel!


Com características e objetivos bem diferenciados, a política e o futebol têm muitas semelhanças e aspetos comuns. Penso mesmo, que em determinadas circunstâncias, chegam a inverter os papéis. É frequente vermos o futebol politizado e a atividade política ser encarada como um desporto. Na política, o jogo disputa-se no hemiciclo no confronto direto entre governo e oposição, não faltando os sistemas táticos, as escaramuças, ora mais ofensivos ou mais defensivos, consoante o decorrer dos debates.
Tal como acontece no futebol português, também na política partidária, apenas 2 partidos lutam pelo 1º lugar, num campeonato pouco competitivo, onde a maioria joga para a permanência, ou para um lugar na Europa. Também não faltam as claques, por vezes mais numerosas e bem organizadas, onde se ouvem apupos, aplausos e até cânticos.
A equipa de arbitragem é mais um elemento comum, muitas vezes influente nos resultados, nem sempre imparcial nas suas decisões.
Recentemente a equipa governamental foi apanhada num fora de jogo duvidoso, que obrigou o árbitro a consultar os seus auxiliares, tendo estes confirmado a existência de irregularidade no lance. A jogar com menos um jogador e admoestada com alguns amarelos, a equipa da casa ficou mais fragilizada tendo mais dificuldade em virar o resultado, também muito graças ao anti jogo praticado pelo adversário.
Permanecendo o empate, seremos obrigados a ir para prolongamento e eventualmente decidir o jogo através de grandes penalidades. E a verificar-se esta possibilidade, será inevitável um maior desgaste físico que nos irá prejudicar nas competições europeias.
Enquanto a equipa da casa está mais vocacionada nos milhões que a Europa lhe poderá proporcionar, a oposição está mais interessada no prolongamento e nos penaltis, pois sabe que pode tirar partido do desgaste do adversário, e assim conseguir o 1º lugar tão desejado.
É frequente no futebol, alguns colocarem os interesses dos clubes acima dos da seleção, acontecendo o mesmo na política. Por tais razões, é sempre com extrema dificuldade que conseguimos o nosso apuramento e os nossos objetivos, obrigados a recorrer sempre à calculadora e esperar por uma ajuda dos adversários. Também aqui, a política não se afasta do desporto rei, com o nosso país em risco de não conseguir os pontos necessários para a nossa permanência na Europa.
Não serão estas crises motivadas por uma crise de dirigentes e de falta de uma política de afirmação do nosso país e de um maior aproveitamento e rentabilidade dos nossos recursos?
Com um passado épico voltado para os oceanos, os nossos políticos manifestam grandes dificuldades de afirmação na europa. Somos apenas uma simples varanda para o saudoso atlântico, de costas voltadas para o velho continente.

31 outubro 2012

Como os cegos vêem o Mundo


Privados do sentido dos sentidos, os cegos, ao contrário do que alguns pensam, não são alheios ao que se passa no mundo que os rodeia. Pelo contrário, a sua sensibilidade e um maior desenvolvimento dos restantes sentidos, dão-lhes a perceção de pormenores que muitas vezes escapam por completo aos que dispõem de visão.
O ser humano não vê apenas com os olhos, mas também através do tacto, da audição e até mesmo do paladar e do olfato. Sendo a visão um sentido mais abrangente e mais intuitivo, há a tendência de ser super valorizado por aqueles que vêem, em desfavor dos restantes. Porém, estes têm também grande importância podendo mesmo substituir em muitas situações, a própria visão. É possível “ver” que uma peça de roupa está molhada, ou que uma mesa tem pó, utilizando apenas o tacto. Poderemos “ver” que o mar está agitado ou que a água de uma panela está a ferver, apenas através da audição. Ou ainda “ver” o que comemos ou bebemos usando o paladar e o olfato  .
A pessoa cega, não faz mais senão valorizar e explorar ao máximo os sentidos de que dispõe aprendendo a ver as coisas de outra forma.
 Não podendo contemplar com os olhos, as belezas e o colorido que a natureza oferece, os cegos não se distraem com o horizonte visual que os rodeia, concentrando-se e apreciando outros pormenores, por vezes não menos importantes. Apercebem-se com maior facilidade da personalidade e do caráter dos seus interlocutores porque não se prendem com o aspeto físico ou a indumentária dos mesmos. Observam com displicência a forma como ainda são tratados por uma significativa franja da sociedade que por vezes os ignora ou subvaloriza. É frequente ouvirem comentários sobre a sua deficiência, sendo vistos como vítimas do “maior infortúnio”.
Apesar da cegueira ser uma grande contrariedade, a maioria dos cegos aceita-a com naturalidade, não deixando por isso de fazer uma vida normal com momentos de alegria e de tristeza, como acontece com o mais comum dos mortais.
A cegueira não é sinónimo de infelicidade, pois na vida, o que há de mais belo e valioso, os olhos do corpo não podem ver.    

