12 abril 2011

Carta aberta ao Engº Sócrates

Como candidato ao próximo acto eleitoral, não podia deixar de lhe dirigir algumas palavras.
Algumas serão de desmotivação, outras de encorajamento consoante os defeitos e qualidades que lhe reconheço.
Apesar das más opções que tem tomado e da consequente condução desastrosa à frente da Nação, admiro a sua coragem de mesmo assim ainda ter forças para se sujeitar a novo sufrágio. É sobejamente reconhecida a sua habilidade em mentir aos portugueses com discursos e entrevistas aparentemente convincentes, mas que normalmente não se aplicam na realidade. Será que os eleitores ainda não se aperceberam disso? Diz o nosso povo: na primeira, quem quer cai; na segunda, cai quem quer e na terceira só cai quem é burro.
Tem acusado a oposição, em particular o PSD por terem provocado esta crise política ao não deixarem passar o PEC4. Não terá sido o Sr. Eng. a provocar essa situação, na medida em que não deu cavaco a ninguém, inclusive ao Sr. Presidente da República, do seu conteúdo?
Apesar de todas as desvantagens que implica uma ajuda externa, não compreendo a sua teimosia em só agora recorrer ao que era inevitável e possivelmente com consequências mais gravosas para o futuro. O seu ministro das finanças dizia há alguns meses que teríamos de recorrer ao FMI caso os juros da dívida soberana ultrapassassem os 7%. A verdade é que estamos quase a atingir os 10% e foi preciso os nossos bancos colocarem-lhe a pistola a trás da orelha para tomar essa decisão.
Tenho bastante dificuldade em saber quando está a falar verdade aos portugueses, mesmo apesar do seu ar de grande seriedade.
Esperemos que o povo português saiba escolher os melhores, ou talvez os menos maus, para que o país possa sair da crise em que se encontra e os nossos filhos não tenham o futuro hipotecado.

Carta aberta a Passos Coelho

Olá Pedro!
Desculpa este à vontade no meu tratamento, mas pensava estar a escrever ao meu filho Pedro que também é Coelho, mas que apenas difere nos “Passos”, que certamente são bastante diferentes. Compreendo a tua vontade de chegares depressa ao Poder e que por isso tenhas aumentado a velocidade, mas desculpa dizer-te, parece-me que o tens feito com uma passada bastante insegura e irregular, por vezes mesmo um pouco sinuosa.
O facto de seres o líder da oposição não significa que dependes apenas de ti, como acontece no futebol, mas terás de fazer uma analogia com o ciclismo, em que o corredor tem de saber gerir as suas forças, para poder atacar nos momentos certos e decisivos.
Estou convicto que como estreante nesta prova, dificilmente vais cortar a meta com êxito dada a experiência de alguns adversários que além de serem concorrentes habituais, dispoem de equipas bastante homogéneas e lutadoras. Sabes que nem sempre podes contar com os teus colegas de equipa que por vezes se distraem e dão uma ajudinha aos adversários. Por isso, penso não teres nada a perder se abrires as “portas” a uma ajuda daqueles que noutras alturas já deram a sua colaboração. Tens de contar com a experiência do outro favorito um excelente trepador e sprinter, que vai aproveitar-se da tua inexperiência para atacar a meta, conseguindo assim a 3ª vitória consecutiva.
Penso que só “S. Pedro” e “S. Paulo” juntos poderão afastar “Satanás” e evitar que este nos dê o último empurrão para o inferno.

Carta aberta ao Dr. Paulo Portas

Na sequência das cartas dirigidas aos 2 candidatos à vitória nas próximas eleições, senti a obrigação de também o fazer em relação a si, não porque tenha algumas hipóteses em vencer esse acto eleitoral, mas porque o seu resultado pode determinar o seu vencedor.
Estou convicto que o seu partido, mais uma vez, vai ter um papel fundamental na formação do novo governo, pois não se vislumbram maiorias absolutas de um só partido, o que vai obrigar o vencedor a proceder a coligações.
Tenho de felicitá-lo e ao CDS por nos últimos tempos terem tido um comportamento e um discurso bastante coerente o que, cada vez é menos frequente na classe política. Certamente que os portugueses vão compensá-lo por isso, pois estão cansados de mentiras e de discursos pouco claros, por vezes, mesmo contraditórios. Penso mesmo, que vai ter uma votação histórica, o que é positivo para a nossa democracia, mas também poderá contribuir para o tri do engenheiro Sócrates, o que não me parece benéfico para o País. A divisão de votos da direita, só irá beneficiar o PS e o seu candidato, que não sendo favorito à partida, poderá assim conquistar nova vitória.
Compreendo que o CDS e o PSD queiram apresentar-se sozinhos nas urnas, cada um com o seu programa, podendo assim testar a sua força junto do eleitorado, mas só uma coligação pré eleitoral, poderia tirar algumas ilusões ao actual primeiro-ministro, que continua a sonhar, que apesar de tudo, ainda poderá continuar a governar o País.

