21 maio 2011

Sondagens podem condicionar resultados eleitorais

Já há algum tempo, tive oportunidade de me manifestar contra a realização de sondagens em vésperas de eleições.
Apesar de terem um valor relativo podem influenciar os eleitores, mesmo em alguns casos, contribuir para o aumento da abstenção. O voto é secreto e muitas vezes, decidido à boca das urnas, por isso, tudo o que se possa prever anteriormente, poderá ser manipulado e enganador. Os partidos poderão ser beneficiados ou prejudicados consoante a intenção de voto da maioria. Com a bipolarização verificada no nosso regime democrático, em que apenas 2 partidos têm possibilidades de vencer, poderá ser ainda mais notória essa influência, funcionando muitas vezes o chamado voto útil. Saem assim prejudicados os pequenos partidos quando as sondagens apresentam resultados muito próximos entre os principais partidos. Se a diferença entre estes for bastante grande, poderá ser prejudicado o que se apresenta mais destacado, na medida em que a mobilização para os seus habituais eleitores votarem, é menor, podendo levá-los à abstenção.
Muitos mais exemplos podia mencionar, para além dos casos conhecidos em que os resultados das sondagens foram extremamente enganadores.
Não compreendo como os nossos partidos ainda não alteraram uma lei que os pode prejudicar e confundir os portugueses, dando-lhes um cenário político, muitas vezes distorcido da realidade.
Será que um dia não vamos votar porque já sabemos com antecedência os resultados das eleições?

14 maio 2011

Portas impede passos a Coelho e abre caminho a Sócrates

Não pretendendo fazer futurologia, nem assumir a condição de comentarista político, tudo leva a crer que no próximo dia 5 de Junho, o povo venha a aclamar “Barrabás”em desfavor do “senhor dos Passos”, traído de certa forma pelo seu condiscípulo “judas Catroga”.
O que muitos julgam parecer impossível, poderá ser uma realidade, caso se confirme a tendência verificada na opinião pública, de uma transferência significativa de votos do PSD para o CDS. Porta será certamente a grande surpresa destas eleições, tirando partido dos confrontos entre os dois candidatos a primeiro-ministro e do zig zag de Coelho, muitas vezes provocado pelo seu candidato à pasta das finanças.
Nada o fazendo prever, poderemos assim, ter Sócrates como vencedor do próximo acto eleitoral.
Impossibilitado de formar um governo com uma ampla base de apoio, dada a posição assumida pelos responsáveis dos restantes partidos, esperemos que “Pilatos Silva” não venha a lavar as suas mãos, mas assuma as suas funções presidenciais, não deixando que o país caia em novo vazio político, o que seria fatal para a nossa agonizante economia.
Cabe aos portugueses fazer uma análise profunda do que será menos mau para a nossa democracia, para que estas eleições não sejam mais um acontecimento despesista, mas possam ser um ressuscitar das nossas esperanças numa estabilidade política e numa recuperação económica que tanto necessitamos.

11 maio 2011

Caros leitores

Um blogue é um espaço livre de opinião, onde podemos manifestar a nossa forma de pensar sobre os mais variados assuntos, sem censura, desde que o façamos de forma educada e civilizada. Decidi criar este espaço em 12 de Dezembro de 2006, depois de ser vítima dessa mão pesada, que pensava ter terminado com a revolução dos cravos, mas que alguns conservadores ainda a praticam nos seus órgãos de comunicação social.
Só com a colaboração activa dos seus leitores, é que podemos ter feedback sobre o que escrevemos.
Satisfeito com o número de visitantes que já ronda os 6000, sinto alguma frustração pela escassez de comentários, na medida em que o blogue não tem a vitalidade que desejava.
Por esse motivo, apelava a todos que visitem este espaço, que manifestassem a sua opinião mesmo que seja contrária às ideias por mim expressas.
Peço que o façam de uma forma elevada, respeitando a opinião dos outros e com uma linguagem que não ultrapasse as margens do bom senso e da sã convivência.
Obrigado a todos os colaboradores.

