09 maio 2014

Jovens de hoje, os homens de amanhã

Sendo a educação um dos principais pilares de uma sociedade, compete aos pais o início de uma formação que prepare a criança e/ou o jovem, essencialmente para as dificuldades que a vida nos oferece. Este projeto, não poderá ser apenas da responsabilidade dos seus progenitores, mas também da escola e de toda a comunidade em que os mesmos estão inseridos.
Se é verdade que vivemos uma profunda crise de valores com grandes transformações na família tradicional e numa sociedade mais materialista e individualista, onde o homem é aliciado pelo dinheiro e pelo poder, não podemos baixar os braços e deixar os nossos jovens resvalar pelos perigos de uma civilização que nos oferece as duas faces.
Atrás do progresso científico e tecnológico, que nos permitem viver numa aldeia global, onde temos tudo ao alcance de um simples clique, somos também arrastados pela enxurrada de perigos que a mesma globalização nos transmite.
Por isso, não nos devemos poupar a esforços, no sentido de os alertar para uma maior responsabilidade dos seus deveres e preveni-los das dificuldades que vão encontrar na idade adulta. Deles depende o futuro da Nação e das próximas gerações.
A melhor educação, é o exemplo e não as palavras, muitas vezes em total contradição com as atitudes.
Todos temos responsabilidades na educação dos nossos jovens, embora pertença aos pais a principal missão, na medida em que foram quem lhes deu o dom da vida e quem os acompanhou de perto nos primeiros anos da sua existência.
É sem dúvida preocupante a falta de emprego para aqueles que pretendem iniciar a sua vida profissional após vários anos de formação nas nossas universidades e mais ainda quando têm de abandonar o nosso país para conseguirem sobreviver e realizarem-se nas atividades que escolheram. Deste modo o país fica mais pobre e mais envelhecido, na medida em que está a exportar gratuitamente recursos humanos em que investiu e que lhe vão fazer falta no amanhã.

Será por isso necessário que os nossos governantes olhem para eles como uma mais valia, criando condições para que não necessitem de abandonar as suas terras e possam contribuir com a sua imaginação e energia, para um Portugal mais moderno e mais inclusivo.     

01 maio 2014

Quem não tem mãe, não tem nada!

Construí o meu castelo
Escavado numa rocha,
Que também serviu de tocha,
E que fez dele o mais belo.

Sempre bem iluminado
Por uma luz muito intensa,
Numa felicidade imensa,
Por muitos apreciado.

Resultado da erosão,
Essa rocha foi cedendo,
Vindo assim estremecendo,
A minha grande mansão.

Sua luz foi fraquejando,
Até mesmo se apagar,
E o castelo arruinar,
Tudo se transformando.

Procurei reconstruir
A mais bela fortaleza,
Mas com a firme certeza,
Que não ia conseguir

Faltava o mais importante,
Aquela pedra angular,
Que iria suportar,
Uma vida extenuante.

Faltava o amor de mãe,
Mais fiel e verdadeiro,
Que existe no mundo inteiro,
Para aquele que ainda a tem.

Fiquei assim amputado,
Da maior felicidade,
que me envolveu em saudade,
 Ficando mais desprezado.

Entre os amores o mais nobre,
E também o mais sagrado,
Pronto a ser imolado,
Pelo mais rico ou mais pobre.

Jamais terei a riqueza,
De ter uma mãe presente,
Que afaste da minha mente,
Esta enorme tristeza.

Se às vezes te fiz sofrer,
Quero pedir-te perdão,
Vives no meu coração,

Até um dia morrer.

28 abril 2014

Que Portugal teremos no século XXII?