05 abril 2011

Mais uma conquista aos Mouros

Depois de há 71 anos, o Dragão ter conquistado Lisboa aos Mouros na célebre batalha das Amoreiras e após estes a voltarem a recuperar com a criação do reinado da “Luz”, eis que uma nova expedição, desta vez comandada pelo vice-rei Pinto da Costa, consegue reconquistar esta importante praça.
Não foi fácil esta reconquista, pois a esquadra chefiada por Jesus era sem dúvida a mais forte dispondo de artilheiros dos mais variados países. Terminada a batalha com o abandono dos Mouros, tudo se apagou, ao mesmo tempo que se regava o campo de batalha.
O reinado da “Luz” vivia assim o maior apagão de todos os tempos. Lisboa ficava de luto face à brilhante estratégia montada pelo jovem comandante Villas Boas.
Mais uma vez, o Dragão saía vitorioso no confronto com o seu principal rival de Lisboa, voltando a assumir a sua condição normal de campeão.

26 março 2011

Uma página do meu diário

Acabo de virar mais uma página do meu calendário. O mês de Março aproxima-se do fim, proporcionando-nos uns dias em que o sol se despede mais tarde e nos oferece temperaturas mais amenas.
Inicio mais um dia de trabalho nesta rotina que nos vai saturando, dada a repetição de tarefas a que nos obriga o nosso dia-a-dia.
Depois de uma noite dominada por um sono intermitente, graças às minhas crónicas insónias, preparo-me para mais uma etapa desta prova cujo percurso e meta desconhecemos. Por esse facto, não podemos gerir as nossas forças em função dos quilómetros que faltam, mas sim dar o nosso máximo como se a meta estivesse próxima. Para além disso, temos de estar preparados para um percurso, por vezes bastante sinuoso e para a condução extremamente desastrosa de alguns com quem somos obrigados a cruzar.
Após 7 horas de trabalho desgastante e monótono, dada a falta dele, interrompidas por 90 minutos destinados ao abastecimento e pequenos afazeres, dá-se o regresso a casa aliviado da atmosfera poluída provocada pelo ambiente profissional.
Surge então a necessidade de relaxar e atenuar os efeitos nefastos provocados pelo sedentarismo da profissão, recorrendo a uma caminhada, mais ou menos longa consoante a disponibilidade e as condições climatéricas.
Depois de tudo isto, já com o depósito quase na reserva, faço o meu último abastecimento para depois me distrair um pouco junto da televisão e do meu PC.
Está assim completa mais uma etapa desta corrida desenfreada, por vezes sem sentido, que nos obriga a uma condução sensata e extremamente cautelosa, para não sermos vítimas de maiores dissabores.

Eleições à vista

Começou na quarta-feira à noite a campanha eleitoral para as eleições antecipadas, sem que o Presidente da República tenha tomado qualquer decisão. Ninguém quer perder tempo nesta corrida que se espera rápida dado o seu curto percurso.
Assim, estiveram presentes na grelha de partida, as principais marcas, para os treinos iniciais.
Podemos observar Sócrates e Passos Coelho na pole position logo seguidos por Portas, Jerónimo e Louçã.
Apesar da desastrosa participação, na última corrida, Sócrates vai de novo participar esperançado em tirar partido da inexperiência do estreante Passos Coelho. Apesar de dispor de uma máquina menos potente, teremos de contar com a experiência do concorrente habitual, Paulo Portas, que poderá ser uma surpresa. Em relação aos outros dois candidatos presentes, não terão possibilidade de chegar ao pódio dado fazerem parte de equipas mais fracas. Poderão contudo, aproximar-se dos da frente caso aproveitem bem o tempo com curtas paragens nas boxes.
Fazem-se assim, as ultimas afinações para que as máquinas estejam preparadas na hora da partida, no sentido de cada um conquistar o maior número de pontos.
Vamos assim, aguardar por esta emocionante corrida na esperança de encontrar um vencedor que mereça tais pergaminhos.

