08 março 2009

MULHER - Dia Internacional da Mulher

Misto de encanto, mistério e ternura,
Instável, sentimental,
Ora se envolve em grande pranto,
Ora se transforma em doçura
De uma forma sensual.

Difícil de entender e descrever,
Sem garantia, nem livro de instruções,
Nunca deixou de manter
A apaixonante magia
De arrasar os corações.

A flor mais perfumada
Que se encontra nos caminhos,
Também a mais desejada,
Por vezes, algo enfadada,
Tantos são os seus espinhos.

Dotada do melhor e do pior,
Distingue-se na maternidade,
Missão sublime e muito nobre,
Da mais rica à mais pobre,
Transparece a felicidade.

Vou a todas felicitar,
Não deixando esquecida,
Quem me quis proporcionar,
Através do verbo amar,
O misterioso dom da vida.

29 janeiro 2009

"Crise" para quem?

“Crise", passou a ser a palavra dominante do nosso dia-a-dia. A comunicação social não fala de outra coisa, mas os portugueses já estão habituados a lidar com ela ao longo da sua vida, pois já se arrasta desde o berço da nossa nacionalidade.
Com pouco mais de meio século de existência, nunca ouvi dizer que as coisas estão boas, ou pelo menos no bom caminho. Todos os anos são pedidos sacrifícios a alguns portugueses, no sentido de de nos podermos aproximar dos nossos parceiros europeus. Porém, como esses sacrifícios apenas são exigidos aos mais fracos e desfavorecidos, cada vez é maior o fosso que nos separa da Europa, bem como entre ricos e pobres.
Quando começarão a ser penalizadas as grandes riquezas, os chorudos ordenados e as abastadas reformas?
Quando passarão os nossos governantes a dar o exemplo, do apertar do cinto.
Quando passarão os ricos a pagar a crise?
Vivemos essencialmente uma verdadeira crise de valores e de liderança. Vivemos uma crise de justiça social e de solidariedade. Vivemos uma crise de governação e oposição, que aumentam as assimetrias, pondo em causa a verdadeira democracia dado o abuso de poder que as maiorias lhe conferem.
Não será possível sair da crise se cada um olhar apenas pelos seus interesses e não dermos as mãos lutando pelo bem da comunidade, principalmente pelos mais carenciados.

21 janeiro 2009

Todos diferentes todos (des)iguais

Criado segundo a Bíblia, à imagem e semelhança de Deus, o homem tem vindo, nos últimos tempos a acentuar a diferença entre si e o seu semelhante.
A ânsia do poder e a ambição, por vezes ganância, por tudo que é material têm subjugado os grandes valores humanos, dando lugar a uma sociedade de classes onde cada vez são mais visíveis as desigualdades.
Todos os dias assistimos a discriminações: as minorias raramente são respeitadas; os mais fracos são constantemente humilhados e desprezados; os que lutam por um verdadeiro ideal dificilmente são compreendidos e aceites como tal; logo ao nascer, o ser humano é discriminado em função das características e valores hereditários, bem como do estatuto sócio-económico dos seus progenitores.
Vivemos permanentemente em competição com os mais fortes e mais poderosos à procura de conquistar um lugar no pódio, cometendo os mais variados atropelos, distanciando-se assim, cada vez mais, daqueles a que não foram dados os mesmos talentos e as mesmas oportunidades.
Nesta sociedade materialista, e cada vez mais individualista, o homem refugia-se no seu castelo de cristal, alicerçado no egoísmo e na falta de solidariedade, esquecendo-se que a seu lado vive alguém que necessita de uma palavra amiga, de um gesto de carinho, ou até mesmo de uma ajuda material.
Seria utópico sonhar com uma sociedade sem classes onde todos fossem iguais. Terá de haver sempre ricos e pobres, patrões e empregados, doentes e escorreitos, mas não devemos aceitar que o homem se distinga e se promova pela cor dos seus olhos, ou pela gravata que usa, mas sim pelo seu carácter, pela sua personalidade e essencialmente pelo seu querer.
Ao contrário do que muitos possam pensar, seria perfeitamente possível alterar este estado de coisas se o homem quisesse. Esta tarefa depende exclusivamente de cada um de nós. Para tal, bastaria que olhássemos um pouco mais para o nosso semelhante, colocando à disposição dos mais desvavorecidos o melhor que tivermos para dar. Com este simples gesto saído do nosso coração, seria possível transformar o mundo num verdadeiro oásis onde todos se sentiriam felizes.