Não pretendendo ser demasiado pessimista, vejo com alguma preocupação o futuro do nosso país nos mais variados domínios.
No aspeto demográfico temos vindo a assistir não só a um decréscimo de população como também à emigração maciça de jovens qualificados e a uma acentuada baixa da taxa de natalidade, o que nos coloca no topo dos países mais envelhecidos da Europa. Esta realidade com tendência a ser agravada nos próximos tempos irá ter graves reflexos numa economia, já por si demasiado fragilizada, onde assistimos anualmente a um fosso cada vez maior entre pobres e ricos, agravando assim as desigualdades sociais.
Em matéria de educação, sem dúvida um dos principais pilares de uma sociedade, temos vindo a assistir a uma crescente irresponsabilidade dos pais, a um aumento da violência e casos problemáticos nas escolas, face à falta de autoridade das mesmas, nomeadamente dos professores e pessoal auxiliar.
A classe política, totalmente desacreditada, põe em causa o regime democrático, a justiça e a própria saúde dos portugueses, mais distantes dos serviços sociais e dos cuidados médicos.
As medidas incrementadas pelos anteriores executivos, levam a uma progressiva desertificação do interior habitado quase exclusivamente por idosos, cada vez mais abandonados e desprezados.
As alterações climáticas e o aumento do nível das águas dos oceanos, vão  afetar inevitavelmente os mais de 800 Km de costa encurtando a já reduzida área do território nacional.
Face a tudo isto, que país e habitantes nos restam para ocupar este retângulo de terra queimada, isto para não falarmos da maior probabilidade de sermos atingidos por catástrofes naturais, tais como terramotos furacões e outras intempéries.
 Que medidas tomaram os nossos governantes nos últimos 40 anos, para combater este estado de coisas?
Temos assistido simplesmente a uma guerrilha pelo poder em que são postos em primeiro lugar os interesses pessoais e partidários em desfavor dos interesses da Nação, comprometendo seriamente o futuro das próximas gerações.
Depois dos nossos antepassados terem conquistado um verdadeiro império, assistimos agora ao desfalecimento do nosso território que tanto custou conquistar aos mouros e mais tarde, reconquistar aos nossos vizinhos espanhóis.
Quem sabe, se não teria sido preferível não haver a revolução de 1640, e talvez hoje a Península Ibérica pudesse ser uma grande potência europeia!...

14 abril 2014

Um pequeno desabafo

Que vida é esta,
Que ainda me resta,
Para viver neste mundo!
Mais uns anos a penar,
Até depois descansar,
Num lindo sono profundo.

Uma vida sem sentido,
Num dia a dia sofrido,
No meio da solidão.
Um nevoeiro constante,
Sem nada de apaixonante,
Que me encha o coração.

Sem família e sem amigos,
Que me desviem dos perigos,
E me façam companhia,
Levarei a minha cruz,
Sem uma réstia de luz,
Quer de noite, quer de dia.

Resta apenas a esperança,
De alcançar a bonança,
Ao chegar à eternidade.
Será tudo bem diferente,
Pois terei sempre presente,

A plena felicidade.

09 abril 2014

Um cravo a murchar

A celebrarmos em breve 4 décadas da denominada “revolução dos cravos”, em que nasceu a esperança de vivermos em democracia, afastando assim a ditadura fascista que tantas vidas nos ceifou na guerra colonial e a tantos maus tratos sacrificou aqueles que discordavam do regime, sentimo-nos severamente frustrados e desiludidos pela forma como foi feito este   trajeto e a situação calamitosa a que nos conduziu.
Vários governos se sucederam, nenhum isento de culpas e com as oposições empenhadas em destruir na luta permanente pelo poder.
 Esbanjaram-se apoios e subsídios para modernizar a nossa agricultura e a nossa indústria.
Desperdiçaram-se recursos e apostou-se em projetos megalómanos, alguns que felizmente não passaram do papel, mas que se traduziram num prejuízo de centenas de milhões de euros.
A Nação passou a viver acima das suas possibilidades, desde o cidadão comum até ao próprio Estado.
Aderimos à moeda única, o que nos deixou dependente financeiramente do BCE impedidos assim de recorrer à desvalorização da nossa moeda.
Aumentou-se o fosso entre pobres e ricos, enquanto se foi destruindo a classe média.
Os políticos aumentaram o seu descrédito face ao aumento da corrupção e às promessas não cumpridas pelos seus líderes, refletindo-se no aumento da abstenção, sem dúvida a grande vencedora dos últimos atos eleitorais.
Vivemos assim, uma democracia imatura apesar dos seus quarenta anos de existência, bem como uma situação económica financeira de que não há memória.
Face a tudo isto, que festejar no seu aniversário quando os portugueses já nem sequer têm folgo para soprar às velas e nem sequer vai haver bolo para repartir uma migalha por cada um?
Não sendo saudosista, nem adepto do anterior regime, penso pouco ou nada existir relativamente ao espírito de abril, pelo que talvez seja de refletir sobre a permanência do feriado do próximo dia 25.

Resta um ramo de cravos murchos que traduzem o sentimento atual de um povo que deu novos mundos ao mundo, que venceu Aljubarrota e que implantou a democracia, mas que não soube cuidar dela.         

18 março 2014

Saudoso Pai!