24 março 2011

Da "filosofia" de Sócrates à "astúcia" do Coelho

Depois de várias negociações e acordos no sentido de evitar uma crise política que eventualmente poderia prejudicar o partido do governo e o principal partido da oposição, eis que tudo se alterou com a súbita apresentação do PEC 4, cozinhado e levado ao forno exclusivamente pelo nosso 1º ministro, sem que tenha ouvido quem lhe ajudou a temperar e adornar as anteriores ementas e sem dar cavaco ao Presidente da República.
Coelho, cansado dos temperos cada vez mais intensos usados por Sócrates, decidiu rejeitar a nova ementa, recusando-se voltar a cozinhar.
Abriu-se assim uma nova crise justificada pelo desentendimento entre os 2 principais partidos e a arrogância de um Primeiro-ministro que se esqueceu que já não governa em maioria.
Coelho estará convicto de que a maioria dos eleitores também estarão fartos dos pratos demasiado picantes que nos têm sido servidos pelo actual governo, daí ter achado oportuno tomar esta decisão.
Tudo leva a crer, que durante algum tempo, nos iremos ver privados da verdadeira cozinha portuguesa e teremos de recorrer a chefes internacionais. Não será fácil adaptarmo-nos aos seus cozinhados, pois também costumam usar condimentos bastante fortes.
Neste jogo político, em que nem sempre estão à frente os interesses nacionais, cada um procura justificar-se atribuindo as culpas ao seu adversário a fim de conseguirem obter o melhor resultado eleitoral.
Não pretendendo ignorar as outras candidaturas, que merecem o maior respeito, teremos de escolher entre um candidato inexperiente em termos governamentais e um candidato que não tem cumprido as suas promessas e nos conduziu ao abismo em que nos encontramos.
Nas urnas será feito o juízo final e os portugueses terão a governá-los aqueles em quem depositarem a sua confiança.

23 março 2011

A crise de que ninguém fala

Não há dia em que não ouçamos pronunciar esta palavra. Não é um fenómeno novo para os portugueses, já habituados a conviver com o apertar do cinto, com as guerrilhas partidárias, com eleições antecipadas, etc.
Desta vez, dada à má política do actual governo e à crise internacional, o país encontra-se numa situação extremamente crítica com um endividamento externo galopante, dado aos elevados e crescentes juros sobre a nossa dívida soberana.
A crise económica desponta numa crise política e consequentemente numa crise social. Porém, poucos falam na verdadeira crise que está na base das que acabei de enumerar; a crise de valores e competências.
A nossa classe política está praticamente falida e desacreditada. Os interesses partidários e pessoais são prioritários em relação aos problemas da nação. Os verdadeiros valores humanos deixaram de ser referência para a conduta da maioria dos cidadãos. O nosso complexo de superioridade é cada vez mais notório, continuando o país e os portugueses a viver acima das suas possibilidades. Os mais competentes e mais sensatos, demarcam-se da podridão e dos vícios das clientelas.
Perante este sombrio cenário, é impossível ser optimista e esperar melhoras de um doente à beira do estado de coma e que teima em recusar ajuda de especialistas internacionais. Não se vislumbra um remédio para tantos males, continuando os portugueses à espera de um milagre que nos permita pelo menos, um pouco de esperança e confiança no futuro.

18 março 2011

Dia do Pai

Apesar de passar um pouco despercebido, sendo muito mais realçado o Dia da Mãe, parece-me que devíamos dar um pouco mais de relevo a este dia, também dia de S. José.
Consagrado no passado como dia Santo, hoje é um dia normal no nosso calendário.
Se é verdade que o papel da mãe é mais importante, pois foi ela a nossa primeira morada e quem nos prestou os primeiros cuidados, não podemos desprezar o papel do Pai, sem o qual não teríamos direito à nossa existência.
Homem e mulher, unidos pelo casamento, são ambos responsáveis pela nossa formação e educação. Cada um com as suas características e aptidões.
Se à mãe competem normalmente, dada a sua natureza, os cuidados mais delicados e aquele carinho que só elas sabem dar, ao Pai competem outras funções, não menos importantes, tais como: protecção, ajuda em todas as tarefas relativas ao seu desenvolvimento e integração social, apoio económico, preparar para as dificuldades futuras, etc.
O Pai é o símbolo da firmeza, do respeito e da responsabilidade. Como chefe da família tem a obrigação de dar o exemplo nas mais diversas situações, incutindo nos filhos a importância dos verdadeiros valores humanos.
Infelizmente dada a crise que a família atravessa, nem sempre existe a relação Pai e Filho que seria desejável e que se deve à desunião e desentendimento dos seus progenitores. Todavia, ambos têm as suas obrigações não devendo em nenhum dos casos, fugir delas.
Felizmente posso orgulhar-me pelo meu saudoso Pai, que sempre soube assumir a responsabilidade da minha formação moral. Não tendo oportunidade de levar a obra até ao fim, dada a sua morte prematura, deixou contudo fortes alicerces, indispensáveis para me ajudarem a superar várias contrariedades na vida.
Para ele vai a minha póstuma homenagem e gratidão por tudo o que fez por mim.