09 janeiro 2009

Ano Novo - vida nova

Terminada mais uma prova deste circuito sinuoso, composto por 365 curvas, distribuídas por 12 classificativas, iniciamos nova prova que se prevê bastante difícil, dado o denso nevoeiro e o piso escorregadio que se alastra ao longo do percurso.
Embora prevenidos para possíveis intempéries, todos os cuidados serão poucos para evitar alguns despistes.
Desta vez, teremos 3 neutralizações ao longo do percurso que serão as eleições que nos esperam, que poderão condicionar a aproximação à meta.
Sejamos positivos e confiemos na capacidade de improviso e na perícia dos portugueses, para contornarmos as dificuldades que certamente nos vão surgir.
Quero neste breve apontamento, pedir a todos as maiores cautelas e desejar-vos uma prova o mais agradável possível, sem percalços, de forma a que todos possam chegar à meta com um saldo verdadeiramente positivo.
FELIZ 2009

29 outubro 2008

Amanhecer mais sombrio

Nas nuvens fiz o meu ninho,
Por precisar de voar
E também de me afastar,
Do facto de estar sozinho.

Fiz de um mundo virtual,
O país para viver,
Mas hoje ao amanhecer,
Vi que era tudo irreal.

Ninguém estava a meu lado,
Nem sequer nas redondezas,
Aumentaram as tristezas,
Por me sentir isolado.

Não tenho motivação,
Por não ter objectivos,
Muito menos incentivos
P’ra vencer a solidão.

Quando o procuro fazer,
Vem logo a desilusão,
Porque a mais leve paixão,
Não a consigo vencer.

Sinto muitas amizades,
Que me fazem algum bem,
Mas sinto logo também,
Um mar de grandes saudades.

A família está distante,
E em vias de extinção,
Não me dando atenção,
Quando é mais importante.

Não disponho de um cantinho,
Onde me refugiar,
Tendo mesmo de voltar,
Para onde fiz o meu ninho.

Se eu voltar a cair,
Não irei ter salvação
E de uma depressão,
Por certo não vou fugir.

Estou cansado de viver,
Sem ter uma companhia,
Para me dar alegria,
E me faça espairecer.

15 outubro 2008

15 de Outubro - Dia internacional da Bengala Branca

Comemora-se hoje, o dia internacional da bengala branca.
É através deste utilitário que os cegos são normalmente identificados, na medida em que é um instrumento essencial na sua locomoção. É graças a ela e ao uso correcto das suas técnicas, que os invisuais se deslocam, quer nos meios mais rurais, quer nas cidades mais movimentadas.
Destina-se este dia, tal como acontece com tantos outros ao longo do ano, a sensibilizar as populações para problemáticas que embora digam respeito á nossa sociedade, são muitas vezes esquecidas por estarem em causa minorias.
A cegueira foi durante muitos séculos considerada a maior fatalidade, na medida em que significava a perda do sentido dos sentidos, o que dava aos cegos uma limitação a todos os níveis, sendo vistos como um pesado fardo para a sociedade e um sinónimo de ignorância, vindo a subsistir a frase: quem não sabe é como quem não vê.
Felizmente a realidade de hoje é substancialmente diferente. Com a invenção do sistema Braille, o aparecimento das produções áudio e mais recentemente o acesso à informática e à Internet, os cegos passaram a ter acesso a toda a informação e às mais variadas fontes de cultura. A cegueira deixou assim de ser o drama a que era associada, para ser uma limitação, quase totalmente contornável, na medida em que os cegos puderam passar a fazer uma vida quase normal, distinguindo-se mesmo em variados domínios.
Será por isso importante este dia internacional, para mostrar aos mais incultos, esta realidade de forma a que vejam e aceitem os deficientes visuais como cidadãos com os mesmos direitos e muitas vezes possuidores de grandes capacidades. Vamos deixar de ver os cegos como coitadinhos e inválidos, principalmente aqueles que lutam dia-a-dia por uma integração plena no domínio profissional e social.

