10 outubro 2011

Madeira continua a ser um Jardim

Apesar de repleta de ”buracos”, e com “rosas” bastante mais murchas, a Madeira continua a ser um Jardim, com Alberto João a manter a maioria absoluta, embora com resultados bem mais modestos do que nos últimos actos eleitorais.
De características peculiares e num estilo muito próprio, sem papas na língua, o presidente do governo regional da Madeira continua a ser o maior “dinossauro” do nosso regime político. Sem estar isento de erros e de alguns comportamentos menos transparentes, Jardim conseguiu fazer da Madeira a segunda região mais desenvolvida de Portugal em contraste com algumas regiões do continente, que também bem esburacadas continuam a ser das mais atrasadas da União Europeia.
Poucas serão as autarquias que não se encontram em situação extremamente difícil e que assistem à sua desertificação em virtude de os seus habitantes não encontrarem na sua terra natal, meios de subsistência. O mesmo se poderia afirmar em relação ao anterior governo Português que nos deixou numa situação económico -financeira verdadeiramente desastrosa.
Não me cabendo defender Alberto João Jardim, também com algumas culpas no cartório, parece-me ter sido mais um excelente aluno do despesismo e da irresponsabilidade, como aconteceu com a maioria dos nossos políticos e da generalidade dos portugueses, que se habituaram desde há muito a viver acima das suas possibilidades.
“Quem estiver inocente, atire a primeira pedra”.

05 outubro 2011

Um exemplo de coragem e simplicidade a seguir!

Tenho, como privilégio, a sorte de ter como minha melhor amiga, um verdadeiro talento de coragem e de capacidades múltiplas, aliados a um misto de bondade e simplicidade, que muito me orgulha e cada vez mais raras de encontrar.
Nascida a 5 de Abril de 1932, na freguesia de Leomil, concelho de Moimenta da Beira, parteira de profissão, a sua vida foi repleta de enriquecedoras experiências que fizeram dela a “Madre Sara” dada a sua disponibilidade e bondade. Aposentada já há alguns anos, começou a perder a visão, dispondo actualmente de pequenos resíduos visuais que apenas lhe permitem ver vultos e cores mais intensas.
Apesar da sua idade já avançada, a “Madre Sara” demonstrou sempre uma jovialidade invejável, nunca se deixando abater pelas contrariedades da vida. Não podendo ver o mundo com os olhos do corpo, passou a vê-lo de uma forma mais profunda, com os olhos da alma.
Vem a propósito deste apontamento, uma cerimónia cheia de simbolismo realizada no passado dia 30 de Setembro, na biblioteca municipal de Moimenta da Beira, com a presença honrosa do Presidente da Edilidade, onde foi apresentado o seu primeiro livro de “pequenas rimas”, como a autora lhe chama, ao mesmo tempo que eram expostos alguns quadros de sua autoria, onde demonstra todo o sentimentalismo e a grandeza como passou a ver e a sentir as coisas.
Ficamos à espera das suas memórias onde todos poderão conhecer melhor o carácter e a personalidade de uma Mulher que não teve medo de nada, mesmo de ficar privada do sentido dos sentidos.

Obrigado “Madre Sara” pela sua dedicação e pelo seu exemplo de coragem.

Nota: A referida obra tem o título “Pinceladas” e a autora é Sara Lourenço.
Estão previstas para breve mais duas apresentações da mesma obra na Delegação da ACAPO de Viseu onde a autora é dirigente e no sindicato dos enfermeiros na cidade do Porto onde é sócia honorária.

