10 novembro 2010

Dragões asfixiam Águias

Como dragão congénito, não podia deixar passar despercebido um feito pouco vulgar no nosso futebol e penso mesmo, inédito no nosso campeonato nacional. Se é verdade que no futebol tudo é possível, a prová-lo está a recente goleada do F.C. Porto sobre o Benfica. Nada fazia prever uma vitória tão expressiva dos portistas, pese embora o bom momento que atravessam. Foi sem dúvida humilhante de mais para uma equipa que acabou de se sagrar campeã nacional e que se reforçou imenso.
Estão de parabéns os seus directores, comandados pelo carismático Presidente Pinto da Costa, o verdadeiro timoneiro desta embarcação que tantas alegrias tem dado aos seus associados e simpatizantes. Será também o momento para elogiar o seu jovem treinador, sem dúvida um dos responsáveis pelos êxitos já alcançados na presente temporada.
São sem dúvida muitas as estrelas desta constelação que tem iluminado as noites da cidade invicta, mas onde se destaca uma bem mais cintilante que tem conduzido imensas vezes a bola para a baliza adversária. Refiro-me como é evidente a Hulk, o melhor jogador do nosso campeonato e porque não dizê-lo, um dos melhores jogadores da actualidade.
Pena é que o campeonato tenha perdido o seu interesse tão cedo, pois só um verdadeiro terramoto poderá retirar o título aos portuenses.
Parabéns a todos os intervenientes nesta magnífica vitória e oxalá continuem a levar o nome do nosso país além fronteiras e prestigiar ainda mais o futebol português, se possível com a conquista da Liga Europa.

15 outubro 2010

A CEGUEIRA NÃO É UM DRAMA (15 de Outubro, Dia Nacional da Bengala Branca)

Considerado o sentido dos sentidos, a visão permite às pessoas normovisuais terem uma percepção bastante abrangente do meio que nos rodeia. Isto não significa que os restantes sentidos não tenham uma grande importância, apesar de serem desvalorizados pelas pessoas que vêem. Deste modo, quando alguém fica privado de ver, sente-se totalmente desorientado e convicto de que o mundo acabou de desabar em cima de si e que toda a sua vida deixou de ter sentido. Esta ideia errada da realidade, faz com que ainda hoje, muitas pessoas vejam os cegos como pessoas tristes e inúteis à sociedade..
Se é verdade que isto acontecia em tempos remotos, pois não existiam formas de os reabilitar e integrar na sociedade, felizmente, hoje a realidade é totalmente diferente.
Com a invenção da escrita Braille no século XIX abriu-se a primeira porta para a educação das pessoas cegas. Mais tarde, com a produção de livros em Braille e produções em áudio, passou a ser bastante diversificada a oferta de obras de vários autores nacionais e estrangeiros. A criação de centros de reabilitação e mais recentemente o aparecimento das novas tecnologias, vieram permitir uma grande autonomia aos invisuais. Desta forma a perda definitiva da visão, deixou de ter a carga negativa que tinha noutros tempos. Hoje é frequente encontrarmos cegos que se distinguem na música, no desporto, nas artes e nas mais diversas actividades profissionais. É cada vez maior o número de licenciados nas mais variadas áreas, tais como o Direito, a Psicologia, a História, a Filosofia etc.
Hoje, são sem dúvida as barreiras sociais, as principais inimigas dos cegos. É necessário continuar a mudar as mentalidades para que as pessoas não discriminem, nem olhem de uma forma diferente para aqueles que no dia-a-dia lutam por uma plena integração. É preciso que os nossos empresários lhes dêem mais oportunidades e que o próprio Estado dê o exemplo pondo em prática toda a legislação existente.
Neste dia internacional da bengala branca, vamos sensibilizar a sociedade para esta problemática de modo que os cegos cada vez se sintam mais integrados nos mais variados domínios e possam ter cada vez mais, um papel activo na sociedade.

05 outubro 2010

Amigos

São flores perfumadas,
Por nós muito acarinhadas,
A quem damos atenção.
Enriquecem nossas vidas,
Mesmo as menos coloridas,
Dão beleza ao coração.

São faróis iluminados,
Que nos levam bem guiados,
Pelos difíceis caminhos.
São assim a nossa luz,
Que por vezes nos conduz
Fugindo de alguns espinhos.

São a estrela cintilante,
Presente a todo o instante
Para nos orientar.
O seu brilho incandescente,
Faz-nos ter sempre presente,
Que vivemos para amar.

São alegres passarinhos,
Que vivendo nos seus ninhos,
Nos transmitem alegria.
Exemplos de lealdade,
Contagiam felicidade,
Nos seus voos de magia.