04 outubro 2008

Douro - um diamante por lapidar

Neste pequeno "jardim à beira mar plantado", em que cada região nos apresenta a sua maravilhosa paisagem salpicada, ora pela verdura dos campos e da floresta, ora pela nudez e o escarpado das serras e montes, sobressai um pequeno oásis de características únicas do mundo e, que constitui um verdadeiro tesouro, longe de estar totalmente descoberto e explorado.
De Barqueiros a Barca d'Alva, o visitante é surpreendido com um magnífico anfiteatro feito de sucalcos pintados pelo homem e pela natureza, nas mais variadas tonalidades, mudando de cenário consoante as estações do ano.
Ao fundo, como centro de todas as atenções, e maravilhado com tudo o que o envolve à sua volta, o rio vai descontraídamente repousando ao longo do seu leito, sendo cumprimentado aqui e ali, pelos seus afluentes, vindo, depois de se espreguiçar junto à foz, a abraçar o Oceano Atlântico.
Esta representação ao vivo, cujos principais intérpretes são o rio e a natureza, atinge o seu ponto alto com a apresentação do 3º acto, em que o homem lhe transmite mais alegria e mais movimento, com a colheita dos dourados cachos que irão transformar-se no precioso néctar que todo o mundo aprecia, mas que só esta região é capaz de produzir.
Perante esta excelente encenação, que não necessita de mais adereços para nos proporcionar um vislumbrante espectáculo, não há dúvida de que o Douro tem todas as condições para ser das regiões mais nobres e mais visitadas do nosso país.
Todavia, a região duriense, não se limita a este magnífico postal ilustrado que é sem dúvida, a sua paisagem, mas possui variadíssimos motivos de interesse que vão da arte à gastronomia, das tradições aos costumes e da tranquilidade ao ar puro que se respira.
Tardam, contudo, a surgir as infra-estruturas necessárias para o seu desenvolvimento, permitindo a quantos o visitem as melhores condições, para um passeio verdadeiramente inesquecível.

Prioridades ou preferências?

Resolvidos os principais problemas da nossa sociedade, tais como o desemprego, a crise económica, o apoio à 3ª idade e aos mais desfavorecidos, a Assembleia da República resolveu colocar na ordem do dia uma matéria, pelos vistos da maior importância para grande parte dos nossos deputados, o casamento de pessoas do mesmo sexo.
É do conhecimento geral a crise que se vive no seio da família, sendo cada vêz mais elevado o número de divórcios. Isto mostra um certo desencanto e provavelmente alguma incompatibilidade entre os casais. São conhecidas as causas principais dessa, cada vez mais difícil relação a dois, não me parecendo que a saturação pelo sexo oposto, possa ser uma delas.
Será que o casamento de gays poderá resolver os problemas que afectam a instituição família? Será que a aprovação deste projecto lei vai ajudar a aumentar a taxa da natalidade? Será que vai reduzir o elevado número de casos de violência doméstica? Será que uma previsível aprovação no futuro da lei da adopção de crianças, pelos mesmos, poderá dar a estas mais estabilidade e alegria de viver?
Quais as vantagens e a importância de legislar sobre esta matéria, quando temos uma população cada vez mais envelhecida, sem que haja uma política de apoio à 3ª idade; quando temos famílias profundamente afectadas pelo desemprego e pelo aumento constante das taxas de juro, sem que existam medidas sociais para atenuar as dificuldades das mesmas; quando temos cerca de 10% de deficientes que tardam a ver regulamentada a maior parte da legislação existente.
Não andarão os nossos deputados um pouco distraídos com a realidade que nos cerca? Ou estarão eles convencidos que com iniciativas destas irão credibilizar mais a classe política e as instituições que representam? Assim se compreende que dificilmente sairemos do profundo lamaçal e da cauda da Europa onde nos encontramos.