08 março 2011

8 de Março, Dia Internacional da Mulher - coincidência ou brincadeira de Carnaval?

Apesar do ano de 2011 nos aparecer de horizontes bastante carregados no aspecto económico,  prevendo-se  dias de austeridade e algumas privações, oferece-nos alguns pormenores interessantes e bastante positivos, embora nada consentâneos com a crise que afecta as nossas carteiras.
Refiro-me à distribuição de alguns feriados que nos permitem usufruir de alguns  fins de semana prolongados e em alguns casos, umas verdadeiras mini-férias.
Por coincidência ou pura ironia, até as mulheres vão poder gozar o seu dia, sem estarem sujeitas aos horários e aos afazeres profissionais dos anos anteriores. Eis que o “santo Entrudo” também quis colaborar dando-lhes tolerância de ponto. Não pretendendo ser muito abrangente e  julgar a parte pelo todo, estou em crer que algumas vão necessitar de muita imaginação para conseguirem fantasiar-se e mascarar-se, pois no seu dia-a-dia já o fazem com bastante rigor e classe. Ou será que nesse dia vão tirar a sua habitual máscara e evidenciar a sua verdadeira elegância e beleza?
Pena é que o ser mais “ perfeito” e belo que Deus pôs à superfície da terra, nem sempre saiba explorar esses dotes e opte por viver o Carnaval ao longo de todo o ano. Para essas, veio mesmo a calhar esta colaboração do “santo Entrudo” ao associar-se ao Dia Internacional da Mulher.
O dia 8 de Março é, sem dúvida, uma data de grande significado para homenagearmos as verdadeiras mulheres que no seu dia-a-dia desempenham tão bem o seu papel de mães, de  esposas como ninguém poderia e saberia desempenhar.  Para além dessas tarefas tão nobres, irradiam um misto de beleza e simpatia, transmitindo um brilho e uma sensualidade que só o sexo feminino sabe oferecer.
Para estas que sabem manter os seus valores e a sua simplicidade e não fazem da sua vida um autêntico carnaval, vai o meu apreço e admiração.    

22 fevereiro 2011

Os cegos e o mercado de trabalho

Sendo a visão considerada o sentido dos sentidos, é normal a nossa sociedade dar à sua perda uma carga bastante negativa, sendo as pessoas cegas vistas como extremamente limitadas no seu dia-a-dia, em especial quando se fala de mercado de trabalho.
Não tem sido fácil alterar esta mentalidade, apesar dos frequentes exemplos evidenciados na comunicação social, que demonstram cada vez mais a quase total autonomia dos invisuais nos nossos dias. Graças às novas tecnologias, os cegos viram os seus horizontes profundamente alargados podendo executar funções que seriam impensáveis há poucos anos.
Apesar de alguns direitos sociais que estes usufruem, muito pouco tem sido feito no sentido de sensibilizar e premiar os nossos empresários na empregabilidade dos deficientes em geral e dos cegos em particular. São bem conhecidas as suas capacidades de concentração e memorização, o que lhes permite em muitos casos, serem mais produtivos do que os normovisuais.
Se é verdade a maioria dos invisuais estarem integrados em organismos públicos, nem sempre o Estado tem cumprido a legislação existente.
Ainda persiste bastante a ideia de que os invisuais apenas podem ser telefonistas, sendo-lhes muitas vezes negada a possibilidade de exercer outras tarefas.
Com a crise laboral que atravessamos e a tendência de extinção da categoria de telefonista, prevêem-se cada vez mais dificuldades de emprego para as pessoas com deficiência visual, pelo que é urgente criar mais incentivos e estágios nas mais diversas áreas, para que eles se sintam realizados e não sejam, mais uma vez, considerados cidadãos de segunda dependentes de pensões de miséria.