São crianças inocentes,
Que nos oferecem presentes,
De forma desinteressada.
São exemplos de ternura,
Que nos oferecem doçura,
De uma forma acarinhada.

26 setembro 2010

Homenagear, porquê?

Tenho vindo a fazer algum esforço para compreender a razão de ser das comemorações do aniversário de Abel Botelho, todos os anos festejado no dia 23 de Setembro.
Embora tratando-se de um ilustre filho da terra, não consta ter sido um benemérito, nem ter contribuído de alguma forma para o seu desenvolvimento. Possuidor de um curriculum que de facto nos orgulha, Abel Botelho já foi sobejamente distinguido pelos seus conterrâneos ao atribuírem o seu nome a uma escola, a uma associação juvenil, a um parque de lazer e mais recentemente a uma artéria desta simpática vila. Além disso, trata-se de uma personalidade desconhecida da maioria dos portugueses, não nos permitindo sequer tirar alguns dividendos do seu nome para a projecção e divulgação de Tabuaço. Por outro lado, a coincidência do seu aniversário com o início do ano lectivo e a época das vindimas, faz com que as mesmas comemorações passem despercebidas à maioria da população.
Julgo ter sido oportuna a homenagem ocorrida no ano transacto, data em que se assinalavam os 150 anos do seu nascimento, mas totalmente despropositada e despesista nos moldes em que tem sido feita.
Parece-me no entanto, digno de realce um aspecto positivo nesta efeméride, que é a atribuição do prémio Abel Botelho, prémio esse que se destina a incentivar e premiar os melhores alunos ao longo do ano lectivo.
Necessitamos urgentemente de promover novos eventos, mas que sirvam para tirar este concelho do anonimato e o projectem numa região com imensas potencialidades turísticas que não podemos desperdiçar.


José Luís Lopes

Nota: Este texto foi escrito em Outubro de 2006 a fim de ser publicado no Jornal Notícias da Beira Douro, do qual fui colaborador durante vários anos.
Graças à mão pesada de censura do seu director Rui de Carvalho, o mesmo nunca foi publicado e muito menos dada uma explicação por esse facto.

Esta atitude inqualificável, levou-me a deixar de colaborar com o mesmo jornal e a criar este espaço totalmente livre de censura.

11 agosto 2010

Chamas que queimam mas não iluminam

Fustigado pela onda de incêndios que tem martirizado o norte e centro do nosso país, o concelho de Tabuaço foi mais uma vez, pela negativa, cartaz na comunicação social. Lamentamos que seja necessários ocorrerem fatalidades para o nome deste concelho ser divulgado. Foram sem dúvida dias de grande preocupação e ansiedade para os Tabuacenses e populações vizinhas. O fogo, não obedecendo à intervenção humana, passeou por grande parte das suas freguesias destruindo a sua paisagem verdejante para dar lugar a uma paisagem de verdadeiro luto. A nossa floresta ficou mais pobre face aos prejuízos causados pelo mesmo.
Há que louvar a pronta e desinteressada intervenção dos nossos bombeiros e a colaboração e solidariedade demonstrada por inúmeras corporações de Bombeiros dos mais variados e distantes pontos do país. Estiveram presentes corporações de Portalegre, Castelo Branco, Santarém, Seia, entre outras.
Esperemos que no futuro Tabuaço possa ser notícia por motivos e ocorrências mais agradáveis. Temos imensas potencialidades a mostrar a quantos visitam este pequeno, mas agradável concelho, embora agora esteja privado da verdura dos seus montes e vales, mas mantendo a deslumbrante paisagem voltada para a região que o caracteriza e que fez deste concelho, Património Mundial da Humanidade.
Ponhamos os olhos num dos nossos concelhos vizinhos que recentemente participou activamente num evento que projectou e divulgou o seu nome pelo nosso país. Estou a referir-me ao início de uma etapa da volta a Portugal em bicicleta na vila de Moimenta da Beira.
Oxalá os nossos autarcas sigam este e outros exemplos dados por outros concelhos, que tal como Tabuaço, sofrem do estigma da interioridade.