16 julho 2008

Como viver com deficiência em Portugal

Um estudo efectuado no nosso país, revela que a deficiência em Portugal é maioritariamente feminina, idosa e pobre. Considerando que a sua percentagem se aproxima dos 10% da população, e que os mesmos se encontram limitados em variadíssimas vertentes, temos de reconhecer que os deficientes têm sido bastante esquecidos pelas entidades competentes e pela sociedade em geral.
Parece-me que devemos dividir os mesmos em duas categorias: os deficientes profundos, sem qualquer autonomia e totalmente dependentes de terceiros que necessitam de cuidados especiais e os restantes com algumas limitações, mas aptos para inúmeras funções, desde que devidamente reabilitados e adaptados ás mesmas.
É aqui que os deficientes sentem alguma discriminação na medida em que raramente lhes são reconhecidas essas capacidades. Tudo seria bem diferente se olhássemos para essas pessoas como cidadãos com imensas potencialidades.
Continuam a ser muitas as barreiras arquitectónicas, mas continuam a ser mais profundas as barreiras sociais.
Os deficientes portugueses, continuam a ser vistos pela maioria da população, como seres inferiores mesmo quando conseguem afirmar-se no meio laboral e social. Ainda prevalece um pouco o lema: quem não sabe é como quem não vê. Felizmente, hoje os cegos já não se podem queixar da falta de meios para adquirirem conhecimentos. O acesso às novas tecnologias e o crescente aumento de obras em Braille e áudio, vieram permitir que o deficiente visual tivesse possibilidades de se cultivar.
Os problemas dos deficientes passam essencialmente pela formação, reabilitação e aposta nas suas potencialidades. Por isso, é necessário que governo e empresários lhes proporcionem essas oportunidades. Não basta legislar, mas sim mudar mentalidades e pôr em prática a legislação já existente para que todos tenham as mesmas chances.
Os cegos ficarão muito felizes quando verificarem que os normovisuais se libertaram da sua cegueira, conseguindo ver os deficientes como seres de corpo inteiro com os mesmos direitos de qualquer cidadão.
Graças a uma conceituada revista semanal, os cegos portugueses passaram a dispor de visão, que todos os meses lhes proporcionam novos horizontes. Obrigado a quantos têm contribuído para eliminar essas barreiras sociais de modo a que estes sejam vistos como cidadãos de plenos direitos e capazes de desempenhar um papel importante na nossa sociedade.

27 maio 2008

Apitos desafinados

Terminou finalmente a principal competição futebolística nacional. Os portugueses respiraram de alívio quando ouviram soar o apito final do campeonato menos competitivo e mais conturbado das últimas décadas.
É claro que o denominado “apito final” já tinha soado um pouco antes, não nos deixando esse nada aliviados, mas sim, cada vez mais preocupados com as injustiças e falta de verdade verificadas no nosso futebol.
Certamente que este ainda não será o apito final, dada a desafinação com que surgiu no ar. Os seus intervenientes irão por certo sujeitar-se a um prolongamento, ou mesmo à marcação de grandes penalidades.
Penso que as decisões dos jogos e demais competições, deveriam ser tomadas em tempo útil, caso contrário andaremos sempre a fazer ajuste de contas, falseando a verdade das provas. O resultado dos jogos não poderá estar pendente da posterior análise televisiva ou da crítica, assim como as classificações finais não poderão ficar pendentes das decisões dos caracóis da nossa justiça. Os prevaricadores deveriam ser punidos severamente, bem como as equipas envolvidas, desde que o mesmo acontecesse durante as provas a disputar. Não faria sentido que um atleta perdesse uma prova, só porque cometeu alguma ilegalidade em anos anteriores.
O futebol português há muito nos habituou a ser pródigo em casos e surpresas, deixando-nos sempre suspensos no que nos reservam os próximos episódios.
Façamos votos que a novela que se avizinha, agora protagonizada pela nossa selecção, nos ofereça episódios mais agradáveis que possam encobrir tantas mazelas do nosso desporto rei. Que não seja mais um coro de apitos desafinados, como acontece nas competições internas entre clubes, mas que possamos sair orgulhosos da nossa representação.

04 maio 2008

Mãe

Mãe! ó mãe querida,
Deste-me a vida,
Deste-me o Ser.
Mãe! abençoada,
A mais amada
Até morrer.

Mãe, és tu que beijas,
Quem mais desejas,
Ver a sorrir.
Mãe és a ternura
E a formosura,
Sempre a florir.

Mãe, és a flor,
Que brota amor,
Sem olhar a idade.
Mãe tu és a luz,
Que me conduz,
À felicidade

Mãe, quero beijar-te
E consolar-te,
Neste teu dia.
Mãe, eu vou rezar,
P’ra te encontrar,
Num novo dia...

Mãe

Esta palavra singela
Que aprendi de tenra idade,
É de todas a mais bela,
A que dá mais felicidade.