28 janeiro 2011

Presidênciais 2011

No auge de um inverno extremamente rigoroso, realizaram-se no passado dia 23 de Janeiro as eleições presidenciais.
Como já seria de esperar, a escolha da maioria dos portugueses recaiu no “Cavaco”. Sem dúvida, aquele que melhor nos pode ajudar a combater o frio intenso que se faz sentir. Com esta opção terá certamente ficado bastante triste o candidato que se intitulava de mais “Alegre”.
Com uma campanha diferente e muito “nobre”, apresentou-se o grande humanista, presidente da AMI, que provou o cansaço dos portugueses pela classe política que temos, conseguindo um resultado histórico para quem pela primeira vez se meteu nestas andanças.
A jogar pela fuga à despromoção, apresentaram-se mais 3 candidatos, um por uma equipa que já nos habituou à sua regularidade, conseguindo normalmente a mesma pontuação e a já esperada permanência entre os grandes.
Mais 2 candidatos desconhecidos da maioria dos portugueses, resolveram entrar também na corrida: um “Defensor” não se sabe bem de quê, ou talvez mais atacante do principal candidato; outro correndo de toca em toca, encenando alguns sketch relativos a vários aspectos críticos da política nacional.
Mais uma vez somos obrigados a dar os pêsames ao “vencedor”, que começa a habituar-nos a várias vitórias, em actos eleitorais: “a abstenção”.
Teremos de reflectir sobre estes resultados que demonstram a falta de credibilidade da classe política, face ao desgoverno e à consequente crise económica do nosso país.
Lamentamos que muitos eleitores tenham sido impedidos de exercer o seu direito de voto, dando ainda mais força ao “partido” vencedor.
Lamento também, que mais uma vez os invisuais não tenham podido votar com total autonomia e liberdade. Todos se deveriam recusar a fazê-lo enquanto não lhes forem dadas as mesmas garantias e direitos dos restantes cidadãos. Trata-se apenas de falta de sensibilidade e de vontade política, pois seria um processo simples e nada dispendioso comparativamente com os 3 milhões de euros pagos aos elementos das mesas de voto. Recordo que muitas vezes fiz parte de mesas de voto, não recebendo qualquer gratificação por esse facto e em períodos em que não vivíamos uma crise económica tão profunda.
Assim vai este país em que os nossos governantes continuam a poupar no farelo e a estragar na farinha.

19 dezembro 2010

Natal 2010

Já muito se disse e escreveu sobre o Natal. Crónicas, canções, mensagens, enfim, tudo que serve para retratar uma quadra única no ano, não só pelo espírito de paz e amor que pretende transmitir, como também pelo movimento, pelo colorido e alegria em que nos envolve.
Tudo o que possa escrever já foi dito de forma mais eloquente por outros. Por isso, este apontamento limita-se apenas a lembrar, mais uma vez, o nascimento de Jesus Cristo que se fez homem para nos salvar.
Escolheu a forma mais simples e humilde para o fazer e toda a sua vida foi um exemplo de amor e paz.
Porém, com o decorrer dos anos, essa mensagem tão sublime que poderia mudar o mundo, tem vindo a diluir-se para se transformar numa festa cada vez mais pagã onde impera o materialismo e um consumismo alucinante. Passou-se a dar mais importância às prendas, às iluminações e aos desfiles de pais Natais nas grandes cidades, esquecendo-se por completo o aniversariante que estamos a festejar e que deveria ser o alvo de todas as atenções.
Embora ainda prevaleça um pouco o espírito de família apesar da grave crise que esta atravessa, esquecemo-nos muitas vezes, que ao nosso lado, alguns não dispõem dos bens essenciais para uma consoada condigna e outros passam esses dias numa total solidão. Por outro lado, alguns vivem esta época Natalícia de uma forma supérflua esbanjando muitas vezes o que a muitos faria falta.
Façamos do Natal uma festa simples de Paz e Amor onde todos se sintam irmãos em Cristo e procuremos pôr em prática essa mensagem ao longo de todo o ano, para que o futuro que nos espera seja mais solidário, mais justo e mais fraterno.

10 novembro 2010

Dragões asfixiam Águias

Como dragão congénito, não podia deixar passar despercebido um feito pouco vulgar no nosso futebol e penso mesmo, inédito no nosso campeonato nacional. Se é verdade que no futebol tudo é possível, a prová-lo está a recente goleada do F.C. Porto sobre o Benfica. Nada fazia prever uma vitória tão expressiva dos portistas, pese embora o bom momento que atravessam. Foi sem dúvida humilhante de mais para uma equipa que acabou de se sagrar campeã nacional e que se reforçou imenso.
Estão de parabéns os seus directores, comandados pelo carismático Presidente Pinto da Costa, o verdadeiro timoneiro desta embarcação que tantas alegrias tem dado aos seus associados e simpatizantes. Será também o momento para elogiar o seu jovem treinador, sem dúvida um dos responsáveis pelos êxitos já alcançados na presente temporada.
São sem dúvida muitas as estrelas desta constelação que tem iluminado as noites da cidade invicta, mas onde se destaca uma bem mais cintilante que tem conduzido imensas vezes a bola para a baliza adversária. Refiro-me como é evidente a Hulk, o melhor jogador do nosso campeonato e porque não dizê-lo, um dos melhores jogadores da actualidade.
Pena é que o campeonato tenha perdido o seu interesse tão cedo, pois só um verdadeiro terramoto poderá retirar o título aos portuenses.
Parabéns a todos os intervenientes nesta magnífica vitória e oxalá continuem a levar o nome do nosso país além fronteiras e prestigiar ainda mais o futebol português, se possível com a conquista da Liga Europa.