08 maio 2011

Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Tabuaço

Ex.mº Senhor Presidente

Passado ano e meio da sua tomada de posse à frente dos destinos deste concelho, penso ter terminado o seu estado de graça como responsável máximo desta autarquia.
Conhecedor da minha frontalidade e espírito crítico, certamente não ficará chocado com a minha apreciação sobre alguns aspectos da sua actuação.
Decidi dirigir-lhe esta carta aberta, porque a que lhe enviei fechada em 9 de Fevereiro, não obteve, até à data, qualquer resposta.
Tal como prometeu durante a campanha, estava à espera de uma mudança, mas verifico que pouco mudou, para além das cores das viaturas municipais e da crescente obesidade do executivo camarário. Em relação à primeira, totalmente desnecessária, parece-me que faria mais sentido o cor-de-rosa, pois já diz o nosso povo; “azul e verde, escarro na parede”. Em relação à segunda, é extremamente despesista e injustificada quando assistimos a uma contínua desertificação do nosso concelho e vivemos uma crise económica de que não há memória.
Por outro lado, espanta-me que obras praticamente concluídas desde a sua tomada de posse, continuem fechadas e inactivas.
Em matéria de acessibilidades, foram inúteis as minhas sugestões, mantendo-se as coisas na mesma, quando tudo se faria em menos de um dia e quase sem quaisquer custos.
Possivelmente, já concluiu que é muito mais difícil governar do que estar na oposição a criticar, como aconteceu durante vinte anos.
Senhor Presidente, ainda tenho mais algumas questões para lhe colocar.
Como estão as avaliações do pessoal não docente da escola Abel Botelho, em relação a 2009, 2010 e 2011? Estamos a ser totalmente desprezados e prejudicados pela autarquia, que é quem diz que manda, mas que não actua. Aonde estão as competências que a Câmara diz possuir?
Senhor Presidente, a sua actuação tem sido duma passividade total. Desta forma o nosso concelho não tardará a desaparecer do mapa.
É com tristeza que vejo o nosso concelho a regredir quando tem potencialidades naturais que têm sido totalmente desaproveitadas.

Tabuaço - doenças crónicas que impedem um desenvolvimento sustentado

Situado na margem esquerda do rio Douro, numa encosta de vinhas dispostas em verdadeiro anfiteatro, atravessadas por sinuosos traços de asfalto, nem sempre bem definidos dado ao seu deteriorado estado, Tabuaço é a sede de um pequeno concelho que serve de fronteira entre o Alto Douro e a Beira Alta.
Devido ao acidentado do terreno, esta vila é privilegiada graças às deslumbrantes paisagens que pode oferecer aos seus visitantes, e ao mesmo tempo prejudicada devido às dificuldades nas suas comunicações viárias e ao reduzido espaço destinado à construção.
Estes têm sido, sem dúvida, os principais factores para a falta de desenvolvimento desta terra, integrada numa região a quem foi atribuído o galardão de Património Mundial da Humanidade. Não existindo condições para a instalação de indústrias, vivendo essencialmente de uma agricultura cada vez mais asfixiada, os seus jovens são obrigados a partir rumo a outras paragens, contribuindo para a sua desertificação.
É evidente que sem boas vias de comunicação e com uma população cada vez mais reduzida e envelhecida, não há possibilidades de progresso.
Com o turismo a bater-nos à porta, é urgente criar condições para atrairmos e recebermos os turistas que cada vez mais visitam o Douro. Precisamos de ligações mais rápidas e seguras para quem vem até nós. Precisamos de alojamentos condignos para não o fazerem apenas de passagem. Precisamos de os saber receber e mostrar-lhes o que melhor possuímos. Vamos abrir as portas ao progresso para que este concelho possa inverter os seus dados demográficos e os nossos filhos possam sentir-se realizados na terra que os viu nascer. Só assim, Tabuaço poderá sair do marasmo em que se encontra.