Apesar de decorridas mais de 4 décadas do teu inesperado e súbito desaparecimento, recordo-te com saudade, grato pelos sólidos alicerces que me deixaste. Não te sendo possível terminar a obra que idealizaste e para a qual te preparaste antecipadamente, sendo um verdadeiro pedagogo, deixaste um forte edifício em que apenas tive necessidade de reforçar a cobertura, dadas as fortes intempéries que surgiram ao longo da minha vida.
Hoje orgulho-me do meu passado e do meu presente, graças aos grandes valores humanos que mantenho inalteráveis, mesmo apesar das violentas tempestades ocorridas na nossa sociedade.
Devo-te assim, o meu caráter e personalidade, aliás, muito semelhante ao que foi o teu passado. Eras sensível perante os mais débeis e necessitados e um lutador contra as injustiças. De personalidade forte, antes quebrar que torcer, foste sempre fiel às tuas convicções e valores.
Abandonaste-me involuntariamente, quando era adolescente e mais precisava de ti. Tudo teria sido diferente se permanecesses junto de mim quando precisei de construir o meu futuro. Porém, ficou a semente que viria a germinar e a dar flor e frutos.
Agradeço-te, neste dia a ti dedicado, quanto te devo pelo que sou e pelas batalhas que certamente me ajudaste a vencer.
Obrigado meu Pai!...                   

08 março 2014

Mulher

Que beleza, que paisagem,
As Portas do paraíso,
Por vezes mera miragem,
Apesar do seu sorriso.

Sol do carinho e ternura,
Apaixona corações,
Com a sua formosura,
 Lua de várias paixões.

Instável no seu pensar,
Também na forma de agir,
Tanto está a soluçar,
Como desata a sorrir.

Tem um dote relevante,
Que lhe dá felicidade,
Desde que tenha um amante,
Goza da maternidade.

Sensível nas emoções,
Complexa no seu trato,
Sem ter livro de instruções,
Tudo será mais ingrato.

Instável, mas sensual,
É a melhor companhia,
Para o homem, o ideal,
Quando existe harmonia.

A todas o meu carinho,
A uma, em especial,
Caso siga o meu caminho,
Juntos no mesmo ideal.

04 março 2014

Governo patrocina Carnaval na Função Pública

Mais uma vez, o Governo decidiu não dar tolerância de ponto no dia de Carnaval, talvez porque vivemos esse dia durante todo o ano. No entanto, tem vindo a patrocinar o dia de entrudo no que diz respeito aos servidores do Estado.
Depois da autêntica palhaçada com a obrigatoriedade das 40 Horas semanais, postas em prática apenas por alguns, surge mais uma vez o escândalo do poder local se sobrepor ao poder central, desautorizando a decisão do governo. Assim, apenas 13 autarquias decidiram abrir as portas aos seus munícipes, não dando tolerância aos seus funcionários.
Por outro lado, outros serviços, quer públicos quer privados decidiram também dar descanso ao seu pessoal, tais como CTT, CGD e restantes instituições bancárias, entre outros.
Desta forma, assistimos mais uma vez ao país dividido ao meio, com alguns funcionários a trabalhar e outros a gozar um dia de descanso ou de folia.
Confesso que não sei quem manda neste país, e quando tanto se fala de equidade, sejamos confrontados com estas diferenças de tratamento.
Passos Coelho e a sua equipa perderam uma boa oportunidade de dar um rebuçado aos portugueses, cada vez com mais asia permitindo que o fizessem os presidentes da maioria das autarquias, ao mesmo tempo que lhes deu a possibilidade de o desautorizarem. Assim, o país ficou praticamente parado com apenas alguns enteados a terem de comparecer no local de trabalho, na maioria dos casos, para darem mais despesa ao erário público.
Se o poder local tem autonomia para tomar estas decisões, seria bom que também o tivesse em relação aos encerramentos dos tribunais e demais repartições do Estado.
Caminhamos a passos largos para uma anarquia em que todos mandam e ninguém manda.
Assim vai uma “democracia “que apesar de já ter atingido há muito a maior idade, continua a ter comportamentos verdadeiramente infantis.         