22 julho 2010

TABUAÇO - um destino a conhecer

Vítima da interioridade, da desertificação e dos fracos acessos em termos de comunicações viárias, Tabuaço é desconhecido pela maioria dos portugueses. Trata-se de uma pequena vila, sede de concelho, composto por 17 freguesias, fazendo parte dos concelhos durienses a quem foi atribuído o galardão de Património Mundial da Humanidade.
Embora geograficamente pertencente ao Distrito de Viseu, este concelho, localizado na transição das Beiras com o Alto Douro, identifica-se muito mais com esta região.
Dado aos desagradáveis acessos e à sua interioridade, o sector terciário é quase inexistente, obrigando os seus habitantes à emigração e à consequente desertificação.
Situado na encosta da margem esquerda do rio Douro, a sua área fica distribuída quase na sua totalidade, entre os afluentes Tedo e Távora. Devido ao acidentado do terreno, esta vila tem algumas dificuldades de expansão, pois são reduzidos os espaços destinados à construção. Por outro lado, Tabuaço é francamente compensado pela sua beleza natural, dispondo de paisagens maravilhosas que deixam deslumbrados quantos o visitam. Tal como acontece com toda a região do Douro, este concelho dispõe de imensas potencialidades, muitas delas, longe de estarem devidamente exploradas e divulgadas.
Tendo como principais riquezas o vinho e o azeite, primando qualquer um deles pela melhor qualidade, o concelho é rico também na produção de batata, castanha, cereja a e alguns cereais.
Para além da beleza paisagística, sem dúvida o principal cartão-de-visita de Tabuaço, muitos são os motivos de interesse para um passeio extremamente agradável a este concelho. Para os apaixonados pela arte e coisas antigas, destacamos o histórico convento de S. Pedro das Águias, a Igreja românica de Barcos, monumentos nacionais, a igreja de Longa com os seus magníficos quadros pintados a óleo no seu tecto, os Santuários de N.ª S.ª do Sabroso e de N.ª S.ª da Saúde, a igreja matriz desta vila com a sua rica talha dourada e inúmeras capelas. Destacamos também a freguesia da Granja do Tedo atravessada pelo rio do mesmo nome através de uma ponte romana. Aqui, terá alguns motivos de interesse ligados ao artesanato e poderá descansar e refrescar-se na sua calma e repousante praia fluvial. Perto da freguesia de Longa, poderá ver alguns vestígios de uma citânia e muralhas fortificadas que serviam de protecção aos nossos antepassados. Existe nesta zona um menir, o segundo maior da Península Ibérica. Ao contrário do que acontece hoje na maioria das localidades, não faltam neste concelho, espaços verdes propícios muitos deles a grandes piqueniques e a bons convívios. Na vila, destacam-se o sempre refrescante parque Abel Botelho, bem como os sempre bem cuidados jardins Conde Ferreira e toda a zona envolvente do recém-criado Museu do Imaginário do Duriense, onde podemos deliciarmo-nos com a simples mas simpática fonte luminosa.
No Posto de turismo da vila de Tabuaço, encontra-se uma peça de valor incalculável, mas que infelizmente não pode demonstrar toda a sua valia. Trata-se do Rijomax, um relógio único no mundo que dispõe de imensas funcionalidades, feito por um relojoeiro da terra ao longo de mais de duas décadas. Pena é, que dado o falecimento do seu construtor, ninguém tivesse aprendido a trabalhar com o mesmo, não sendo possível mostrar aos seus visitantes todo o seu potencial. Da sua gastronomia, destacam-se cabrito assado no forno, os folares tradicionais, principalmente na época da Páscoa, o famoso Bolo Rei, entre outras iguarias.
Neste concelho, existem algumas quintas durienses, algumas delas funcionando como casas de turismo rural e onde poderá saborear o famoso vinho generoso, ou seja o genuíno vinho do Porto. Poderão ser motivos de interesse o seu centro histórico, as suas piscinas municipais, bem como outras infra-estruturas que servem os seus habitantes.
Penso ter retratado um pouco deste airoso concelho, deixando a todos que o queiram visitar, bastantes motivos de interesse. Peço desculpa aos naturais desta região, algo de relevante que tenha omitido. Se tal aconteceu, agradeço que o mencionem nos vossos comentários, a fim de que este concelho não seja prejudicado na sua imagem.

13 junho 2010

Que nos valham os Santos Populares

“Crise” tem sido uma das palavras mais pronunciadas nos últimos meses. Não podemos dizer que é um fenómeno apenas dominante dos nossos dias, pois tem-nos acompanhado de uma forma ou outra, ao longo dos tempos.
Apesar de não se circunscrever apenas a este pequeno rectângulo mais setentrional da Europa, não há dúvida que os portugueses sempre se habituaram a viver acima das suas possibilidades. Temos um certo complexo de superioridade, querendo mostrar aquilo que na realidade não somos. É evidente que, quando assim acontece, as crises são inevitáveis
Temos feito demasiadas asneiras procurando dar a ideia que nos encontramos no pelotão da frente, mas infelizmente isso apenas acontece nas coisas negativas. Economicamente, estamos quase a ser absorvidos pelo carro vassoura. As autarquias, os clubes de futebol, um incalculável e crescente número de famílias e de uma forma mais alarmante o próprio Estado, são exemplo do desgoverno alucinante do nosso País
Desta vez, estamos a pagar o acumular de erros políticos que tiveram o seu apogeu no ano transacto com a realização de 3 actos eleitorais e as habituais políticas populistas.
Feliz, ou infelizmente, a crise não é para todos, ou pelo menos nem todos contribuem para a superar. São normalmente os mais desfavorecidos que nada têm a ver com as suas causas e os funcionários públicos os mais afectados.
Vivemos uma das mais graves crises económicas, mas também a maior crise de governação.
Os portugueses têm razões para andar deprimidos e preocupados com o futuro.
Precisamos de um acontecimento que nos levante a auto estima e de um milagre que salve a nossa economia.
Resta-nos a esperança de uma boa campanha da nossa selecção no mundial que se avizinha e a colaboração dos Santos Populares.