Pequena no seu formato,
Fácil de pronunciar,
Mas de sentido mais lato,
P’ra quem souber meditar.

Foste luz, foste farol
Que iluminou o meu ser,
Da mesma forma que o sol
Existe para aquecer.

Foste o carinho, a ternura,
Deste-me sempre calor,
Sou feliz pela doçura
Que brota do teu amor.

Quero aqui manifestar
Toda a minha gratidão,
Pelo que soubeste dar
Do fundo do coração.

30 abril 2008

25 de Abril

Em Abril o sol raiou,
Sobre um denso nevoeiro,
Viu-se o país por inteiro,
Foi quando tudo mudou.

Terminou a tempestade,
Vimos cravos a florir
E um povo a sorrir,
Num gesto de felicidade.

Nasceu de novo a esperança,
De vivermos numa terra
Onde não houvesse guerra,
Em que reinasse a bonança.

O povo saiu à rua
Para viver o momento,
Mostrando o contentamento
P'la liberdade ser sua.

Era mesmo a primavera
Que pairava na Nação,
Prometendo um grande verão,
Que antigamente, não era.

Vivemos lindos momentos,
Cantamos belas canções,
Muito boas emoções,
Grandes acontecimentos.

Mas o Outono viria
Ameaçando o Inverno,
O que parecia eterno,
Já nunca mais o seria.

Vêm chuvas, trovoadas,
Fortes rajadas de vento
Devolvendo ao pensamento,
As tempestades passadas.

Foram sonhos coloridos,
Com cravos bem perfumados,
Que depois de abandonados,
Nos deixaram deprimidos.

Vamos todos dar as mãos
E procurar conquistar
A vontade de lutar,
P'la grandeza da Nação.

Que Abril não seja um mito,
Mas um marco na história,
Que nos fique na memória.
Deixo aqui um forte grito!

14 março 2008

Que país é este!


Tenho cada vez mais dúvidas sobre o país em que vivo. São frequentes os indicadores contraditórios sobre o estado da Nação, o nosso nível de vida, a nossa evolução ou mesmo as perspectivas em relação ao futuro.
É normal verificarem-se estas disparidades nos debates entre governo e oposição, sendo-nos transmitido por uns a ideia de vivermos num verdadeiro oásis, enquanto outros nos mostram um país em plena derrocada.
Tal como acontece com as sondagens efectuadas por ocasião das greves da função pública, também aqui não são credíveis qualquer uma das posições assumidas pelas entidades envolvidas.
Haverá sempre aspectos positivos e negativos por melhor que seja a actuação de um executivo. Há sempre muito por fazer e consequentemente para criticar.
Independentemente das posições partidárias, tenho imensa dificuldade em saber em que pelotão nos encontramos: ultrapassados constantemente por outros parceiros, ou se já fomos absorvidos pelo carro vassoura, sendo assim eliminados da competição. Penso que dificilmente teremos condições para competir com os outros participantes, dado não possuirmos uma equipa homogénea e equilibrada.
Se é verdade possuirmos alguns bons “trepadores”, por norma posicionados no topo das grandes empresas públicas e privadas, temos depois um elevado número de “roladores”, que nem sequer têm direito ao normal abastecimento, não tendo por isso forças para se aguentarem em prova. Por outro lado, também dispomos de alguns excelentes “sprinters” que conseguem boas posições nas etapas com chegada a S. Bento, Belém e Estrasburgo, mas ao mesmo tempo, muitos são empurrados para a berma, não dispondo sequer de carros de apoio para lhes prestarem os primeiros socorros. Há poucos anos, conseguimos um prestigioso prémio de montanha conquistado em Bruxelas, mas nem assim fomos capazes de sair dos últimos da geral.
É evidente que com tais disparidades, nunca conseguiremos ter um conjunto capaz de lutar pelos mesmos ideais.
Seria justo atribuir o prémio da combatividade à função pública, sacrificada nos últimos anos e grande responsável por não existir um maior atraso em relação aos outros competidores.
Penso faltar uma estratégia de forma a dar a todos possibilidades de poderem contribuir para o maior sucesso na prova.
Conseguimos com êxito, organizar e participar recentemente em Lisboa, no prólogo do que será a nova competição, agora com 27 equipas e com um novo figurino.Oxalá a nossa equipa seja mais ambiciosa, não se envaidecendo apenas com a organização de grandes eventos para os quais não dispomos de recursos, mas proporcione a todos melhores condições para que no futuro possamos ficar mais próximos do pelotão da frente.