23 fevereiro 2014

Os preciosismos ridículos do futebol português

Se o futebol não tivesse mais nenhuma virtude, bastaria a sua pontualidade para o colocar no topo de todos os espetáculos levados ao público. Antes das transmissões televisivas, todos os jogos da jornada se realizavam ao domingo à tarde, imperiosamente à mesma hora. Hoje a realidade é bem diferente, com jogos com os mais variados horários e por vários dias da semana. Contudo, à hora marcada, lá estão os protagonistas para dar início ao desafio.
Vem a propósito a recente polémica na taça da liga, em virtude de um dos jogos ter começado com cerca de 3 minutos de atraso. Nada teria acontecido caso uma das equipas em questão, não tivesse virado o resultado a seu favor nos últimos minutos com uma grande penalidade, que segundo a crítica, nem sequer foi polémica. Se a pontualidade é uma virtude, estes preciosismos são simplesmente ridículos. É verdade que os desafios podem e devem começar à mesma hora, já não é possível fazer com que terminem simultaneamente, pois um deles poderá ter necessidade de um maior período de descontos e alguma das equipas poder alterar o resultado nesses minutos além dos noventa.
Hoje, com todas as tecnologias ao nosso alcance, seria possível o árbitro do outro jogo, retardar um pouco o seu início e até os jogadores do Sporting fazerem algum antijogo de forma ao encontro com o Penafiel terminar ligeiramente mais tarde. Porém, ninguém pôs em causa o ligeiro atraso no início do Porto Marítimo, nem o Sporting provocou paragens no jogo que obrigassem o árbitro a prolongar um pouco mais o desafio.
Deste modo são totalmente descabidos os protestos da equipa de Alvalade e mais ainda a decisão da liga ao anular a vitória dos dragões e o seu afastamento das meias finais da respetiva competição.
Na época passada, os portistas conquistaram o título com um golo 2 minutos após os noventa regulamentares que ninguém contestou pois os jogos só terminam após o apito final.
Felizmente, o conselho de justiça da federação, teve bom senso ao retificar a decisão, no mínimo absurda do órgão da liga evitando vitórias na secretaria e o arrastar de casos injustificáveis no nosso futebol.

08 janeiro 2014

Rei Eusébio

Novo ano começou,
O país ficou mais pobre,
Pois um símbolo muito nobre,
Nestes dias nos deixou.

Foi o nosso embaixador,
Que levou longe a nação,
Saudosa recordação,
Como grande jogador.

Ninguém se vai esquecer,
Dos momentos de glória,
Que ficarão na memória,
Dos que o viram vencer.

De talento desmedido,
Um exemplo de humildade,
Mesmo na eternidade,
Nunca será esquecido.

Foi entre os reis, o maior,
Foi o nosso “Baltazar”,
Bem superior ao “Gaspar”,
E até ao “Melchior”.

Quis a sina do destino,
Em vésperas de réis, morrer,
Depois de nos oferecer,
Um glorioso hino.

Teve a homenagem merecida,
Dos mais diversos quadrantes,
Das figuras mais sonantes,
À gente desconhecida.

Deixas em todos saudade,
Pelo exemplo de vida,
Nesta tua despedida,

Rumo à eternidade.

19 dezembro 2013

Mensagem de Natal

Vivemos mais uma quadra natalícia, sem dúvida, de grande significado para todos os cristãos.
Há mais de 2000 anos, Cristo nascia numa simples manjedoura para nos trazer a mensagem divina e vir a ser crucificado, dando a sua vida pela humanidade. Através deste gesto, deu-nos um exemplo de humildade, simplicidade e amor, quando o podia fazer em condições bastante favoráveis e exuberantes. Durante os 3 anos da sua vida pública ocupou-se exclusivamente a transmitir amor a quantos o rodeavam nas mais diversas formas, consoante as situações e os intervenientes com quem se cruzava. Foi assim nas bodas de Caná, no encontro com Zaqueu, com a samaritana, com Maria Madalena e na hora da agonia com o bom ladrão, entre outros. Manifestou o seu perdão perante os que ofendiam ou simplesmente o negavam, como aconteceu com Pedro, a quem confiou a chefia da sua Igreja.
 Porém, ao longo dos séculos, os homens têm vindo a criar normas e regras de acordo com as suas conveniências e interesses, adulterando e complicando a verdadeira mensagem de Cristo. Criaram-se mandamentos, sacramentos, pecados mortais, o céu e o inferno, condenou-se a atividade sexual com exceção apenas na procriação, enfim, quando Cristo apenas nos deixou o mandamento do Amor.
 “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei“.
Tudo seria bem diferente, se no nosso dia a dia tivéssemos presente o exemplo de Amor que Ele nos deixou, junto do nosso semelhante, na família, no trabalho, com o nosso vizinho e essencialmente com os mais desfavorecidos.
Infelizmente, o Natal já pouco mais representa do que uma promoção ao consumo e ao material, onde se vem perdendo o espírito de família, restando isoladas manifestações de solidariedade.
Façamos deste Natal, em que tantos lutam pela sobrevivência, uma festa mais solidária, ajudando aqueles que conhecemos e que não têm condições para ter uma noite de consoada condigna.
Termino com uma quadra, já com algumas décadas,, mas que reflete a verdadeira mensagem de Cristo.
 