10 junho 2010

Um manicómio para turista ver

Todos os dias somos surpreendidos por notícias, ocorridas neste manicómio voltado para o mar, que nos enchem de desânimo pois os seus pacientes, além de não demonstrarem melhoras, verificam um agravamento acentuado na sua saúde mental. A situação mais grave acontece nos hospitais centrais do Terreiro do Paço, S. Bento e Belém, onde alguns pacientes não conseguem alta, apesar de vários anos de internamento. Foi o caso do doente crónico José Sócrates, que após quatro anos de tratamento, teve de permanecer internado pois o seu estado de saúde cada vez inspira mais cuidados. Receia-se que o mesmo venha a acontecer ao paciente Cavaco Silva, que se arrisca a mais 5 anos de internamento na Unidade de cuidados continuados de Belém, se não obter melhoras nos próximos meses.
Têm sido frequentes os ataques de verdadeira loucura praticados por alguns, podendo referir os mais relevantes e de piores consequências para o nosso Manicómio. A insistência no TGV, a legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, o congelamento de salários de miséria, o aumento do orçamento da Assembleia da República em 7 milhões de euros em tempo de grave crise económica, entre outros.
Recentemente, acordei com uma notícia em que cheguei a pensar que ainda não estava bem acordado e se tratava de um sonho. Era protagonista uma das pacientes recém chegadas, ex professora e escritora de literatura juvenil, que se lembrou de abolir o 9º ano para alunos com 15 anos de idade e que se encontrem no 8º ano de escolaridade.
É fantástico o que se faz nesta pequena varanda voltada para o Oceano Atlântico, para motivar as pessoas a estudar e a trabalhar.
Para quê, andei 8 anos no liceu para conseguir um diploma com equivalência ao 12º ano, quando agora se consegue o mesmo em pouco mais de 1 ano?
Porque decidi trabalhar a ganhar pouco mais do que o salário mínimo depois de mais de 15 anos de função pública, sendo invisual, quando muitos com mais capacidades físicas recebem o equivalente sem qualquer trabalho? Será o aumento do orçamento da Assembleia da República destinado para tratar da saúde mental dos nossos deputados? Será a legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, uma medida para “aumentar” a taxa de natalidade? Será que a urgência do TGV tem que ver com a necessidade de transferir os casos mais graves para a Europa?
Se assim for, que venha depressa o comboio de alta velocidade!

01 maio 2010

2 de Maio - Dia da Mãe

Querida mãe, gostava de hoje estar contigo, abraçar-te e beijar-te e se possível dar-te um presente neste dia a ti dedicado. Infelizmente não o posso fazer materialmente, mas podes crer que o farei de uma forma mais profunda, numa verdadeira comunhão espiritual.
Todos os dias são dia da mãe, por isso estás sempre presente no meu coração e na minha mente.
Muito tenho a agradecer-te, pois além da vida, deste-me muitos ensinamentos através do teu exemplo de vida. Foste um marco de humildade e simplicidade, qualidades que continuo a apreciar e que para mim são indispensáveis numa mulher.
Depois de tu partires, Deus sujeitou-me a uma verdadeira travessia no deserto, em virtude de nem todas terem um coração tão grande para amar.
Hoje, sou feliz porque abandonei o caminho da solidão, passando a ter alguém disposto a caminhar a meu lado, partilhando os dias radiosos e as intempéries que a vida nos proporciona
Estou convicto, que não terás ficado indiferente a tudo isto, apesar do grande mistério que se nos depara.
Para além da morte, a minha débil fé faz-me crer que estás também muito feliz, não tendo sido alheia a todo este processo, a tua vida repleta de santidade.Embebido nessa mesma fé, espero um dia voltar a abraçar-te e partilharmos juntos a verdadeira felicidade, a felicidade eterna.