18 setembro 2011

Tabuaço - Ensino de cara lavada, mas com cheiro a transpiração

A exemplo do que tem vindo a acontecer por todo o país com a construção de centros escolares a fim de suprimir o encerramento maciço de escolas do 1º ciclo, a Vila de Tabuaço foi também contemplada com um moderno e espaçoso edifício para as crianças do 1º ciclo e jardim-de-infância, situado junto à escola Abel Botelho, onde já funcionavam o 2º e 3º ciclos e o secundário. Ficamos assim, com um complexo escolar que muito nos orgulha e que pode responder às necessidades deste concelho.
De visita recente a este distrito com o objectivo de inaugurar outros espaços similares, estiveram o Senhor Primeiro Ministro e o ministro da Educação, que estranhei não se terem deslocado a Tabuaço para procederem à inauguração do mesmo. Não terão as ditas individualidades tido consideração pelos Tabuacenses, ou não terão sido convidados pela autarquia? Teria sido mais que oportuna as suas visitas principalmente pela situação conturbada que se vive há mais de um ano, entre a Direcção da escola e a Câmara Municipal.
Todos têm sido prejudicados com este impasse que nada beneficia o funcionamento da escola, nem a imagem do Município com grandes responsabilidades na educação e no normal funcionamento dos seus estabelecimentos de ensino.
Na escola Abel Botelho, sede do agrupamento, podemos constatar uma redução drástica de cerca de 50% do seu pessoal auxiliar havendo na presente data cerca de uma dúzia de assistentes operacionais ao serviço. Em contraste com estes números, tivemos um acréscimo de administrativo idêntico em termos percentuais, num total de 11 assistentes em actividade.
Algo está mal na distribuição do pessoal desta escola não podendo de forma alguma funcionar como seria desejo de toda a comunidade escolar.

30 agosto 2011

Bem-aventurados os ricos solidários porque deles é o reino dos Céus

Sendo cada vez maior o fosso entre pobres e ricos e mais elevado o número de grandes fortunas e de pessoas abaixo do limiar de pobreza, impõem-se cada vez mais políticas no sentido de criar uma maior justiça social. A classe média tende a desaparecer dado ser a mais atingida com os efeitos da crise económica. Difícil controlar e contabilizar os rendimentos do trabalho de algumas profissões liberais, de alguns trabalhadores independentes e de alguns empresários, a carga fiscal recai sobretudo sobre os que trabalham por conta de outrem, impossibilitados de fugir aos impostos. São assim os mais desfavorecidos e mais sacrificados que têm de pagar a crise.
Quero aqui realçar com admiração e entusiasmo a posição dos detentores das maiores fortunas de França e dos Estados Unidos que tiveram a iniciativa de sugerir a criação de um imposto extra sobre as maiores riquezas. É lamentável que os países com maiores dificuldades económicas ainda não tenham tido a coragem de o fazer e optem por penalizar os mais pobres. Seriam certamente bem aceites pela maioria dos portugueses, essas medidas. Porque não é criada uma taxa extra do IVA para produtos de luxo e alta gama, em vez de aumentar a taxa de produtos essenciais? Porque não se pedem mais sacrifícios aos que mais podem? Estarão os nossos políticos a defender os seus bens e os seus rendimentos? Ou estarão comprometidos com o grande capital? Espero que o nosso governo se apresse a imitar o governo francês e aplique um imposto aos grandes magnatas de Portugal.
Chocaram-me as palavras do homem mais rico do nosso país, quando abordado sobre este assunto. “Não me considero rico, mas apenas um trabalhador”. Ele lá sabe, pois o dinheiro não é tudo, nem sequer o mais importante da vida.