“Ama se queres ser feliz,
Ama e tudo mudará,
Ama e assim encontrarás,

A alegria e a paz”.

10 dezembro 2013

O Natal da minha infância

Quando chegava o Natal,
Era eu bem pequenino,
Uma prenda especial,
Surgia no sapatinho.

Antes de amanhecer,
Lá ia pé ante pé,
Ver o que ia receber,
Bem juntinho à chaminé.

Pai Natal tinha chegado,
Após levantada a mesa,
Depois de me ter deitado,
Para chegar de surpresa.

 Bacalhau impunha a lei,
As filhós e as rabanadas,
Não faltando o bolo-rei,
Com suas frutas e favas.

A ceia mais imponente,
Que havia durante o ano,
Com a família presente,
Num convívio abençoado.

Com as coisas bem mudadas,
Tudo está muito diferente,
São famílias destroçadas,
Onde alguém está ausente.

Já em vias de reforma,
Pai Natal, já mal se vê,
Tudo é feito de outra forma,
Quase ninguém, já nele crê.

Era a festa da família,
Onde existia união,
Mas num mundo de quezília,
Perde-se a tradição.

Poucos ligam ao Divino,
Apenas ao material,
Se não fosse o Deus menino,

Não haveria Natal.

13 outubro 2013

Tabuaço e o futuro

Depois de quatro anos em que se procurou mostrar trabalho com a inauguração de obras de fachada, de construção duvidosa e que se deixaram encerradas outras concluídas pelo anterior executivo, surge uma nova era e uma nova esperança num concelho mais próspero e mais inclusivo.
A desertificação e o envelhecimento da população são consequências naturais do agravamento das condições de vida dos habitantes deste pequeno município, em que os mais jovens são obrigados a procurar outras paragens na busca de uma vida mais condigna.
Encravado numa encosta na margem esquerda do Douro, Tabuaço não é nada favorecido pela sua situação e pelas suas vias de comunicação, dado o declive em que se encontra. Porém, a sua integração na região demarcada do Douro e mais recentemente galardoado pela Unesco, com a honrosa distinção de património mundial da humanidade, dão-lhe um privilégio que não tem sido devidamente aproveitado e explorado.
Sem condições para a instalação de grandes indústrias que possam dar emprego aos seus habitantes, esta terra vive essencialmente da agricultura, onde predomina produção do vinho e do azeite, setor insuficiente para absorver toda a mão de obra existente.
 Com o Douro a seus pés, integrado numa região de paisagens únicas e onde se produz um dos melhores vinhos do mundo, Tabuaço dispõe de potencialidades turísticas que não têm sido aproveitadas e que poderão salvar um concelho cada vez mais desertificado e empobrecido.
Com características beirãs e durienses oferece-nos paisagens bem diferenciadas dado se localizar numa zona de transição entre as duas regiões.
Os seus recursos naturais, a sua gastronomia e a sua arte, expressa essencialmente nas suas igrejas e capelas e alguns solares brasonados, oferecem a quem a visita motivos de sobra para uma estadia ou um simples passeio extremamente agradáveis.
Há certamente muito a fazer para chamar até nós um mais elevado número de turistas. Será fundamental criar grandes eventos que divulguem o nome e as potencialidades deste concelho, desconhecido pela maioria dos portugueses, apenas divulgado em situações de infortúnio ou de acontecimentos que nada contribuem para a sua promoção.

Resta-nos a esperança de que o novo executivo tenha como uma das suas prioridades o turismo, único setor que poderá desenvolver e evitar a extinção futura deste município.