06 maio 2011

Troika Portuguesa na alta-roda do futebol Europeu

F.C. Porto, Sport Lisboa e Benfica e Sporting de Braga, são os ilustres representantes de Portugal na Europa do Desporto Rei, que pela primeira vez apresenta 3 equipas numas meias-finais de uma competição europeia e dois finalistas a disputar a final da Liga Europa. Acontecimento inédito no nosso futebol, merece todo o destaque e elogios, comprovando que nem tudo vai mal, neste pequeno relvado voltado para o Atlântico.Merece-nos ainda mais respeito, a formação Bracarense nada habituada a estas andanças e com um orçamento incomparavelmente inferior às restantes equipas. O facto atinge ainda mais realce e mérito para o nosso País, na medida em que as 3 equipas são orientadas por treinadores portugueses, o que comprova que o “ sucesso Mourinho”, não é mero acaso, mas sim a prova de que dispomos também dos melhores treinadores do Mundo.
Se considerarmos o que se passa na nossa vizinha Espanha, em que teve dois semi-finalistas na Liga dos Campeões, com um deles já apurado para a final e outra equipa nas meias finais da Liga Europa, não haverá grandes dúvidas de que é na Península Ibérica onde se pratica melhor futebol.
Parece-me assim, que teria sido plenamente justa a escolha da candidatura conjunta a organização do mundial de 2018 pelos 2 países ibéricos.
Valha-nos ao menos o futebol para nos dar algumas alegrias e algum prestígio além fronteiras.

03 maio 2011

O quotidiano de uma pessoa cega

Tal como acontece com as pessoas normovisuais, não podemos classificar os cegos numa só categoria. Vários factores contribuem para que sejamos todos diferentes, cada um com a sua fisionomia, a sua personalidade e o seu carácter. A cegueira embora seja igual para todos, tem efeitos muito variados, consoante a mentalidade e formação de cada um. Enquanto alguns conseguem dar a volta por cima, fazendo uma reabilitação que lhes permite uma integração social, outros ficam mergulhados na sua mágoa, sendo incapazes de reagir a tal adversidade. É evidente que o dia-a-dia de cada um deles será extremamente diferente. Será normal, cada um sentir à sua maneira as dificuldades com que são confrontados ao longo da vida. Para estes últimos, tudo é obstáculo estando dependentes de terceiros para a maioria das actividades. Por outro lado, para os que fizeram uma boa reabilitação, tudo é mais fácil, embora encontrem algumas dificuldades no seu dia-a-dia.
Assim, para além das barreiras físicas originadas pela falta de sensibilidade das autarquias e do próprio Estado e pela negligência de parte significativa de cidadãos, com os carros e outros objectos em cima dos passeios, o cego tem de enfrentar uma sociedade ainda pouco preparada para lidar com a diferença. Para muitas pessoas, a cegueira continua a ter uma carga extremamente negativa, daí os invisuais serem vistos e tratados como seres inferiores. Ainda surgem algumas situações em que os deficientes visuais são discriminados, por vezes involuntariamente, outras em que são ajudados, mas de forma incorrecta, dada a inexperiência das pessoas em lidar com estas situações.
Impossibilitados de se dirigirem às outras pessoas, as pessoas cegas têm grandes dificuldades no relacionamento social e em criar novas amizades, pois estão dependente da aproximação dos outros, que muitas vezes as ignoram e desprezam. Esquecem-se que eles têm os restantes sentidos mais apurados e que muitas vezes se apercebem da sua presença.
Estes são alguns dos problemas sentidos pelos deficientes visuais, no seu dia-a-dia que poderiam ser francamente atenuados se houvesse mais respeito e mais sensibilidade para quem se viu privado do sentido dos sentidos, a visão.