26 setembro 2012

Austeridade deixa país em coma


A vivermos talvez a maior crise económica de que há memória, os portugueses têm sido vítimas de severas medidas de austeridade, tendo em vista a redução drástica da despesa pública. Obrigados a cumprir as metas do défice, impostas pela troika, impõe-se aumentar as receitas e reduzir as despesas. Para isso, fizeram-se cortes nos vencimentos, nos subsídios, nas prestações sociais e aumentaram-se as taxas do IVA e do IRS. Fizeram-se esforços para eliminar alguns organismos e algumas fundações e reduzir encargos com as “parcerias público-privadas. Reduziu-se fortemente o investimento público e o número de funcionários do Estado. Medidas sem dúvida controversas e contestadas pela oposição e pela generalidade dos cidadãos, afetados pela redução do poder de compra e em alguns casos pelo maior flagelo social, o desemprego.
A nossa economia ficou mais fragilizada e o valor das receitas ficou aquém do esperado. O ” paciente” começou a acusar os efeitos secundários de um tratamento demasiado intenso e doloroso que está longe de alcançar os resultados desejados.
Perante o agonizar do ”enfermo”, os partidos e a classe política têm permanecido quase intocáveis sem que alguém proponha a redução do Parlamento, ou uma redução significativa do financiamento dos partidos por parte do orçamento geral do estado. Pelo contrário, foram recentemente aumentados em alguns subsídios.
Os portugueses estão cansados de fazer sacrifícios sem que vejam luz ao fundo do túnel. A economia entrou num verdadeiro estado de coma, insensível, não só aos ruídos gerados à sua volta, mas também às tímidas carícias dadas pelo aumento das exportações. Os antidepressivos vindos de Bruxelas associados a alguns genéricos nacionais, deixaram o país apático, incapaz de produzir riqueza e postos de trabalho.
Que futuro nos espera perante um cenário tão sombrio, em que todos os dias somos ainda mais amedrontados por uma comunicação social empenhada em nos causar insónias e nos tirar o pouco apetite que nos resta?
Sugiro a alteração dos blocos informativos para depois da meia noite, sempre com a bolinha vermelha quando o tema for política nacional. Sugiro que se avance rapidamente com a privatização da RTP, mantendo apenas o 2º canal, sendo este substituído pela RTP memória. Sugiro que o horário nobre dos telejornais seja preenchido pelos “malucos do riso, Charlot ou mister Bean. Sugiro também que o hemiciclo da assembleia da República seja ocupado por uma conceituada companhia de circo e que os jardins de Belém sejam aproveitados para fazer renascer a tradicional feira popular.
Com tais medidas, talvez consigamos salvar um povo que deu novas luzes ao mundo, que venceu Aljubarrota e que um dia fez a revolução dos cravos para que a democracia triunfasse.      

13 junho 2012

Santos Populares


Eis a troika popular,
Que não vem inspecionar,
Nem fazer imposições.
Vem disposta a reinar,
E a poder alegrar,
Nossos tristes corações.

António, casamenteiro,
Não nos vem trazer dinheiro,
Mas boa disposição.
Nascido em Portugal,
Tem na nossa capital,
A mais nobre devoção.

A seguir, vem o João,
Por certo o mais folião,
Com tradições mais a norte.
Festejado em aldeinhas,
Tem sempre nas fontainhas,
A sua festa mais forte.

Pedro será mais discreto,
De todos o mais correto,
Não ser porteiro do Céu!
Não poderá nestes dias,
Meter-se em grandes folias,
Arriscando-se a ser réu.

António, Pedro e João,
São os homens de ação,
Que nos vêm defender.
Não querem grandes reformas,
Mas tudo dentro das normas,
Para tradição se manter.

Bastam grandes sardinhadas,
Em noites bem animadas,
Para esquecer a tristeza.
Marchas muito coloridas,
Com jovens bem divertidas,
Onde não falta a beleza.