19 março 2010

Carta Aberta ao Senhor Primeiro Ministro

Senhor ” engenheiro”, preferia enviar-lhe uma carta fechada, mas como provavelmente não seria aberta, ou se o fosse seria de imediato arquivada, optei por a enviar aberta para lhe evitar trabalho, dado andar demasiado ocupado com o desgoverno deste país.
Não posso de forma alguma estar satisfeito com a sua acção governativa, apesar de ter tido a coragem de encetar reformas há muito necessárias e que ninguém tivera a coragem de iniciar. Admiro por isso a sua firmeza e determinação enfrentando praticamente todas as classes sociais. Será bom recordar que muito contribuiu para essa decisão, o facto de ter governado com maioria absoluta, um dos principais inimigos da democracia. Vivemos assim 4 anos de semi-ditadura em que o seu governo punha e dispunha sem ter em conta as posições dos restantes partidos parlamentares, também eles, representativos dos portugueses.
Iniciada nova legislatura com a reeleição de V.ª Ex.ª, não resultante dos méritos da sua governação, mas sim da falta de uma oposição forte e organizada, não eram previsíveis grandes alterações apesar de muitos eleitores já não se deixarem levar ao engano pelas suas aveludadas mentiras. Surgiram então as desculpas da crise internacional, que vieram ofuscar e atenuar as políticas despesistas do anterior governo. O país afundou-se assim numa crise económica há muito existente, atenuada artificialmente em épocas eleitorais. É exemplo disso o que se passou no ano de 2009, em que poucos sentiram a recessão e em que os funcionários públicos puderam beneficiar do maior aumento desde o século passado. Será isto governar com honestidade e competência?
Senhor “engenheiro”, lamento que sempre que se vê com as calças na mão, recorra sempre aos funcionários do Estado como únicos salva-vidas do país. Serão estes os responsáveis pelos péssimos investimentos que o governo faz? Serão eles responsáveis pelas nomeações em série de assessores, chefes de gabinete e directores gerais e pelo elevado despesismo verificado na administração central? Serão eles responsáveis pelos vencimentos e reformas exorbitantes da maioria dos administradores das empresas públicas e demais cargos de Estado? Porque terão de ser sempre os mais pobres a pagar a crise quando verificamos no nosso país um crescente número de fortunas?
Seria bom que V.ª Ex.ª fosse o primeiro a dar o exemplo do apertar do cinto a que todos os anos estamos habituados. Prometeu não subir impostos, mas seria bem melhor que o fizesse para as classes mais favorecidas. Porque não aumenta o IVA para produtos de luxo e bens considerados supérfluos? Porque não são tributadas as chorudas fortunas conseguidas na bolsa? Porque não existem benefícios fiscais para quem tem necessidade de recorrer a profissionais liberais, evitando assim que os mesmos fugissem ao fisco? Porque não se congelam apenas os aumentos dos vencimentos dos contribuintes com vencimentos superiores a mil euros, a exemplo do que já foi feito no passado?
Desculpe senhor Primeiro Ministro, mas não me parece pertencer a um partido que se intitula de socialista. Onde estão as medidas sociais para combater a pobreza e diminuir o fosso cada vez maior entre pobres e ricos?
Os portugueses sempre tiveram um complexo de superioridade vivendo normalmente acima das suas possibilidades e o senhor “engenheiro” não foge à regra, porém o país não pode ser desgovernado por quem não tem a noção da nossa pequenez e pretende transmitir uma ideia errada aos nossos parceiros. Conseguimos estar no topo em quase tudo que é negativo, mas no nível de vida, somos cada vez mais últimos.
Senhor Primeiro Ministro, faça um exame de consciência, se é que ainda a tem, e verifique qual é na realidade a sua vocação. Não engane mais os portugueses nem os faça suspirar por uma nova ditadura nem pela perda da nossa independência. Devolva a todos a esperança de melhores dias para o nosso país, principalmente para os mais desfavorecidos.

Dia do Pai

Festejamos S. José,
Apenas pai adoptivo,
Carpinteiro em Nazaré,
Merecia um dia festivo.

Dia dedicado aos pais,
É a única homenagem,
Penso que merecia mais,
Dada a sua vassalagem.

É um exemplo a seguir,
Por todo educador
Porque soube sempre agir,
Com humildade e amor.

Ser pai, missão muito nobre,
Muitas vezes esquecida,
Que torna muito mais pobre,
Todo o sentido da vida.

Lamento não possuir,
Apesar de já velhinho,
Quem me soube conduzir
Por este nobre caminho.

Foi um Pai exemplar
Que deixou ensinamentos,
Pois sabia educar,
Cultivando sentimentos.

Apesar de ter partido,
De uma forma inesperada,
Deixou muito construído,
Sem ter obra terminada.

Alicerces muito fortes
Contra os grandes vendavais
Foram as melhores sortes,
Que pude herdar de meus pais.