Utopia na equidade entre público e privado

Num país onde não para de aumentar o fosso entre pobres e ricos com ataques sucessivos à classe média, estando esta em vias de extinção, tem vindo o governo a insistir numa maior equidade entre o setor público e o setor privado. Deste modo, têm vindo a ser retiradas algumas regalias e feitos sucessivos cortes nos vencimentos aos servidores do Estado.
Esquece-se o governo de quem é habitualmente sacrificado em épocas de crise financeira com progressões e vencimentos congelados há vários anos, o que não acontece em grande parte no setor privado onde chegam a existir prémios de produtividade.
Recentemente foi promulgado o alargamento do horário de trabalho para as 40 horas para a função pública, medida que se vai traduzir apenas numa maior despesa para o erário público, enquanto muitas empresas privadas continuam a manter as 35 horas semanais.
Será deste modo que o governo quer motivar os seus funcionários reformando e modernizando a administração pública?
Que estímulo terão trabalhadores a ter mais horas de serviço e simultaneamente reduções no vencimento?
Que estímulo terão alguns servidores do Estado com cerca de 20 anos de serviço e a receberem pouco mais do que o salário mínimo?
Parece-me desastrosa a reforma que o governo está a fazer neste setor, onde nada vai melhorar face à pura perseguição àqueles que desempenham funções nos serviços do Estado.

Onde está afinal a equidade de que tanto se fala?

02 outubro 2013

Rescaldo Autárquico

Realizaram-se no passado dia 29 de Setembro mais umas eleições autárquicas. Como sempre, todos os partidos fizeram a sua análise aos resultados que cada força política conseguiu obter. Parece-me que essa análise deveria ser mais profunda, sendo dada prioridade ao resultado da abstenção e aos votos nulos e brancos, sem dúvida os grandes vencedores deste e dos últimos atos eleitorais. Esta realidade é por demais evidente do descontentamento dos portugueses com os partidos e em especial com a classe política. A nossa democracia dá sinais de doença grave, que a não ser tratada, poderá levá-la ao seu desfalecimento após um difícil parto há cerca de 40 anos.
Como podemos observar durante a campanha, os nossos políticos adulteraram estas eleições transformando-as numa 1ª volta das legislativas. Nos grandes centros, sem dúvida onde se decide a composição do parlamento e do governo, os líderes  partidários limitaram-se apenas a defender ou a criticar a política da atual equipa governamental, em vez de realçarem as virtudes dos seus candidatos e respetivos programas.  Muitos eleitores não votaram nos candidatos mais credíveis, mas sim nos partidos da oposição no sentido de demonstrarem o seu descontentamento em relação à austeridade imposta pela  equipa governativa.
Nos concelhos de menor dimensão, os cidadãos cingiram-se na sua maioria, às pessoas que se propuseram representá-los. Porém, nem sempre em plena liberdade, sendo em muitos casos ameaçados ou enganados com falsas promessas, pelos candidatos que se recandidatavam. Perante tudo isto, os resultados obtidos, nem sempre espelham o voto no candidato mais capaz, mas sim um cartão amarelo ao principal partido do governo.
Felizmente, não foi o caso verificado no meu concelho, onde a coligação governamental retirou a autarquia ao maior partido da oposição, o que é extremamente significativo.
Assim, sem surpresas, o PSD foi o grande derrotado em desfavor do partido socialista e da CDU, não só pelo descontentamento dos eleitores em relação ao sufocante apertar do cinto por parte do  governo, como pela má escolha de alguns candidatos que em algumas Câmaras tiveram outros sociais democratas como seus adversários.
É urgente os nossos políticos alterarem a forma de fazer política, apreendendo a distinguir e a respeitar o objetivo de cada eleição e a saberem fazer uma crítica construtiva, apresentando sempre alternativas e terem a humildade de aplaudir as medidas acertadas dos seus opositores. Só assim poderão readquirir alguma credibilidade e salvar a nossa democracia. 

26 setembro 2013

Um "ídolo" desconhecido

Mais uma vez assistimos à homenagem de um “ídolo” desconhecido, natural da humilde vila de Tabuaço, onde viveu apenas durante a sua infância, fixando-se depois na capital, onde fez os seus estudos, vindo a viver os últimos anos da sua vida na Argentina, onde veio a falecer em 1917.
Distinguiu-se na literatura com a publicação de algumas obras, seguiu a carreira militar, terminando a sua vida como embaixador em Buenos Aires.
Homenageado pelos tabuacenses com o seu nome no agrupamento de escolas, um parque, uma rua, uma associação juvenil e mais recentemente um museu, Abel Botelho já teria sobejos motivos de orgulho perante uma terra que apenas o viu nascer. Porém, os autarcas desta localidade, entenderam há uns anos a esta parte que ainda estavam em dívida com o seu desconhecido conterrâneo, decidindo então prestar uma homenagem todos os anos no dia 23 de Setembro, dia do seu aniversário.
Assim, após a sessão solene de abertura normalmente com a execução do hino nacional pela banda do concelho e da entrega do prémio Abel Botelho, que distingue os melhores alunos dos vários ciclos de ensino, segue-se a parte recreativo cultural com um vasto programa, mesmo com enorme endividamento da autarquia.
Este ano, surpreendeu-me a vinda de uma banda filarmónica de Anadia quando habitualmente atua a banda de Sendim pertencente a este concelho. Surpreendeu-me também a escolha da orquestra sinfónica do Porto para atuar no recreio da escola sem quaisquer condições para o fazer, face ao excessivo barulho na área envolvente por parte dos alunos, totalmente alheios a este evento.
Que dividendos tirará Tabuaço desta festa que nem sequer tem a participação da sua população e que apenas se traduz em menos um dia de aulas para os alunos e de mais um encargo financeiro para a autarquia?