Não faltam os manjericos,
E o cheiro dos petiscos,
E as lendárias farturas,
Que nos deixam consolados,
Com bailes bem animados,
Fazendo grandes loucuras.

Não há cortes, nem aumentos,
Mas sim felizes momentos,
Repletos de alegria,
Jamais falta a animação,
Com boa disposição,
Nestas noites de magia.

São os santos mais queridos,
Também os mais divertidos,
Que ocupam os altares,
A troika mais interessante,
E também mais importante,
Os santinhos populares.

05 junho 2012

Que seleção... para o Europeu


Estamos à porta de mais um campeonato da europa, competição a que nos habituamos a estar presente nas últimas edições.
Recheados de jogadores de indiscutível qualidade, vedetas nas principais constelações do desporto rei, a equipa de todos nós nem sempre tem demonstrado o seu valor, oscilando ao longo das provas, numa indesejável irregularidade capaz de nos surpreender com o ótimo e o péssimo. Temos ainda bem presentes as recentes fases de apuramento em que tivemos de sofrer até ao último minuto.
Depois de 2 desafios de preparação em que a nossa seleção esfriou todo o entusiasmo à sua volta, com resultados e exibições nada condicentes com a sua real valia, o que esperar no 1º jogo frente a uma das principais favoritas, a poderosa Alemanha?
Apesar de dois maus ensaios, vamos iniciar a prova em igualdade de circunstâncias, com o mesmo número de jogadores e o mesmo número de pontos. Penso, que este fraco prelúdio, poderá até ser positivo para a equipa das quinas, possivelmente vista pelos adversários como menos poderosa como aliás já o fez a imprensa alemã. Por outro lado, a derrota com a Turquia terá espicaçado o orgulho dos jogadores lusitanos que em conjunto com a equipa técnica, certamente vão fazer as correções necessárias no sentido de não defraudarem o entusiasmo e a esperança dos portugueses.
Estou convicto que depois da tempestade, que foram os jogos de preparação, virá a bonança com uma estreia auspiciosa e uma presença condigna da nossa seleção. 

Sou português… Viva PORTUGAL!       

06 maio 2012

A sina de ser campeão!

Celebramos há poucos dias o 30º aniversário de Jorge Nuno Pinto da Costa, como presidente do “mui nobre leal e quase invicto”, F.C. do Porto.
É de facto fantástica a carreira desportiva deste verdadeiro dinossauro do nosso futebol, com um record de troféus soberbo e inigualável.
Pinto da Costa fabricou uma autêntica máquina de fazer títulos nas diversas modalidades e nos mais variados escalões. Vestir de azul e branco com um dragão ao peito, ou orientar alguma das suas equipas, é correr sérios riscos de ser campeão. É exemplo disso, o recente campeonato conquistado pela equipa de futebol, que após ter substituído o seu treinador pelo seu adjunto e com uma pré-época algo conturbada, conseguiu superiorizar-se aos seus adversários e assegurar o título a duas jornadas do fim.
Nas ditas modalidades amadoras, o clube nortenho também não tem deixado os seus créditos por mãos alheias, garantindo no passado fim de semana o tetra no andebol, ainda com possibilidades de conquistar o 11º título consecutivo no hóquei em patins, e bem posicionado no basquetebol para ser bicampeão.
Estão por isso de parabéns todos quantos fazem parte deste notável e grandioso clube, que tão bem nos tem representado além fronteiras e tantas alegrias têm proporcionado aos seus adeptos e simpatizantes.
Nunca será demais enaltecer a figura carismática e preponderante do seu presidente, sem dúvida a pedra angular deste fenómeno desportivo que se escreve com três letras: F.C.P. 