25 agosto 2011

Arbitragem ao rubro

Começou agitada a nova época futebolística no que diz respeito à sempre polémica arbitragem. A falta de resultados positivos por parte de quem investiu o que não tinha e a urgência de conquistar vitórias mostrando à massa associativa a disposição de discutir o título, levou a declarações que não foram bem recebidas pelo árbitro João Ferreira e consequentemente pela classe a que pertence.
Este facto, deu origem à ausência da equipa de arbitragem no jogo Beira Mar-Sporting, acabando o mesmo, por ser dirigido por um árbitro dos escalões secundários.
Quando se pretende estabilidade no nosso futebol, rico em acontecimentos sui generis, parece-me exagerada a posição de João Ferreira e seus parceiros. As afirmações dos elementos de Alvalade, não foram violentas, longe disso, que justificassem uma posição tão radical, logo à 2ª jornada.
Penso que a comissão de arbitragem também não esteve bem, ao aceitar de uma forma impune, a recusa dos juízes de campo em comparecerem ao jogo. O que aconteceria se alguns jogadores se recusassem em jogar ou ao treinador em ir treinar? Ou se qualquer trabalhador se recusasse a ir trabalhar sem apresentar atestado médico? Os árbitros apesar de semi-profissionais, não deviam poder recusar-se a arbitrar, só porque não gostaram de declarações de algum agente desportivo. Já não teríamos governo há muito tempo se os nossos governantes procedessem dessa forma. Vivemos em democracia, por isso temos o direito de manifestar a nossa opinião, desde que o façamos com respeito e educação.
Esta é a minha opinião pessoal e estou à vontade para a manifestar, na medida em que não sou adepto do clube em causa.

27 julho 2011

Uma vida a dois

Há mais de uma década, tive a pretensão de escrever um livro com este título, baseado na minha experiência de vida e em alguns textos que li sobre a matéria. Com grande pena minha, a ideia não passou de um reduzido rascunho de folhas soltas, dado o meu poder de síntese e a dificuldade em desenvolver um tema. Resta a esperança de mais tarde, caso chegue à idade da minha reforma com a lucidez para o fazer, conseguir abordar tão complexo assunto.
Cada vez é mais difícil tratar esta matéria, dadas as mutações sociais verificadas nos últimos anos na nossa sociedade. No entanto, nunca foi tão necessário falar dela e procurar encontrar soluções para uma sã convivência dos casais.
Não pretendo apresentar soluções milagrosas, pois também falharam no meu caso concreto, mas apenas expressar o que me parece primordial sobre a mesma.
Uma vida a dois, implica partilha, tolerância e cedências de ambas as partes. Implica bom senso, confiança e muito diálogo. Cada ser humano tem a sua personalidade e o seu carácter. Cada um tem os seus gostos, os seus hábitos e a sua forma de estar na vida. Cada um tem os seus defeitos e as suas qualidades. Por isso tem de haver um esforço mútuo no sentido de se ajustarem um ao outro para que haja harmonia e bem-estar. Uma vida a dois, faz sentido quando cada um representa uma mais valia para o outro. As vicissitudes da vida, o stress do quotidiano e a desvalorização dos grandes valores humanos, têm contribuído para que cada vez seja mais difícil conseguir um entendimento entre as pessoas que diariamente têm de conviver debaixo do mesmo tecto.
O homem é um animal social que tem de saber viver em sociedade não podendo impor sempre a sua vontade e os seus caprichos. Temos de respeitar a liberdade dos outros e deixar imperar o bom senso.
O Amor terá de ser a chave mestra de uma relação a dois, mas obedecendo sempre aos princípios de uma sã convivência atrás mencionados, tendo como grandes pilares o diálogo e a mútua confiança.
Haveria muito mais a dizer sobre o assunto, mas este espaço não o permite.
Espero ter ajudado a reflectir sobre o que implica uma vida a dois, embora tenha consciência que não descobri nada de novo, mas muitas vezes esquecemo-nos de pôr em prática.