12 abril 2011

Carta aberta ao Engº Sócrates

Como candidato ao próximo acto eleitoral, não podia deixar de lhe dirigir algumas palavras.
Algumas serão de desmotivação, outras de encorajamento consoante os defeitos e qualidades que lhe reconheço.
Apesar das más opções que tem tomado e da consequente condução desastrosa à frente da Nação, admiro a sua coragem de mesmo assim ainda ter forças para se sujeitar a novo sufrágio. É sobejamente reconhecida a sua habilidade em mentir aos portugueses com discursos e entrevistas aparentemente convincentes, mas que normalmente não se aplicam na realidade. Será que os eleitores ainda não se aperceberam disso? Diz o nosso povo: na primeira, quem quer cai; na segunda, cai quem quer e na terceira só cai quem é burro.
Tem acusado a oposição, em particular o PSD por terem provocado esta crise política ao não deixarem passar o PEC4. Não terá sido o Sr. Eng. a provocar essa situação, na medida em que não deu cavaco a ninguém, inclusive ao Sr. Presidente da República, do seu conteúdo?
Apesar de todas as desvantagens que implica uma ajuda externa, não compreendo a sua teimosia em só agora recorrer ao que era inevitável e possivelmente com consequências mais gravosas para o futuro. O seu ministro das finanças dizia há alguns meses que teríamos de recorrer ao FMI caso os juros da dívida soberana ultrapassassem os 7%. A verdade é que estamos quase a atingir os 10% e foi preciso os nossos bancos colocarem-lhe a pistola a trás da orelha para tomar essa decisão.
Tenho bastante dificuldade em saber quando está a falar verdade aos portugueses, mesmo apesar do seu ar de grande seriedade.
Esperemos que o povo português saiba escolher os melhores, ou talvez os menos maus, para que o país possa sair da crise em que se encontra e os nossos filhos não tenham o futuro hipotecado.

Carta aberta a Passos Coelho

Olá Pedro!
Desculpa este à vontade no meu tratamento, mas pensava estar a escrever ao meu filho Pedro que também é Coelho, mas que apenas difere nos “Passos”, que certamente são bastante diferentes. Compreendo a tua vontade de chegares depressa ao Poder e que por isso tenhas aumentado a velocidade, mas desculpa dizer-te, parece-me que o tens feito com uma passada bastante insegura e irregular, por vezes mesmo um pouco sinuosa.
O facto de seres o líder da oposição não significa que dependes apenas de ti, como acontece no futebol, mas terás de fazer uma analogia com o ciclismo, em que o corredor tem de saber gerir as suas forças, para poder atacar nos momentos certos e decisivos.
Estou convicto que como estreante nesta prova, dificilmente vais cortar a meta com êxito dada a experiência de alguns adversários que além de serem concorrentes habituais, dispoem de equipas bastante homogéneas e lutadoras. Sabes que nem sempre podes contar com os teus colegas de equipa que por vezes se distraem e dão uma ajudinha aos adversários. Por isso, penso não teres nada a perder se abrires as “portas” a uma ajuda daqueles que noutras alturas já deram a sua colaboração. Tens de contar com a experiência do outro favorito um excelente trepador e sprinter, que vai aproveitar-se da tua inexperiência para atacar a meta, conseguindo assim a 3ª vitória consecutiva.
Penso que só “S. Pedro” e “S. Paulo” juntos poderão afastar “Satanás” e evitar que este nos dê o último empurrão para o inferno.

Carta aberta ao Dr. Paulo Portas

Na sequência das cartas dirigidas aos 2 candidatos à vitória nas próximas eleições, senti a obrigação de também o fazer em relação a si, não porque tenha algumas hipóteses em vencer esse acto eleitoral, mas porque o seu resultado pode determinar o seu vencedor.
Estou convicto que o seu partido, mais uma vez, vai ter um papel fundamental na formação do novo governo, pois não se vislumbram maiorias absolutas de um só partido, o que vai obrigar o vencedor a proceder a coligações.
Tenho de felicitá-lo e ao CDS por nos últimos tempos terem tido um comportamento e um discurso bastante coerente o que, cada vez é menos frequente na classe política. Certamente que os portugueses vão compensá-lo por isso, pois estão cansados de mentiras e de discursos pouco claros, por vezes, mesmo contraditórios. Penso mesmo, que vai ter uma votação histórica, o que é positivo para a nossa democracia, mas também poderá contribuir para o tri do engenheiro Sócrates, o que não me parece benéfico para o País. A divisão de votos da direita, só irá beneficiar o PS e o seu candidato, que não sendo favorito à partida, poderá assim conquistar nova vitória.
Compreendo que o CDS e o PSD queiram apresentar-se sozinhos nas urnas, cada um com o seu programa, podendo assim testar a sua força junto do eleitorado, mas só uma coligação pré eleitoral, poderia tirar algumas ilusões ao actual primeiro-ministro, que continua a sonhar, que apesar de tudo, ainda poderá continuar a governar o País.