08 março 2008

Dia Internacional da Mulher

Faz hoje um ano que escrevi neste blog um poema sobre a mulher. Procurei retratar nesse texto as duas faces algo misteriosas e contraditórias, deste ser maravilhoso que Deus colocou na nossa companhia. Seria impensável imaginar um mundo sem mulheres, não só pela impossibilidade de concepção, mas também pelo sorriso, pelo carinho e pela meiguice que normalmente sabem conceber, dando à vida outro colorido e outra beleza, que não seriam possíveis vislumbrar num mundo apenas de homens. Talvez por isso, ainda se justifique este dia internacional.
Há várias décadas, a mulher lutou pela sua emancipação, conseguindo afirmar-se nos mais diversos domínios. Hoje vemos o sexo feminino representado ao mais alto nível em todos os sectores da vida social e política. Porém, a mulher nunca poderá ser igual ao homem, pois além das diferenças na sua anatomia e fisionomia, existem inúmeras diferenças na maneira de estar, de agir e de sentir. Ambos os sexos têm as suas características próprias que definem o ser homem ou mulher, por isso é normal que tenham tendências e aptidões distintas.
Penso que actualmente, a mulher não tem razões para se sentir discriminada, bem pelo contrário, na medida em que nós homens nunca tivemos um dia internacional. Será um dia, mais para pôr à prova os verdadeiros homens, aqueles que se preocupam com a sensibilidade e ternura das mulheres e que neste dia as procuram homenagear ou apenas felicitar, o que para elas é motivo de orgulho e de grande satisfação. Para aquelas que o merecem e que sabem ser fiéis às causas que abraçaram vai a minha admiração e apreço, com especial destaque para aquela que me proporcionou o dom da vida.

26 fevereiro 2008

Desabafos inconscientes

Torna-se para mim, cada vez mais difícil escrever e dar continuidade a este espaço, criado ocasionalmente, mas que apesar de tudo continua a ter bastantes visitas e alguns estimulantes comentários.
A net é talvez o principal responsável por tudo isto, na medida em que a procura de novas amizades e o seu natural sustentamento, me impede muitas vezes de acompanhar de perto a actualidade de forma a poder ter uma opinião mais ou menos consistente sobre os mais variados temas sociais. Serei talvez compensado pelos novos amigos quando tenho a sorte de encontrar pessoas que nos podem valorizar pela sua experiência, ou conhecimentos e em quem podemos confiar plenamente. Claro que tudo isto implica os seus riscos, que muitos preferem não correr, mas que muitas vezes são bem reconfortantes.
A Internet traduz um pouco o que se passa no dia-a-dia com as pessoas com quem convivemos ou simplesmente tomámos conhecimento. Penso mesmo que aqui são maiores as vantagens, pois não nos dispersamos nas aparências físicas, mas concentramos toda a nossa atenção inicialmente na sua personalidade e numa segunda fase, no seu carácter. É óbvio que as pessoas poderão não ser iguais a si próprias, mas isso também acontece na vida real. Quantas desilusões e traições já nos fizeram as pessoas que vivem ao nosso lado! Quantas vezes fomos discriminados, ou mesmo rejeitados, pela nossa deficiência, a nossa raça, ou apenas aspecto físico!
A net é uma aldeia global onde as pessoas estão mais próximas e por isso mais à vontade para novos relacionamentos. O facto de não estarmos face a face, permite normalmente que as pessoas soltem mais facilmente as suas emoções e frustrações. Por algum motivo, conhecem-me melhor alguns amigos da net do que a maioria dos colegas com quem convivo diariamente.
A Internet, tem como tudo, vantagens e contras, exigindo por isso as cautelas que devemos ter noutras situações tendo a grande vantagem de podermos estar em qualquer parte do mundo, sem termos em risco, pelo menos no imediato, a nossa plena integridade física.
Devemos sim, saber usá-la e doseá-la para nossa valorização.