04 abril 2012

Da família tradicional à família dos nossos dias


Considerada desde há muito a célula base da sociedade, a Família tem vindo a sofrer alterações constantes ao longo dos tempos, face às mutações operadas nas últimas décadas a nível social.
Em tempos mais remotos, a mulher não dispondo da emancipação que hoje possui, nem tendo necessidade de trabalhar, dado o sustento da casa ser possível apenas através do braço do homem, esta dedicava-se exclusivamente ao lar e à educação dos filhos.
Com o decorrer dos anos a mulher foi obrigada a ter um papel mais activo conseguindo a emancipação que ambicionava. Deixou então de se dedicar exclusivamente às lides domésticas, para ter a sua actividade profissional e o seu convívio social. Os filhos passaram a ficar desde tenra idade, nos infantários, os mais idosos tiveram de deixar a sua casa, para ingressarem nos lares de terceira idade, enfim, tudo se alterou a favor da promoção sócio-profissional da mulher e das melhores condições económicas do casal.
Mais uma vez o materialismo e a promoção social, falaram mais alto do que o acompanhamento e apoio familiar em relação a pais e filhos.
Apesar de algumas vantagens neste novo modelo, muitas foram as consequências negativas que vieram gradualmente alterar o espírito de família. Os divórcios passaram a ser mais frequentes e normais, os casamentos mais raros , dando lugar às uniões de facto, passaram a ser legais os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, os filhos passaram a ter um acompanhamento alternativo, face à separação dos seus progenitores e os nossos velhinhos entregues a estranhos, nem sempre com o carinho que a idade justifica.
A família ficou deste modo, desmembrada com maior prejuízo para as crianças e os mais idosos.
Passamos assim a ter uma sociedade à imagem das nossas famílias, onde cada vez é menor o respeito e a solidariedade  pelo nosso semelhante, em que os nossos idosos são desprezados ou mesmo abandonados e em que os nossos jovens são simplesmente deitados às feras, sem qualquer apoio e sem qualquer garantia de trabalho.
Vivemos assim numa verdadeira selva onde apenas sobrevive o mais forte. 

08 março 2012

Que mais escrever sobre a Mulher?


Todos os anos escrevo sobre este tema, neste dia 8 de Março. Apesar de ser um assunto inesgotável, parece-me despropositado fazê-lo neste dia, pois penso já não se justificar a existência do dia internacional da mulher, tal como sempre aconteceu com o homem.
Criaram-se os dias internacionais para chamar a atenção para realidades por vezes descriminadas ou simplesmente ignoradas. Foi assim com a mulher quando esta era vista e tratada como o sexo fraco. Felizmente, hoje a realidade é substancialmente diferente, estando ao mesmo nível do homem dispondo dos mesmos direitos, das mesmas oportunidades e dos mesmos deveres.
Ao celebrarmos o seu dia internacional, estamos a usar de descriminação positiva, colocando a mulher num patamar de inferioridade que não corresponde à posição de destaque que hoje ocupa na sociedade.
Com exceção feita à super conservadora e tradicional Igreja Católica e a escassos setores profissionais, encontramos elementos do sexo feminino nas mais variadas profissões, muitas vezes em lugares de chefia.
Será normal continuar a haver menor representatividade feminina em algumas áreas, em virtude da mulher não estar tão vocacionada para elas, o que aliás, também acontece com o homem.
Homem e mulher nunca serão iguais, o que perderia todo o encanto da vida, mas sim o complemento um do outro. Ambos são diferentes na sua fisionomia, na sua sensibilidade e nos seus interesses. Terão de se respeitar um ao outro como pessoas íntegras num plano de igualdade.    

21 fevereiro 2012

Um país semi mascarado!


Num país que vive durante todo o ano um verdadeiro carnaval, com corruptos fantasiados de gente de bem, de pedófilos disfarçados de pessoas íntegras e criminosos bem engravatados, detentores de posições de destaque, decidiu o governo não conceder tolerância de ponto neste dia que antecede um longo período de reflexão e penitência, que é a Quaresma.
No carnaval, os mais foliões, dão largas ao seu entusiasmo mascarando-se, cometendo por vezes, alguns excessos, talvez porque as semanas seguintes convidam a uma maior introspeção e a um maior recolhimento. Por ser essa a prática normal ao longo da maioria dos dias do ano, o conselho de ministros decretou que os portugueses trabalhassem, pois o estado da nossa economia não permite mais veleidades. Porém, alguns desses foliões, discordando da decisão governamental, talvez mais preocupados com a sua popularidade do que, com a recuperação das nossas finanças, deliberaram que devíamos venerar o “S. Entrudo”.
Ficamos assim com o país partido em dois: De um lado, os mais submissos e responsáveis e do outro lado os mais rebeldes e populistas.
Mais uma vez, alguns insubordinados contribuíram para que os funcionários deste país, não recebessem o mesmo tratamento. Os mais cumpridores a trabalhar e os desobedientes a gozar um dia de descanso.
Se existiam dúvidas sobre a nossa constante vivência carnavalesca, este episódio de contra poder por parte da maioria das autarquias, é bem demonstrativo da nossa imaginação em brincadeiras de carnaval.   