01 julho 2011

Tabuaço - Festas do concelho

Apesar da crise, o S. João não foi esquecido no concelho de Tabuaço, tendo sido festejado com um entusiasmo contido, mas com uma grande participação popular.
Foi com bastante agrado que assistimos à participação da maioria das freguesias, quer nas marchas populares, quer na procissão, quer no festival de karaoke. É de aplaudir a iniciativa da Câmara Municipal e a colaboração das Juntas de Freguesia que na sua generalidade, estiveram presentes procurando fazer o seu melhor. Estas são de facto as verdadeiras Festas do Concelho e não apenas da vila de Tabuaço, como acontecia anteriormente. O S. João não se identifica com escolas de samba e outras manifestações de puro folclore, mas sim com a vivência e alegria das nossas gentes.
Estou convicto de que no futuro, o bairrismo de todos, irá melhorar ainda mais os vários desfiles numa verdadeira demonstração da imaginação e capacidades dos seus habitantes.
Também é de salientar a hora a que saíram as marchas cumprindo quase com total rigor o horário anunciado.
Dada a pequenez da nossa vila, parece-me vantajosa a concentração de todos os festejos, bem como espaços de lazer, na Avenida principal, onde nunca faltaram momentos de animação mesmo enquanto as pessoas se deliciavam com a tradicional sardinha assada, ou outros petiscos da região.
Depois de 2010 ter sido o ano de transição e adopção deste novo figurino, 2011 foi de facto o ano da consolidação do mesmo, com maior rigor e maior participação.
Estão de parabéns quantos contribuíram para a valorização das nossas festas. Com a colaboração de todos, podemos ainda fazer melhor projectando assim o nosso concelho trazendo até nós mais visitantes.

17 junho 2011

Santos Populares

Santo António é o primeiro, Famoso casamenteiro,
Saudado na capital.
Lembrado noutras cidades,
Com grandes festividades,
Não ser ele de Portugal!

São João o mais gaiteiro,
Optou por ser tripeiro,
Com sede nas Fontainhas.
Festejado em todo o norte,
Onde a tradição mais forte,
É a broa e as sardinhas.

São Pedro vem a fechar,
Estes dias de reinar,
Dias de grande folia.
Foram muitas as noitadas,
Bailes e sardinhadas,
Dias de grande alegria.

Não faltaram procissões,
Entre muitas devoções,
A quem mereceu os altares.
Houve marchas e balões,
Concertos, muitas canções,
São os Santos populares.

Este imenso colorido,
Põe o povo divertido,
Afugentando a tristeza.
Alivia as depressões,
Esquecemos os “tostões”,
Dá-nos nova fortaleza.

Mais um ano há-de vir,
Tudo se irá repetir,
Talvez com maior fulgor.
Haverá animação,
Mesmo que esta Nação,
Não pareça estar melhor!

09 junho 2011

“Portas entreabertas a Coelho”

Decidida nas urnas uma maioria centro-direita, cabe aos seus líderes um entendimento para um governo conjunto; PSD CDS.
Portas apesar de ter eleito mais 3 deputados, ficou um pouco aquém das expectativas em função do voto útil a favor de Passos Coelho. A vontade férrea de afastar Sócrates, levou muitos admiradores do líder do CDS a votar nos sociais-democratas.
Paulinho das feiras, consciente dessa vontade de parte do eleitorado e sabedor da importância do seu partido para a formação da nova equipa governamental, vai certamente exigir uma maior representatividade no próximo governo do que mostra a simples frieza dos números. Não vai ser fácil Coelho abrir as “portas” de par em par para conseguir um acordo que lhe seja favorável. Terá de evitar alguns “passos” para que o país não seja vítima de um impasse que a situação económica não permite.
Teremos oportunidade de verificar qual o mais patriótico que vai pôr os interesses da Nação acima dos interesses do seu partido.
Não é altura para os seus dirigentes perderem tempo com pequenos trocos ou simples quezílias partidárias.
É tempo dos nossos políticos procurarem recuperar a falta de credibilidade e mostrarem aos portugueses que se candidataram para ajudar o país a sair da crise em que se encontra e não por outros interesses de ordem pessoal ou partidário.