Não haverá neste concelho personalidades que mais contribuíram para o progresso e projeção desta terra?

24 agosto 2013

A "profissão" de ser cego!

Não sendo considerada, como é óbvio, uma profissão, a cegueira, para quem a quer viver plenamente integrado socialmente, constitui um dos mais difíceis ofícios dada a complexidade de que se reveste. Não sendo remunerada, pelo menos de uma forma sustentável, exige a acumulação com uma atividade que permita ao cidadão uma vida digna, com acesso pelo menos às necessidades básicas do ser humano.
Dotada de algumas limitações, maiores ou menores consoante a reabilitação e/ou a aprendizagem que usufruiu, a pessoas cega parte para este desafio numa posição altamente desvantajosa em relação aos restantes candidatos. Obrigado a superar-se a si próprio, nas mais variadas valências, raramente é reconhecido pelas suas capacidades, sendo normalmente visto como incapaz de desempenhar cabalmente a sua profissão, não lhes sendo dadas muitas vezes, oportunidades de as demonstrar. As suas dificuldades começam logo ao acordar, impossibilitado de ao abrir a janela do seu quarto poder contemplar as maravilhas do romper da aurora com o esplendor do raiar do astro rei e de toda a beleza que a natureza nos oferece diariamente, com alternância de cenários mediante a estação do ano em que nos encontramos. Depois de cumpridas as tarefas respeitantes à sua higiene pessoal, normalmente facilitadas pela rotina de que se revestem, surge novo desafio, mais ou menos dificultado em função da residência e do local de trabalho, com o desbravar do reboliço das nossas vilas e cidades, onde raramente se pensa naqueles que dispõem de algumas dificuldades de mobilidade. O acesso aos transportes públicos, o atravessar de vias bastante movimentadas e essencialmente a frequente surpresa de obstáculos nas mais diversas artérias, traduzem-se num risco e esforço de concentração redobrados para quem necessita de chegar a horas ao seu emprego.
Cumprida a 1ª fase deste ingrato ofício, que será complementado no final do dia, com o regresso a casa, o cego vai ocupar-se da sua real profissão, sempre com o peso nos seus ombros, de não desiludir os seus chefes e se possível, surpreendê-los favoravelmente.
Não raras vezes, são vítimas de descriminações e comentários sobre o seu infortúnio, tendo de estar preparados para a insensibilidade e falta de cultura de uma ainda grande franja da população portuguesa que ainda os vê como seres diferentes e inferiores, dada a deficiência que possuem.
Limitados também na suas atividades de lazer, são as barreiras sociais, sem dúvida  as mais difíceis de ultrapassar, pois dependem essencialmente da mentalidade dos cidadãos em relação à problemática da cegueira, embora os cegos tenham um papel importante neste domínio, demonstrando as suas reais capacidades.   
Esta “profissão” apesar do seu elevado risco e de um inqualificável número de obstáculos refletidos no dia a dia, nem por isso tem direito a reformas antecipadas, sendo escassos os benefícios a que têm direito, face à situação ingrata e desvantajosa em relação aos demais e às dificuldades que têm de enfrentar a cada momento.

São as desvantagens e consequências de fazer parte de uma minoria sem poder reivindicativo e sem qualquer estatuto, esquecida como tantas outras, por aqueles que felizmente nunca tiveram de exercer tal “profissão”.

Solidão

Solidão é andar sozinho
No meio da multidão,
E não saber a razão
Porque não tem um carinho.

É sentir tudo distante,
Sem conseguir alcançar
Alguém que se possa amar
De uma forma apaixonante.

É pensar não ter ninguém,
Que possa estar a seu lado
P’ra morrer mais amparado,
Na ausência de sua mãe.