13 fevereiro 2012

Haja tolerância!

Sou funcionário público e por isso obrigado a trabalhar no dia de carnaval, salvo, o meu Presidente fure a disciplina governamental, como aliás vai acontecer em muitas autarquias do país.
Não estranhei a posição assumida pelo nosso Primeiro-ministro, pois outra coisa não seria de esperar em tempo de crise e de grande austeridade que nos obrigou a despromover 4 feriados, com bastante mais significado.
Condenados com pena suspensa pela troika, não seria bem aceite a nossa displicência em relação à falta ao trabalho num dia que além de não ser feriado, não tem grande tradição no nosso país, com exceção feita a uma mão cheia de Municípios. Nestes casos, parece-me sensata a tolerância dada pelas respetivas Câmaras Municipais.
Não residindo em nenhum desses concelhos, estou à vontade para discordar das inúmeras críticas dirigidas ao Governo por não conceder a habitual tolerância de ponto.
O argumento de grandes investimentos feitos em algumas localidades onde o carnaval tem tradições, não é razão para adiar para o próximo ano a abolição da mesma tolerância, pois poderão comemorar e fazer os habituais desfiles, no domingo gordo, como já acontecia no passado. Além disso, nunca houve a garantia de que o carnaval seria dia de descanso.
Julgo ser exagerada e despropositada a decisão de algumas autarquias onde não se festeja o Entrudo, de contrariarem a deliberação aprovada em concelho de ministros.
Deveríamos estar em sintonia e evitar que nesse dia, os portugueses trabalhassem ou não, em função da submissão ou rebeldia dos executivos municipais.
Haja mais tolerância em relação a quem está empenhado em que sejamos mais produtivos, para mais depressa podermos sair desta crise.

12 dezembro 2011

Caros visitantes

12 de Dezembro de 2006, iniciava novo projecto com a criação deste espaço pessoal de opinião, depois de me afastar de colaborar num órgão de comunicação social, vítima da mão pesada da censura.
Aqui é meu objetivo refletir, ainda que superficialmente, sobre algumas temáticas relacionadas com a deficiência visual, a minha região e o meu país.
Lamento a reduzida participação de quantos visitam “bicassoltas” e por normalmente só deixarem os seus comentários, quando estão em causa apontamentos que podem dar origem a alguma controvérsia. Por outro lado, orgulham-me os cerca de centena e meia de artigos publicados e as mais de 8000 visitas oriundas dos 5 continentes.
Mais relevante do que tudo isso, é a cumplicidade do mesmo, com o volte face operado na minha vida, deixando a solidão para abraçar uma nova vida a dois repleta de amor e carinho.
São por isso, 5 anos de participação ativa em que o saldo é francamente positivo.
Resta-me agradecer a todos que visitam este espaço, fazendo mais uma vez um apelo à vossa participação para que o mesmo não seja um simples monólogo, mas um debate de ideias e opiniões.
Dessa forma, não só ficará mais valorizado este blogue, como também terei mais estímulo para continuar a deixar as minhas reflexões.
Obrigado a todos.

01 dezembro 2011

10 anos com o galardão de "Património Mundial da Humanidade"

Próximos do 10º aniversário do Douro galardoado com tão honrosa distinção, têm sido bastante lentas as transformações operadas numa região de características únicas e com enormes potencialidades turísticas neste “jardim à beira mar plantado”. Berço de um dos principais embaixadores do nosso país nomeadamente da capital do norte que lhe deu o nome, o Douro produz um dos mais famosos e deliciosos vinhos do mundo, bem como azeite da melhor qualidade.
As suas encostas dispostas em anfiteatro, contemplam diariamente o desfile majestoso e triunfal das águas do rio D’ouro, tendo honras especiais ao longo das inúmeras barragens que transpõe ao longo do seu percurso. Chegando quase a adormecer, dada a melancolia das suas margens, é por vezes despertado pelo estremecer ruidoso dos mais confortáveis, mas menos funcionais espanhóis que o acompanham nos seus estreitos trilhos em grande parte do seu leito.
Ao aproximar-se do ambiente agitado das grandes cidades que ele próprio separa, sente necessidade de se espreguiçar para finalmente abraçar o oceano atlântico num gesto de grande cumplicidade.
Este cenário repleto de magia e encanto, atinge o seu auge na entrada do Outono. Nesta altura, as folhas prestes a despedirem-se dada a proximidade do inverno, apresentam um misto de cor, numa beleza rara terminando da melhor forma o quarto e último acto de uma encenação única, que só a natureza e o trabalho
do homem, seriam capazes de conceber.
Não seriam necessários mais adereços para esta região ser das mais atrativas do nosso país, no entanto, o Douro não nos oferece apenas o precioso néctar e a deslumbrante paisagem, mas também um misto de história, arte, tradições e uma gastronomia condizente com os seus nobres e agradáveis vinhos.
Composta por 22 concelhos, a mais antiga região demarcada, apenas 13 mereceram esta menção honrosa. Inseridos em 4 distritos bem diferenciados nas suas características, esta região não tem tido, pelo menos de uma forma visível, um plano conjunto de desenvolvimento, limitando-se a iniciativas isoladas de alguns durienses mais arrojados e mais ambiciosos continuando a região a ser conhecida essencialmente pelos cruzeiros no rio.
Será urgente o poder central e as autarquias que o circundam criarem condições para o turismo ser o futuro deste Douro histórico, romântico e que se espera mais acolhedor para quantos o visitam.