15 outubro 2010

A CEGUEIRA NÃO É UM DRAMA (15 de Outubro, Dia Nacional da Bengala Branca)

Considerado o sentido dos sentidos, a visão permite às pessoas normovisuais terem uma percepção bastante abrangente do meio que nos rodeia. Isto não significa que os restantes sentidos não tenham uma grande importância, apesar de serem desvalorizados pelas pessoas que vêem. Deste modo, quando alguém fica privado de ver, sente-se totalmente desorientado e convicto de que o mundo acabou de desabar em cima de si e que toda a sua vida deixou de ter sentido. Esta ideia errada da realidade, faz com que ainda hoje, muitas pessoas vejam os cegos como pessoas tristes e inúteis à sociedade..
Se é verdade que isto acontecia em tempos remotos, pois não existiam formas de os reabilitar e integrar na sociedade, felizmente, hoje a realidade é totalmente diferente.
Com a invenção da escrita Braille no século XIX abriu-se a primeira porta para a educação das pessoas cegas. Mais tarde, com a produção de livros em Braille e produções em áudio, passou a ser bastante diversificada a oferta de obras de vários autores nacionais e estrangeiros. A criação de centros de reabilitação e mais recentemente o aparecimento das novas tecnologias, vieram permitir uma grande autonomia aos invisuais. Desta forma a perda definitiva da visão, deixou de ter a carga negativa que tinha noutros tempos. Hoje é frequente encontrarmos cegos que se distinguem na música, no desporto, nas artes e nas mais diversas actividades profissionais. É cada vez maior o número de licenciados nas mais variadas áreas, tais como o Direito, a Psicologia, a História, a Filosofia etc.
Hoje, são sem dúvida as barreiras sociais, as principais inimigas dos cegos. É necessário continuar a mudar as mentalidades para que as pessoas não discriminem, nem olhem de uma forma diferente para aqueles que no dia-a-dia lutam por uma plena integração. É preciso que os nossos empresários lhes dêem mais oportunidades e que o próprio Estado dê o exemplo pondo em prática toda a legislação existente.
Neste dia internacional da bengala branca, vamos sensibilizar a sociedade para esta problemática de modo que os cegos cada vez se sintam mais integrados nos mais variados domínios e possam ter cada vez mais, um papel activo na sociedade.

05 outubro 2010

Amigos

São flores perfumadas,
Por nós muito acarinhadas,
A quem damos atenção.
Enriquecem nossas vidas,
Mesmo as menos coloridas,
Dão beleza ao coração.

São faróis iluminados,
Que nos levam bem guiados,
Pelos difíceis caminhos.
São assim a nossa luz,
Que por vezes nos conduz
Fugindo de alguns espinhos.

São a estrela cintilante,
Presente a todo o instante
Para nos orientar.
O seu brilho incandescente,
Faz-nos ter sempre presente,
Que vivemos para amar.

São alegres passarinhos,
Que vivendo nos seus ninhos,
Nos transmitem alegria.
Exemplos de lealdade,
Contagiam felicidade,
Nos seus voos de magia.

São crianças inocentes,
Que nos oferecem presentes,
De forma desinteressada.
São exemplos de ternura,
Que nos oferecem doçura,
De uma forma acarinhada.

26 setembro 2010

Homenagear, porquê?