05 abril 2011

Mais uma conquista aos Mouros

Depois de há 71 anos, o Dragão ter conquistado Lisboa aos Mouros na célebre batalha das Amoreiras e após estes a voltarem a recuperar com a criação do reinado da “Luz”, eis que uma nova expedição, desta vez comandada pelo vice-rei Pinto da Costa, consegue reconquistar esta importante praça.
Não foi fácil esta reconquista, pois a esquadra chefiada por Jesus era sem dúvida a mais forte dispondo de artilheiros dos mais variados países. Terminada a batalha com o abandono dos Mouros, tudo se apagou, ao mesmo tempo que se regava o campo de batalha.
O reinado da “Luz” vivia assim o maior apagão de todos os tempos. Lisboa ficava de luto face à brilhante estratégia montada pelo jovem comandante Villas Boas.
Mais uma vez, o Dragão saía vitorioso no confronto com o seu principal rival de Lisboa, voltando a assumir a sua condição normal de campeão.

26 março 2011

Uma página do meu diário

Acabo de virar mais uma página do meu calendário. O mês de Março aproxima-se do fim, proporcionando-nos uns dias em que o sol se despede mais tarde e nos oferece temperaturas mais amenas.
Inicio mais um dia de trabalho nesta rotina que nos vai saturando, dada a repetição de tarefas a que nos obriga o nosso dia-a-dia.
Depois de uma noite dominada por um sono intermitente, graças às minhas crónicas insónias, preparo-me para mais uma etapa desta prova cujo percurso e meta desconhecemos. Por esse facto, não podemos gerir as nossas forças em função dos quilómetros que faltam, mas sim dar o nosso máximo como se a meta estivesse próxima. Para além disso, temos de estar preparados para um percurso, por vezes bastante sinuoso e para a condução extremamente desastrosa de alguns com quem somos obrigados a cruzar.
Após 7 horas de trabalho desgastante e monótono, dada a falta dele, interrompidas por 90 minutos destinados ao abastecimento e pequenos afazeres, dá-se o regresso a casa aliviado da atmosfera poluída provocada pelo ambiente profissional.
Surge então a necessidade de relaxar e atenuar os efeitos nefastos provocados pelo sedentarismo da profissão, recorrendo a uma caminhada, mais ou menos longa consoante a disponibilidade e as condições climatéricas.
Depois de tudo isto, já com o depósito quase na reserva, faço o meu último abastecimento para depois me distrair um pouco junto da televisão e do meu PC.
Está assim completa mais uma etapa desta corrida desenfreada, por vezes sem sentido, que nos obriga a uma condução sensata e extremamente cautelosa, para não sermos vítimas de maiores dissabores.

Eleições à vista

Começou na quarta-feira à noite a campanha eleitoral para as eleições antecipadas, sem que o Presidente da República tenha tomado qualquer decisão. Ninguém quer perder tempo nesta corrida que se espera rápida dado o seu curto percurso.
Assim, estiveram presentes na grelha de partida, as principais marcas, para os treinos iniciais.
Podemos observar Sócrates e Passos Coelho na pole position logo seguidos por Portas, Jerónimo e Louçã.
Apesar da desastrosa participação, na última corrida, Sócrates vai de novo participar esperançado em tirar partido da inexperiência do estreante Passos Coelho. Apesar de dispor de uma máquina menos potente, teremos de contar com a experiência do concorrente habitual, Paulo Portas, que poderá ser uma surpresa. Em relação aos outros dois candidatos presentes, não terão possibilidade de chegar ao pódio dado fazerem parte de equipas mais fracas. Poderão contudo, aproximar-se dos da frente caso aproveitem bem o tempo com curtas paragens nas boxes.
Fazem-se assim, as ultimas afinações para que as máquinas estejam preparadas na hora da partida, no sentido de cada um conquistar o maior número de pontos.
Vamos assim, aguardar por esta emocionante corrida na esperança de encontrar um vencedor que mereça tais pergaminhos.