25 novembro 2011

Mais uma greve "geral"!

Nunca a função pública foi tão sacrificada como nos últimos tempos, estando anunciadas novas medidas de austeridade para 2012. Todos temos razões de sobra para nos sentirmos lesados e até mesmo indignados por serem sempre os servidores do Estado os mais atingidos com as crises financeiras.
A greve é um direito consagrado na Constituição Portuguesa, devendo ser usado como último recurso para reivindicar os nossos direitos.
Vivemos uma situação económico financeira extremamente grave que nos permite receber o vencimento todos os meses, graças ao acordo assinado pelos principais partidos com a troika. Acordo esse que nos obriga a cumprir objectivos, que a não serem alcançados levariam ao total colapso das nossas finanças.
Face a este dramático cenário, não será provável o Governo ceder a tão justas reivindicações, pelo que será uma luta inglória com os consequentes prejuízos na nossa já débil economia e o inevitável corte salarial dos que aderiram à mesma.
Não é por isso, na minha perspectiva, a melhor altura para uma greve geral, não por falta de razões para nos manifestarmos e protestarmos, mas porque esse protesto não trará nada de benéfico para os trabalhadores portugueses.
É impossível saber com exactidão qual a adesão pois não serão credíveis os números apresentados quer pelo Governo, quer pelos sindicatos. Foi notória uma significativa participação nas grandes cidades, nomeadamente Lisboa e Porto, muito graças ao sector dos transportes.
O país está gravemente doente, arriscando-se a morrer da cura, devido à violência dos tratamentos que poderão levar à sua asfixia.
Resta a União Europeia encontrar o remédio adequado para salvar uma “família” onde os sinais de contágio são por demais evidentes.

12 novembro 2011

Menos feriados e dias santos!

Na sequência das medidas de austeridade anunciadas para 2012, está previsto um acréscimo de mais dias de trabalho, face à redução de alguns feriados e dias santos.
Não tendo conhecimento da divulgação das datas escolhidas, que terão de passar por um acordo entre o Governo e a Igreja Católica, vou dar a minha opinião sobre os dias que me parecem mais aconselháveis para essa despromoção.
Em matéria de feriados, suprimiria o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro pelo fraco significado que têm para os portugueses, não sabendo a maioria deles, o que se está a celebrar. Se a instauração da república já ocorreu há mais de um século e pouco nos diz, a restauração já foi há muito mais e talvez muitos, desejassem que nunca tivesse ocorrido.
No que diz respeito aos dias santos, a extinção do Dia do Corpo de Deus, seria o mais rentável em termos laborais, pois nunca ocorre nos fins-de-semana. A outra data escolhida, seria o 15 de Agosto, não em desconsideração à assunção da virgem Maria, mas apenas porque acontece em época de férias para a maioria dos portugueses e assim, não seria sentida muito a ausência do feriado.
Penso que, para além do 10 de Junho, dia de Camões e mais recentemente também de Portugal e das comunidades, não haveria muito por onde escolher, dado os restantes feriados, se tratarem de datas com grande significado para o nosso país.
Não é minha intenção aconselhar o Governo sobre esta matéria, pois os dias a suprimir do calendário, como dias de descanso, já estarão definidos, mas apenas deixar o meu ponto de vista sobre o assunto.