05 março 2010

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Habituei-me desde a criação deste espaço, a escrever todos os anos algo sobre a mulher neste dia internacional a si dedicado.
Apesar do tema ser bastante sugestivo e abrangente, sinto alguma dificuldade em fazê-lo dada a minha tendência em sintetizar o que penso.
Conhecida a minha opinião sobre o assunto por quantos visitam com frequência o meu blog, talvez me vá repetir um pouco neste breve apontamento de homenagem a quem nos deu a vida e sempre sabe dar aquele carinho e aquela ternura que só o sexo feminino sabe transmitir.
Misto de sentimentos, beleza e instabilidade, a mulher apresenta-se repleta de contrastes nas suas reacções, nos seus comportamentos e atitudes
Dotada de um sexto sentido e de uma sensibilidade extremamente apurada, em contraste com a virilidade e maior racionalismo do sexo oposto, esta desempenha um papel fundamental como mãe e esposa, sendo o esteio da família tradicional. Seria impensável uma sociedade sem a mulher, não só pelo seu privilégio de dar à luz, mas também pela sua sensualidade, ternura e beleza.
Que seria dos filhos sem o carinho e o espírito maternal? Que seria dos homens, sem o amor incondicional e sem a fada do lar, sempre atenta ao mais pequeno pormenor? Que seria dos idosos sem os cuidados e atenção que só ela sabe oferecer?
Teremos de reconhecer que apesar da sua instabilidade, a mulher tem qualidades ímpares que são sem dúvida uma mais valia para um melhor bem estar e melhor qualidade de vida, principalmente nos dias e gerações em que mais necessitamos de apoio.
Não poderia terminar este breve apontamento, sem homenagear ainda que de uma forma póstuma, aquela que me deu o ser e a quem devo muito do que sou e do que penso.
Quero também aproveitar este dia para, pela primeira vez, demonstrar publicamente todo o apreço e gratidão ao maravilhoso anjo que Deus pôs no meu caminho e que desinteressadamente está disposta a deixar tudo para abraçar um resto de vida onde transborda amor e carinho.
Oxalá todas as mulheres saibam desempenhar os seus deveres para que a família possa sobreviver às intempéries a que tem sido sujeita. Não sendo ela a única responsável pela crise nela instalada, pode com a sua sensibilidade e audácia contribuir para a estabilidade da mesma, transformando esta sociedade, em plena decadência, numa sociedade menos individualista e mais fraterna.

27 outubro 2009

AMOR: O Sol do Planeta

Acordei. O Sol espreitava pela janela, parecendo espreguiçar-se face ao ultimato que recebera no passado fim-de-semana, de madrugar mais uma hora. A melancolia da noite, dava lugar a um novo dia cheio de luz e calor graças ao majestoso astro. A natureza sorria para quantos a contemplavam.
É a vida a germinar, florescendo para depois nos brindar com maravilhosos frutos. O Sol é de facto o astro rei que nos aquece, ilumina e nos dá vida. Mas outro astro, pertencente a outras galáxias, tem o misterioso poder de aquecer e iluminar os nossos corações. Apesar de invisível, tem a força de transpor montanhas, atravessar oceanos e sobrevoar continentes.
É sem dúvida, a verdadeira chave da felicidade, podendo fazer-nos felizes mesmo quando as densas nuvens não permitem que os raios solares cheguem até nós.
Sem Amor, a vida seria mais triste do que um dia sem sol.
Este sentimento tão profundo e tão nobre, é a especiaria mais fina e gostosa que dá um tempero especial à nossa vida.
Pena é que muitos não abram o seu coração para dar e receber esse Amor, que mais não é, senão a verdadeira mensagem deixada por Cristo.
Façamos do Amor o sol deste planeta e deixemo-lo brilhar nos nossos corações.

14 outubro 2009

Autárquicas 2009 - "Ribeiro" transborda em Tabuaço

Depois de 20 anos de seca de ideias, projectos e alternativas credíveis por parte da oposição, dominados pelos “Santos” que controlaram o poleiro onde os “Pintos” se recreavam a seu belo prazer, eis que inesperadas chuvas torrenciais vieram engrossar um “Ribeiro” quase seco, coberto por alguns “ramos” e “silvas”, vindo a transbordar no passado dia 11 de Outubro, afogando assim os “pintos” sem que os “Santos” lhes pudessem valer.
Tabuaço foi assim inundado por uma esperança de mudança para alguns, e de desânimo para aqueles que apostavam na continuidade com a consagração dos “santos” no seu último mandato. Mais uma vez, “santos” da casa não fizeram milagres.
O futuro dirá se esta inundação serviu para levar na enxurrada o lixo acumulado ao longo de duas décadas ou se veio destruir a obra feita.
Façamos votos para que o “ribeiro” não ultrapasse as margens da sensatez, da boa convivência democrática e da dignidade
Esperemos que Tabuaço possa de facto mudar, mas para melhor, saindo do anonimato e criando condições para o desenvolvimento do turismo que nos bate à porta.
Oxalá que a exemplo do que acontece com o rio Douro, o nosso “ribeiro” possa ser também um chamariz para fazer deste concelho uma verdadeira região turística.