28 novembro 2007

Do Clássico ao Pimba

Terminada a época de concertos da principal orquestra sinfónica da Federação Portuguesa de Futebol, os portugueses sentem-se um pouco defraudados pela falta de qualidade dos mesmos, comparativamente com épocas anteriores. Foi notória uma enorme desafinação nos seus violinos, trompas e clarinetes, bem como a prestação dos nossos consagrados solistas. Desiludiram-nos essencialmente as actuações realizadas perante o seu público e o desnorte do seu maestro, chegando mesmo a arremessar a sua batuta. Foi mau de mais, para um grupo de tão bons executantes de quem se exigia muito.
Apurada, apesar de tudo, para a grande gala a realizar no próximo verão também no país capital da música, a nossa orquestra terá de afinar instrumentos, ensaiar partituras para que possamos defender os honrosos pergaminhos conquistados em anteriores edições. De outra forma, arriscámo-nos a desiludir o mundo, com mais uma insípida execução de rap, ou de música pimba.

23 novembro 2007

Viver

Quem gostará de viver
Sabendo que vai sofrer
Ao longo da sua vida?
Com lamúrias e desgostos,
Lágrimas pelos seus rostos
À espera da despedida!

Quem gostará de viver
Sem saber o que vai ter,
Lidando com a incerteza?
Poder ficar sempre pobre,
Ou tornar-se muito nobre
Dono de grande riqueza!

Quem gostará de viver
Quando pode acontecer
A maior calamidade?
Que nos pode destruir
E não deixar atingir
Toda a nossa felicidade!

Quem gostará de viver
Sabendo que vai morrer
Quando menos o espera?
Vivendo na ilusão
Do que parece paixão
Não passar de uma quimera!

Quem gostará de viver
Sujeitando-se a correr
Todas estas situações?
Tanta contrariedade,
Limitando a felicidade,
Ao redor dos corações!

Vou tentar dar a resposta
Perguntando se alguém gosta
De viver desta maneira?
Mesmo tendo de sofrer
Todos irão responder
Vale a pena esta canseira.

Caros leitores

Após 39 semanas, nasceu de parto normal a visita nº 1000 deste blog. É sem dúvida motivo de orgulho para os seus progenitores, que nunca pensaram alcançá-la, mas graças à dedicada colaboração dos seus leitores foi possível concebê-la.
O êxito de um blog, não se deve apenas a quem o elabora, mas também a quem o visita e nele participa com os seus comentários. Não me sentiria motivado sem a vossa participação activa. É um privilégio poder transmitir o que me vai na alma, sem estar sujeito à mão pesada da censura, mas muito mais estimulante é sentir o feedback do que escrevo.
Peço a ajuda de todos para que possa continuar a ter inspiração e estímulo para poder dar corpo a este rebento de que todos somos responsáveis.
Obrigado a todos.

31 agosto 2007

Do religioso ao profano

Inseridos num país tradicionalmente católico, apesar da avassaladora onda de seitas que nos ultimos tempos têm penetrado na nossa sociedade, não admira que o nosso povo queira prestar homenagem à Virgem, nos seus mais variados apelidos e àqueles que mereceram a honra de estarem nos nossos altares.
Assim, de norte a sul, as nossas aldeias, vilas e cidades, são revestidas de um maior colorido e de grande animação, ao que não são alheios os nossos emigrantes, não só com a sua preciosa ajuda, mas também, normalmente, com a sua presença. São as "vacances" junto dos seus familiares e amigos!
Pena é, que estas festas, sejam normalmente apenas palco de diversão e montra de vaidades, esquecendo-se o espírito de humildade daqueles cujo nome serve de pretexto para profanar as referidas cermónias.
Vem a propósito recordar o que se passa com muitas das procissões das nossas aldeias, que mais parecem desfiles de puro folclore, em vez de manifestações de fé em honra de quem se devia venerar.
Não é menos frequente, vislumbrarmos chorudas notas no andor do padroeiro, colocadas de preferência aos olhares atentos dos populares.
Cristo, quis dar-nos o exemplo de humildade, nascendo numa simples mangedoura, em vez de procurar palácios sumptuosos. Não é através da posse de muitos bens materiais que alcançamos a verdadeira riqueza, mas sim pela forma simples e humilde como aceitamos o que possuímos.
Saibamos pois, distinguir a diversão da oração, o material do espiritual e a mensaem de Deus dos inimigos do Homem.