24 março 2011

Da "filosofia" de Sócrates à "astúcia" do Coelho

Depois de várias negociações e acordos no sentido de evitar uma crise política que eventualmente poderia prejudicar o partido do governo e o principal partido da oposição, eis que tudo se alterou com a súbita apresentação do PEC 4, cozinhado e levado ao forno exclusivamente pelo nosso 1º ministro, sem que tenha ouvido quem lhe ajudou a temperar e adornar as anteriores ementas e sem dar cavaco ao Presidente da República.
Coelho, cansado dos temperos cada vez mais intensos usados por Sócrates, decidiu rejeitar a nova ementa, recusando-se voltar a cozinhar.
Abriu-se assim uma nova crise justificada pelo desentendimento entre os 2 principais partidos e a arrogância de um Primeiro-ministro que se esqueceu que já não governa em maioria.
Coelho estará convicto de que a maioria dos eleitores também estarão fartos dos pratos demasiado picantes que nos têm sido servidos pelo actual governo, daí ter achado oportuno tomar esta decisão.
Tudo leva a crer, que durante algum tempo, nos iremos ver privados da verdadeira cozinha portuguesa e teremos de recorrer a chefes internacionais. Não será fácil adaptarmo-nos aos seus cozinhados, pois também costumam usar condimentos bastante fortes.
Neste jogo político, em que nem sempre estão à frente os interesses nacionais, cada um procura justificar-se atribuindo as culpas ao seu adversário a fim de conseguirem obter o melhor resultado eleitoral.
Não pretendendo ignorar as outras candidaturas, que merecem o maior respeito, teremos de escolher entre um candidato inexperiente em termos governamentais e um candidato que não tem cumprido as suas promessas e nos conduziu ao abismo em que nos encontramos.
Nas urnas será feito o juízo final e os portugueses terão a governá-los aqueles em quem depositarem a sua confiança.

23 março 2011

A crise de que ninguém fala

Não há dia em que não ouçamos pronunciar esta palavra. Não é um fenómeno novo para os portugueses, já habituados a conviver com o apertar do cinto, com as guerrilhas partidárias, com eleições antecipadas, etc.
Desta vez, dada à má política do actual governo e à crise internacional, o país encontra-se numa situação extremamente crítica com um endividamento externo galopante, dado aos elevados e crescentes juros sobre a nossa dívida soberana.
A crise económica desponta numa crise política e consequentemente numa crise social. Porém, poucos falam na verdadeira crise que está na base das que acabei de enumerar; a crise de valores e competências.
A nossa classe política está praticamente falida e desacreditada. Os interesses partidários e pessoais são prioritários em relação aos problemas da nação. Os verdadeiros valores humanos deixaram de ser referência para a conduta da maioria dos cidadãos. O nosso complexo de superioridade é cada vez mais notório, continuando o país e os portugueses a viver acima das suas possibilidades. Os mais competentes e mais sensatos, demarcam-se da podridão e dos vícios das clientelas.
Perante este sombrio cenário, é impossível ser optimista e esperar melhoras de um doente à beira do estado de coma e que teima em recusar ajuda de especialistas internacionais. Não se vislumbra um remédio para tantos males, continuando os portugueses à espera de um milagre que nos permita pelo menos, um pouco de esperança e confiança no futuro.

18 março 2011

Dia do Pai

Apesar de passar um pouco despercebido, sendo muito mais realçado o Dia da Mãe, parece-me que devíamos dar um pouco mais de relevo a este dia, também dia de S. José.
Consagrado no passado como dia Santo, hoje é um dia normal no nosso calendário.
Se é verdade que o papel da mãe é mais importante, pois foi ela a nossa primeira morada e quem nos prestou os primeiros cuidados, não podemos desprezar o papel do Pai, sem o qual não teríamos direito à nossa existência.
Homem e mulher, unidos pelo casamento, são ambos responsáveis pela nossa formação e educação. Cada um com as suas características e aptidões.
Se à mãe competem normalmente, dada a sua natureza, os cuidados mais delicados e aquele carinho que só elas sabem dar, ao Pai competem outras funções, não menos importantes, tais como: protecção, ajuda em todas as tarefas relativas ao seu desenvolvimento e integração social, apoio económico, preparar para as dificuldades futuras, etc.
O Pai é o símbolo da firmeza, do respeito e da responsabilidade. Como chefe da família tem a obrigação de dar o exemplo nas mais diversas situações, incutindo nos filhos a importância dos verdadeiros valores humanos.
Infelizmente dada a crise que a família atravessa, nem sempre existe a relação Pai e Filho que seria desejável e que se deve à desunião e desentendimento dos seus progenitores. Todavia, ambos têm as suas obrigações não devendo em nenhum dos casos, fugir delas.
Felizmente posso orgulhar-me pelo meu saudoso Pai, que sempre soube assumir a responsabilidade da minha formação moral. Não tendo oportunidade de levar a obra até ao fim, dada a sua morte prematura, deixou contudo fortes alicerces, indispensáveis para me ajudarem a superar várias contrariedades na vida.
Para ele vai a minha póstuma homenagem e gratidão por tudo o que fez por mim.