07 outubro 2009

Eleições em série!

Terminadas as tradicionais romarias, tão apreciadas pelos portugueses, o país continua em festa com um colorido pouco vulgar de bandeirinhas, cartazes e outros adereços, acompanhado pela estridente sinfonia das caravanas e culminando com os mais ou menos inflamados discursos dos comícios partidários.
Portugal, queima assim alegremente, as hipotecadas economias que tanta falta fazem a alguns sectores da vida económico-social, em lavagem de roupa suja e polémicas desnecessárias que apenas servem para descredibilizar ainda mais a classe política e confundir os portugueses. Por alguma razão, a abstenção continua a ser o “partido” mais votado, manifestando uma verdadeira desilusão em relação à democracia portuguesa.
Como se não bastassem 15 dias de romaria pelas nossas vilas e cidades, decidiu o chefe supremo da Nação que a mesma se estendesse também às nossas aldeias, não fossem estas sentir-se descriminadas. Será caso para dizer: se 15 dias de campanha incomodam muita gente, 30 dias incomodam muito mais.
Apesar de alguns inconvenientes na realização simultânea dos dois actos eleitorais, parece-me que seria uma decisão mais acertada, não só para evitar um maior despesismo em tempo de crise, mas também para evitar uma cada vez maior aversão às campanhas e actos eleitorais. Os cidadãos estão na sua maioria cansados de votar, na medida em que têm sido defraudados nos seus anseios e enganados nas promessas que lhes têm sido feitas.
Penso que com esta decisão, o Presidente da República não foi totalmente isento, tendo dado uma ajudinha ao partido mais votado “a abstenção”. Desta vez os resultados não serão mais dramáticos porque esta eleição é a que diz respeito mais directamente aos portugueses porque estão em causa os destinos das suas terras e porque os candidatos estão mais próximos dos eleitoresSerá necessário defender com mais garra e determinação, o que tanto nos custou a conquistar, para que no futuro possamos continuar a escolher livremente quem queremos à frente dos destinos da Nação.

02 setembro 2009

Fim de férias!

Com grande pena de alguns, terminou o período destinado ao lazer e ao retemperar de forças para mais um ano de trabalho. Alguns, menos bafejados pela sorte lamentam-se por não usufruirem desse direito ou pelas condições económicas não o permitirem. É de facto o mês mais curto do ano, ou melhor, o mês em que os ponteiros do relógio andam mais depressa.
Não sendo dos mais priviligiados, tive oportunidade de descansar um pouco e de dar uma fugidinha até à beira mar e poder relaxar estendido na areia ouvindo o sussurrar do imenso mar.
De regresso ao trabalho e à rotina do dia a dia, senti-me na obrigação de marcar presença neste espaço, embora confesse ser cada vez menor a motivação para o fazer, dado ter deixado há algum tempo, de ter comentários ao que escrevo e dessa forma não ter feedback sobre os meus apontamentos e desabafos. Embora o número de visitantes não tenha sofrido grande redução, lamento o facto de os que o visitam não deixarem um comentário, uma crítica ou uma sugestão. Gostamos sempre de saber como é recebido o que escrevemos.
Faço aqui um apelo àqueles que casualmente, ou por rotina visitam o meu blog, para perderem mais alguns minutos e deixarem a sua impressão sobre o que leram. Estou receptivo a críticas, desde que construtivas e a novas ideias sobre os temas que abordo. Ficará mais rico este espaço que não pretende ser um monólogo, mas um debate de ideias.
Fico à espera da vossa contribuição que desde já agradeço.

27 junho 2009

Cego ou Invisual?

Embora estejamos perante dois sinónimos é um pouco diferente o impacto social de cada uma das palavras, dada a época e o conceito de cegueira a que os mesmos estão associados.
Durante vários séculos, a cegueira foi vista como uma incapacidade extremamente limitativa, que via no cego um pesado fardo para a sociedade e à qual estava associada a ignorância e a total invalidez. Hoje felizmente, graças a novos métodos e novas tecnologias, esta deficiência tornou-se muito menos limitativa dando aos seus portadores a possibilidade de exercer as mais variadas funções e tarefas. Este avanço, nem sempre acompanhado pela mentalidade de alguns, veio a justificar uma nova denominação para aqueles que não têm a faculdade de ver com os olhos.
Apesar de mal escolhido o termo invisual, para definir quem não vê, pois o significado do mesmo é, o que não é visto, este deixou de estar associado ao passado e à carga negativa associada à palavra cego.
Não é menos verdade que algumas pessoas põem em prática o verdadeiro significado etimológico da palavra invisual, na medida em que muitas vezes passam por eles como se tratassem de seres invisíveis.Seja como for, parece-me positiva uma nova denominação que melhor se identifique com os cegos dos nossos dias, muito mais autónomos, mais cultos e mais integrados no meio social.