Tenho vindo a fazer algum esforço para compreender a razão de ser das comemorações do aniversário de Abel Botelho, todos os anos festejado no dia 23 de Setembro.
Embora tratando-se de um ilustre filho da terra, não consta ter sido um benemérito, nem ter contribuído de alguma forma para o seu desenvolvimento. Possuidor de um curriculum que de facto nos orgulha, Abel Botelho já foi sobejamente distinguido pelos seus conterrâneos ao atribuírem o seu nome a uma escola, a uma associação juvenil, a um parque de lazer e mais recentemente a uma artéria desta simpática vila. Além disso, trata-se de uma personalidade desconhecida da maioria dos portugueses, não nos permitindo sequer tirar alguns dividendos do seu nome para a projecção e divulgação de Tabuaço. Por outro lado, a coincidência do seu aniversário com o início do ano lectivo e a época das vindimas, faz com que as mesmas comemorações passem despercebidas à maioria da população.
Julgo ter sido oportuna a homenagem ocorrida no ano transacto, data em que se assinalavam os 150 anos do seu nascimento, mas totalmente despropositada e despesista nos moldes em que tem sido feita.
Parece-me no entanto, digno de realce um aspecto positivo nesta efeméride, que é a atribuição do prémio Abel Botelho, prémio esse que se destina a incentivar e premiar os melhores alunos ao longo do ano lectivo.
Necessitamos urgentemente de promover novos eventos, mas que sirvam para tirar este concelho do anonimato e o projectem numa região com imensas potencialidades turísticas que não podemos desperdiçar.


José Luís Lopes

Nota: Este texto foi escrito em Outubro de 2006 a fim de ser publicado no Jornal Notícias da Beira Douro, do qual fui colaborador durante vários anos.
Graças à mão pesada de censura do seu director Rui de Carvalho, o mesmo nunca foi publicado e muito menos dada uma explicação por esse facto.

Esta atitude inqualificável, levou-me a deixar de colaborar com o mesmo jornal e a criar este espaço totalmente livre de censura.

11 agosto 2010

Chamas que queimam mas não iluminam

Fustigado pela onda de incêndios que tem martirizado o norte e centro do nosso país, o concelho de Tabuaço foi mais uma vez, pela negativa, cartaz na comunicação social. Lamentamos que seja necessários ocorrerem fatalidades para o nome deste concelho ser divulgado. Foram sem dúvida dias de grande preocupação e ansiedade para os Tabuacenses e populações vizinhas. O fogo, não obedecendo à intervenção humana, passeou por grande parte das suas freguesias destruindo a sua paisagem verdejante para dar lugar a uma paisagem de verdadeiro luto. A nossa floresta ficou mais pobre face aos prejuízos causados pelo mesmo.
Há que louvar a pronta e desinteressada intervenção dos nossos bombeiros e a colaboração e solidariedade demonstrada por inúmeras corporações de Bombeiros dos mais variados e distantes pontos do país. Estiveram presentes corporações de Portalegre, Castelo Branco, Santarém, Seia, entre outras.
Esperemos que no futuro Tabuaço possa ser notícia por motivos e ocorrências mais agradáveis. Temos imensas potencialidades a mostrar a quantos visitam este pequeno, mas agradável concelho, embora agora esteja privado da verdura dos seus montes e vales, mas mantendo a deslumbrante paisagem voltada para a região que o caracteriza e que fez deste concelho, Património Mundial da Humanidade.
Ponhamos os olhos num dos nossos concelhos vizinhos que recentemente participou activamente num evento que projectou e divulgou o seu nome pelo nosso país. Estou a referir-me ao início de uma etapa da volta a Portugal em bicicleta na vila de Moimenta da Beira.
Oxalá os nossos autarcas sigam este e outros exemplos dados por outros concelhos, que tal como Tabuaço, sofrem do estigma da interioridade.