08 março 2011

8 de Março, Dia Internacional da Mulher - coincidência ou brincadeira de Carnaval?

Apesar do ano de 2011 nos aparecer de horizontes bastante carregados no aspecto económico,  prevendo-se  dias de austeridade e algumas privações, oferece-nos alguns pormenores interessantes e bastante positivos, embora nada consentâneos com a crise que afecta as nossas carteiras.
Refiro-me à distribuição de alguns feriados que nos permitem usufruir de alguns  fins de semana prolongados e em alguns casos, umas verdadeiras mini-férias.
Por coincidência ou pura ironia, até as mulheres vão poder gozar o seu dia, sem estarem sujeitas aos horários e aos afazeres profissionais dos anos anteriores. Eis que o “santo Entrudo” também quis colaborar dando-lhes tolerância de ponto. Não pretendendo ser muito abrangente e  julgar a parte pelo todo, estou em crer que algumas vão necessitar de muita imaginação para conseguirem fantasiar-se e mascarar-se, pois no seu dia-a-dia já o fazem com bastante rigor e classe. Ou será que nesse dia vão tirar a sua habitual máscara e evidenciar a sua verdadeira elegância e beleza?
Pena é que o ser mais “ perfeito” e belo que Deus pôs à superfície da terra, nem sempre saiba explorar esses dotes e opte por viver o Carnaval ao longo de todo o ano. Para essas, veio mesmo a calhar esta colaboração do “santo Entrudo” ao associar-se ao Dia Internacional da Mulher.
O dia 8 de Março é, sem dúvida, uma data de grande significado para homenagearmos as verdadeiras mulheres que no seu dia-a-dia desempenham tão bem o seu papel de mães, de  esposas como ninguém poderia e saberia desempenhar.  Para além dessas tarefas tão nobres, irradiam um misto de beleza e simpatia, transmitindo um brilho e uma sensualidade que só o sexo feminino sabe oferecer.
Para estas que sabem manter os seus valores e a sua simplicidade e não fazem da sua vida um autêntico carnaval, vai o meu apreço e admiração.    

22 fevereiro 2011

Os cegos e o mercado de trabalho

Sendo a visão considerada o sentido dos sentidos, é normal a nossa sociedade dar à sua perda uma carga bastante negativa, sendo as pessoas cegas vistas como extremamente limitadas no seu dia-a-dia, em especial quando se fala de mercado de trabalho.
Não tem sido fácil alterar esta mentalidade, apesar dos frequentes exemplos evidenciados na comunicação social, que demonstram cada vez mais a quase total autonomia dos invisuais nos nossos dias. Graças às novas tecnologias, os cegos viram os seus horizontes profundamente alargados podendo executar funções que seriam impensáveis há poucos anos.
Apesar de alguns direitos sociais que estes usufruem, muito pouco tem sido feito no sentido de sensibilizar e premiar os nossos empresários na empregabilidade dos deficientes em geral e dos cegos em particular. São bem conhecidas as suas capacidades de concentração e memorização, o que lhes permite em muitos casos, serem mais produtivos do que os normovisuais.
Se é verdade a maioria dos invisuais estarem integrados em organismos públicos, nem sempre o Estado tem cumprido a legislação existente.
Ainda persiste bastante a ideia de que os invisuais apenas podem ser telefonistas, sendo-lhes muitas vezes negada a possibilidade de exercer outras tarefas.
Com a crise laboral que atravessamos e a tendência de extinção da categoria de telefonista, prevêem-se cada vez mais dificuldades de emprego para as pessoas com deficiência visual, pelo que é urgente criar mais incentivos e estágios nas mais diversas áreas, para que eles se sintam realizados e não sejam, mais uma vez, considerados cidadãos de segunda dependentes de pensões de miséria.