10 junho 2009

Quem acredita na Europa?

Como já era previsível, os portugueses e a generalidade dos nossos parceiros europeus, mostraram-se bastante indiferentes em relação às recentes eleições europeias, verificando-se a maior abstenção de sempre em actos eleitorais realizados no nosso país.
Vários factores contribuíram para estes preocupantes resultados. A crescente falta de credibilidade da classe política, o distanciamento, cada vez maior entre eleitos e eleitores, afastando-nos das instituições que nos regem, a falta de um verdadeiro debate sobre a importância do Parlamento Europeu e o que se pretende da união europeia e quais as vantagens para os cidadãos, foram sem dúvida algumas das causas deste fracasso eleitoral.
Embora situados geograficamente no continente europeu, os portugueses continuam muito distantes do velho continente, não sentindo no geral, as vantagens dessa adesão continuando a pagar mais caros alguns dos bens essenciais e a usufruir dos mais baixos salários europeus.
Por outro lado, verificamos que esta campanha pouco se preocupou em esclarecer os portugueses para esta matéria, funcionando mais como um aquecimento para as legislativas.
Não poderão os políticos queixarem-se destes resultados, pois a responsabilidade é exclusivamente sua. Estamos fartos de falsas retóricas e carentes de mais acção política que nos possa tirar da cauda da Europa.

21 maio 2009

QUE DEMOCRACIA - 35 anos depois

Atingida já há alguns anos a idade adulta, a nossa democracia revela com frequência, alguma imaturidade, para não dizer mesmo, alguns tiques de infantilidade.
Criada órfã de pai ou mãe, dado desconhecermos o papel desempenhado pelo único progenitor, o MFA, faltou-lhe por vezes o pulso e firmeza evidenciados normalmente pela parte paternal, bem como a sensibilidade e o sexto sentido, próprios de quem tem o privilégio de dar à luz.
Para além destas carências, normalmente habituais em descendentes de famílias monoparentais, ela teve de conviver com vários padrastos, que nem sempre souberam transmitir os verdadeiros valores da solidariedade e justiça social.
Embora decididas nas urnas, penso que as maiorias absolutas nunca são boas conselheiras dos regimes democráticos, dado o abuso de poder a que geralmente são tentadas
É evidente que, perante tantos condicionalismos, seria impensável que a nossa democracia, funcionasse na sua plenitude.
Avizinham-se para breve 3 actos eleitorais, orçados em mais de 150 milhões de euros, no entanto, os invisuais continuam a não poder exercer o seu direito de voto em pé de igualdade com os outros cidadãos, estando dependentes de outros, não tendo o direito ao sigilo do seu voto, nem a garantia absoluta de que votou no partido que escolhera.
O processo, para evitar uma descriminação a um dos principais direitos e deveres consagrados na nossa constituição, nem sequer seria muito complexo ou dispendioso. Bastaria dispor em cada assembleia de voto, de um molde do tamanho do boletim de voto, transcrito em Braille e com janelinhas sobrepostas às quadrículas destinadas à cruzinha respeitante ao voto. Poderia dar imensos exemplos em que os cidadãos não têm o mesmo tratamento e igualdade de oportunidades, demonstrando as imensas limitações do nosso regime democrático. Porém, deixo aqui apenas mais um alerta para que os portadores de deficiência visual possam vir a exercer o seu direito de voto de uma forma mais autónoma, segura e mantendo o secretismo que o voto merece.

13 maio 2009

Rumo ao Penta!

Apesar de já estarmos habituados à hegemonia azul e branca nas últimas décadas, não podia, como dragão congénito assumido, deixar passar em claro mais um título de campeão nacional, o tetra, conseguido pela segunda vez.
Estão de parabéns os nossos atletas, os nossos técnicos e os nossos dirigentes.
A máquina há muito está montada, sendo constantemente lubrificada e renovada por uma vasta equipa, chefiada pelo controverso e carismático presidente Pinto da Costa. Sem a sua experiência e astúcia, não seria possível conseguir um palmarés que inveja qualquer equipa do mundo.
Mais uma vez os meus parabéns para quantos contribuíram para mais uma alegria da família portista.
Unidos, vamos atacar o penta.