É viver desiludido
Com as mágoas do passado,
Que nos deixam isolado
E muito mais deprimido.

É não sentir amizades
P’ra poder desabafar,
 E Quem nos possa ajudar
Nas nossas necessidades.

É viver no alto mar,
Com o céu no firmamento,
Tendo só no pensamento
O medo de naufragar.

É viver numa prisão
Sem muros nem cadeados,
Onde estamos amarrados
Sem ver a libertação.

É sentir-se desprezado
Por colegas e amigos
Que já estão esquecidos
Das memórias do passado.

É sentir-se preterido,
Por mais algumas paixões,
Que são sempre as opções,
E nos deixam esquecido.

Para aquele que seja crente,
A solidão é ilusória,
Porque terá na memória,

 Deus estar sempre presente.

21 agosto 2013

Mais um pontapé de saída...

No passado fim de semana, deu-se o pontapé de saída de mais um campeonato nacional de futebol das equipas mais representativas do nosso desporto rei. É o fervilhar de emoções, fruto da incerteza dos resultados, em que nem sempre ganha o mais forte, o que faz deste desporto o mais atrativo e competitivo, não só no nosso país, bem como na maioria dos países do mundo.
Este fenómeno desportivo, cada vez mais industrializado, que arrasta atrás de si exorbitantes quantias e verdadeiras multidões, é sem dúvida uma das maiores paixões dos portugueses, que adeptos fervorosos dos seus clubes, esperam ansiosamente pelos resultados das suas equipas e respetivos adversários, numa luta semanal, na busca de alcançarem o maior número de pontos.
Numa prova pouco competitiva, dada a vertiginosa diferença de orçamentos e consequentemente de infraestruturas desportivas, o nosso campeonato divide-se em 3 escalões: os dois eternos candidatos ao título, um pequeno grupo que procura chegar à Europa e o grande grosso do pelotão que luta pela permanência.
Invadido por jogadores das mais variadas nacionalidades, face à incapacidade económica em segurar as nossas melhores vedetas, o que nos obriga a transferências para os clubes mais poderosos, procuramos assim tirar dividendos para suavizar os nossos elevados défices.
Parece-me contudo, pouco se apostar nos nossos jovens, muitos deles com provas dadas nos escalões inferiores, por vezes aproveitados por equipas estrangeiras outras vezes, desaparecendo simplesmente da alta-roda do futebol português.
Apesar de ter vindo a ser cada vez mais desvirtualizado este desporto, com vencimentos que são verdadeiros atentados à pobreza e particularmente à situação económica que se vive no nosso país e em vários países europeus, o futebol português desfruta mesmo assim, de duas grandes virtudes: ser um dos principais embaixadores de Portugal no mundo, através da classe indiscutível de alguns dos seus técnicos e jogadores, bem como se afirmar como uma das principais distrações e escapes dos seus aficionados num cenário bastante sombrio em que somos diariamente invadidos nas nossas casas, por notícias pouco animadoras, por vezes, mesmo carregadas de algum dramatismo.

 Por isso: Viva o futebol português!       

13 agosto 2013

Funcionários de escolas, os primeiros sacrificados!

É indiscutível que, face a inúmeros erros de anteriores governos, o país dispõe atualmente de um número exagerado de funcionários públicos. Com a nação a viver uma das maiores crises económicas e financeiras, será inevitável reduzir e racionar o contingente dos servidores do Estado.
O avanço da tecnologia, a baixa de natalidade, bem como o encerramento de alguns serviços, teria obrigatoriamente de se traduzir numa redução de efetivos.
Mas será apenas nas escolas que existe pessoal em excesso? Não estarão as autarquias bem como outros serviços de outros ministérios em situações mais flagrantes e com trabalhadores muito mais bem pagos do que aqueles que pouco mais recebem do que o salário mínimo?
Não teremos também deputados, vereadores, chefes de gabinete e outras chefias a mais, onde a redução dos mesmos se traduziria numa poupança muito maior, com efeitos bem mais significativos no orçamento geral do estado?
Não estará o governo a cortar as unhas demasiado rentes, colocando em causa a qualidade do ensino público, com o aumento de alunos por turma e menos meios humanos para vigilância dos nossos filhos? 
 Quer queiramos ou não, os mais pequenos continuam a ser os primeiros a ser sacrificados.

Ficaremos a aguardar que esta política de contenção não fique por aqui sendo também abrangente à classe política e às nossas autarquias, onde continuam a prevalecer o clientelismo e a sedução ao voto.