28 janeiro 2011

Presidênciais 2011

No auge de um inverno extremamente rigoroso, realizaram-se no passado dia 23 de Janeiro as eleições presidenciais.
Como já seria de esperar, a escolha da maioria dos portugueses recaiu no “Cavaco”. Sem dúvida, aquele que melhor nos pode ajudar a combater o frio intenso que se faz sentir. Com esta opção terá certamente ficado bastante triste o candidato que se intitulava de mais “Alegre”.
Com uma campanha diferente e muito “nobre”, apresentou-se o grande humanista, presidente da AMI, que provou o cansaço dos portugueses pela classe política que temos, conseguindo um resultado histórico para quem pela primeira vez se meteu nestas andanças.
A jogar pela fuga à despromoção, apresentaram-se mais 3 candidatos, um por uma equipa que já nos habituou à sua regularidade, conseguindo normalmente a mesma pontuação e a já esperada permanência entre os grandes.
Mais 2 candidatos desconhecidos da maioria dos portugueses, resolveram entrar também na corrida: um “Defensor” não se sabe bem de quê, ou talvez mais atacante do principal candidato; outro correndo de toca em toca, encenando alguns sketch relativos a vários aspectos críticos da política nacional.
Mais uma vez somos obrigados a dar os pêsames ao “vencedor”, que começa a habituar-nos a várias vitórias, em actos eleitorais: “a abstenção”.
Teremos de reflectir sobre estes resultados que demonstram a falta de credibilidade da classe política, face ao desgoverno e à consequente crise económica do nosso país.
Lamentamos que muitos eleitores tenham sido impedidos de exercer o seu direito de voto, dando ainda mais força ao “partido” vencedor.
Lamento também, que mais uma vez os invisuais não tenham podido votar com total autonomia e liberdade. Todos se deveriam recusar a fazê-lo enquanto não lhes forem dadas as mesmas garantias e direitos dos restantes cidadãos. Trata-se apenas de falta de sensibilidade e de vontade política, pois seria um processo simples e nada dispendioso comparativamente com os 3 milhões de euros pagos aos elementos das mesas de voto. Recordo que muitas vezes fiz parte de mesas de voto, não recebendo qualquer gratificação por esse facto e em períodos em que não vivíamos uma crise económica tão profunda.
Assim vai este país em que os nossos governantes continuam a poupar no farelo e a estragar na farinha.

19 dezembro 2010

Natal 2010

Já muito se disse e escreveu sobre o Natal. Crónicas, canções, mensagens, enfim, tudo que serve para retratar uma quadra única no ano, não só pelo espírito de paz e amor que pretende transmitir, como também pelo movimento, pelo colorido e alegria em que nos envolve.
Tudo o que possa escrever já foi dito de forma mais eloquente por outros. Por isso, este apontamento limita-se apenas a lembrar, mais uma vez, o nascimento de Jesus Cristo que se fez homem para nos salvar.
Escolheu a forma mais simples e humilde para o fazer e toda a sua vida foi um exemplo de amor e paz.
Porém, com o decorrer dos anos, essa mensagem tão sublime que poderia mudar o mundo, tem vindo a diluir-se para se transformar numa festa cada vez mais pagã onde impera o materialismo e um consumismo alucinante. Passou-se a dar mais importância às prendas, às iluminações e aos desfiles de pais Natais nas grandes cidades, esquecendo-se por completo o aniversariante que estamos a festejar e que deveria ser o alvo de todas as atenções.
Embora ainda prevaleça um pouco o espírito de família apesar da grave crise que esta atravessa, esquecemo-nos muitas vezes, que ao nosso lado, alguns não dispõem dos bens essenciais para uma consoada condigna e outros passam esses dias numa total solidão. Por outro lado, alguns vivem esta época Natalícia de uma forma supérflua esbanjando muitas vezes o que a muitos faria falta.
Façamos do Natal uma festa simples de Paz e Amor onde todos se sintam irmãos em Cristo e procuremos pôr em prática essa mensagem ao longo de todo o ano, para que o futuro que nos espera seja mais solidário, mais justo e mais fraterno.