22 julho 2010

TABUAÇO - um destino a conhecer

Vítima da interioridade, da desertificação e dos fracos acessos em termos de comunicações viárias, Tabuaço é desconhecido pela maioria dos portugueses. Trata-se de uma pequena vila, sede de concelho, composto por 17 freguesias, fazendo parte dos concelhos durienses a quem foi atribuído o galardão de Património Mundial da Humanidade.
Embora geograficamente pertencente ao Distrito de Viseu, este concelho, localizado na transição das Beiras com o Alto Douro, identifica-se muito mais com esta região.
Dado aos desagradáveis acessos e à sua interioridade, o sector terciário é quase inexistente, obrigando os seus habitantes à emigração e à consequente desertificação.
Situado na encosta da margem esquerda do rio Douro, a sua área fica distribuída quase na sua totalidade, entre os afluentes Tedo e Távora. Devido ao acidentado do terreno, esta vila tem algumas dificuldades de expansão, pois são reduzidos os espaços destinados à construção. Por outro lado, Tabuaço é francamente compensado pela sua beleza natural, dispondo de paisagens maravilhosas que deixam deslumbrados quantos o visitam. Tal como acontece com toda a região do Douro, este concelho dispõe de imensas potencialidades, muitas delas, longe de estarem devidamente exploradas e divulgadas.
Tendo como principais riquezas o vinho e o azeite, primando qualquer um deles pela melhor qualidade, o concelho é rico também na produção de batata, castanha, cereja a e alguns cereais.
Para além da beleza paisagística, sem dúvida o principal cartão-de-visita de Tabuaço, muitos são os motivos de interesse para um passeio extremamente agradável a este concelho. Para os apaixonados pela arte e coisas antigas, destacamos o histórico convento de S. Pedro das Águias, a Igreja românica de Barcos, monumentos nacionais, a igreja de Longa com os seus magníficos quadros pintados a óleo no seu tecto, os Santuários de N.ª S.ª do Sabroso e de N.ª S.ª da Saúde, a igreja matriz desta vila com a sua rica talha dourada e inúmeras capelas. Destacamos também a freguesia da Granja do Tedo atravessada pelo rio do mesmo nome através de uma ponte romana. Aqui, terá alguns motivos de interesse ligados ao artesanato e poderá descansar e refrescar-se na sua calma e repousante praia fluvial. Perto da freguesia de Longa, poderá ver alguns vestígios de uma citânia e muralhas fortificadas que serviam de protecção aos nossos antepassados. Existe nesta zona um menir, o segundo maior da Península Ibérica. Ao contrário do que acontece hoje na maioria das localidades, não faltam neste concelho, espaços verdes propícios muitos deles a grandes piqueniques e a bons convívios. Na vila, destacam-se o sempre refrescante parque Abel Botelho, bem como os sempre bem cuidados jardins Conde Ferreira e toda a zona envolvente do recém-criado Museu do Imaginário do Duriense, onde podemos deliciarmo-nos com a simples mas simpática fonte luminosa.
No Posto de turismo da vila de Tabuaço, encontra-se uma peça de valor incalculável, mas que infelizmente não pode demonstrar toda a sua valia. Trata-se do Rijomax, um relógio único no mundo que dispõe de imensas funcionalidades, feito por um relojoeiro da terra ao longo de mais de duas décadas. Pena é, que dado o falecimento do seu construtor, ninguém tivesse aprendido a trabalhar com o mesmo, não sendo possível mostrar aos seus visitantes todo o seu potencial. Da sua gastronomia, destacam-se cabrito assado no forno, os folares tradicionais, principalmente na época da Páscoa, o famoso Bolo Rei, entre outras iguarias.
Neste concelho, existem algumas quintas durienses, algumas delas funcionando como casas de turismo rural e onde poderá saborear o famoso vinho generoso, ou seja o genuíno vinho do Porto. Poderão ser motivos de interesse o seu centro histórico, as suas piscinas municipais, bem como outras infra-estruturas que servem os seus habitantes.
Penso ter retratado um pouco deste airoso concelho, deixando a todos que o queiram visitar, bastantes motivos de interesse. Peço desculpa aos naturais desta região, algo de relevante que tenha omitido. Se tal aconteceu, agradeço que o mencionem nos vossos comentários, a fim de que este concelho não seja prejudicado na sua imagem.

13 junho 2010

Que nos valham os Santos Populares

“Crise” tem sido uma das palavras mais pronunciadas nos últimos meses. Não podemos dizer que é um fenómeno apenas dominante dos nossos dias, pois tem-nos acompanhado de uma forma ou outra, ao longo dos tempos.
Apesar de não se circunscrever apenas a este pequeno rectângulo mais setentrional da Europa, não há dúvida que os portugueses sempre se habituaram a viver acima das suas possibilidades. Temos um certo complexo de superioridade, querendo mostrar aquilo que na realidade não somos. É evidente que, quando assim acontece, as crises são inevitáveis
Temos feito demasiadas asneiras procurando dar a ideia que nos encontramos no pelotão da frente, mas infelizmente isso apenas acontece nas coisas negativas. Economicamente, estamos quase a ser absorvidos pelo carro vassoura. As autarquias, os clubes de futebol, um incalculável e crescente número de famílias e de uma forma mais alarmante o próprio Estado, são exemplo do desgoverno alucinante do nosso País
Desta vez, estamos a pagar o acumular de erros políticos que tiveram o seu apogeu no ano transacto com a realização de 3 actos eleitorais e as habituais políticas populistas.
Feliz, ou infelizmente, a crise não é para todos, ou pelo menos nem todos contribuem para a superar. São normalmente os mais desfavorecidos que nada têm a ver com as suas causas e os funcionários públicos os mais afectados.
Vivemos uma das mais graves crises económicas, mas também a maior crise de governação.
Os portugueses têm razões para andar deprimidos e preocupados com o futuro.
Precisamos de um acontecimento que nos levante a auto estima e de um milagre que salve a nossa economia.
Resta-nos a esperança de uma boa campanha da nossa selecção no mundial que se avizinha e a colaboração dos Santos Populares.