07 junho 2011

PSD de Tabuaço indiferente à vitória de Coelho

Depois de uma vitória bem expressiva dos sociais-democratas e do consequente óbito político do eng. Sócrates, virou-se uma nova página na história da nossa democracia, criando-se condições para a formação de um governo maioritário de centro-direita chefiado por Passos Coelho.
Perante tais resultados, esperava que os seus aliados bem como os inimigos de Sócrates se manifestassem ruidosamente pelas ruas desta vila a exemplo do que tem acontecido após outros actos eleitorais e noutras localidades. Fiquei por isso surpreendido quando ao longo da noite apenas ouvi uma buzina algo envergonhada por não ter adesão ao seu apelo.
Será que o PSD apenas se manifesta perante as vitórias caseiras, sem dúvida as mais apetecidas e lucrativas, ou os seus apoiantes são alérgicos ao pelo do “coelho”? Não quero pensar que não o fizeram em virtude da autarquia ser de outra cor e por isso não queiram assumir a sua opção partidária!
Estou certo que o mesmo não aconteceria se voltasse a ganhar o partido socialista.
Apesar de ser muito importante o governo do nosso concelho, é muito mais relevante o destino da Nação. Não foi nada patriótica e solidária para com o seu líder a indiferença dos sociais-democratas deste concelho, face à indiferença perante a grande vitória do seu partido, numa das mais importantes eleições legislativas após a revolução dos cravos.

05 junho 2011

Coelho mais veloz com Portas abertas a uma coligação

Mais uma vez, o povo português mostrou grande maturidade política, ao decidir nas urnas o futuro da governação do nosso país.
Conscientes dos erros do passado, os eleitores resolveram penalizar o desgoverno de Sócrates e dar nova oportunidade ao centro-direita, procurando mais estabilidade para a resolução dos graves problemas da Nação.
Coelho, apesar de alguns ziguezagues no início da campanha, conseguiu com a sua velocidade superar a “matreira raposa” que se distraiu um pouco obcecada com o PEC4.
Abriram-se assim as “portas para a formação de um governo maioritário, PSD-CDS que poderá ser uma nova esperança para dar um novo rumo a um país afogado no abismo.
Resta-nos que os dois partidos se entendam e formem uma equipa coesa e competente, onde os interesses nacionais superem os interesses pessoais e partidários.

01 junho 2011

Os cegos também vêem

Se é verdade que é através da visão que temos a faculdade de percepcionar os objectos e tudo que nos rodeia, não é menos verdade que pudemos ter alguma percepção dos mesmos através dos restantes sentidos. Isto equivale a dizer que não vemos apenas com os olhos como aliás pensa a generalidade das pessoas. Os cegos, privados desse importante sentido, são obrigados a desenvolver os restantes de modo a tirar o maior partido deles. Deste modo, conseguem “ver” o que muitas vezes escapa aos normovisuais.
Assim, através da fala, dos passos, ou até mesmo pelo perfume, eles vêem quem se aproxima. Pelo tacto conseguem identificar e distinguir os objectos. Conseguem distinguir as suas peças de vestuário embora não saibam a sua cor.
Costumo dizer em ar de graça, que os cegos vêem mais do que as outras pessoas, na medida em que conseguem ver tanto de dia como de noite, enquanto os normovisuais ficam totalmente perdidos e desorientados quando não têm luz.
Para aqueles que ao longo da vida perderam a faculdade de ver, mas que já tiveram um contacto directo com o ambiente que nos rodeia, é mais fácil percepcionar as coisas, dada a sua memória visual que lhe permite visualizar com mais rigor o que lhes é mostrado ou descrito.
Para os cegos congénitos, as coisas são um pouco diferentes, pois as imagens que visualizam são as que foram criando ao longo dos anos através do contacto com os objectos e da descrição que lhes tenha sido feita pelas pessoas que vêem.
Para além desta visão, poderíamos falar de outra, que tem a ver com a maior facilidade que normalmente os cegos têm em conhecer alguns aspectos da personalidade dos seus interlocutores, na medida em que a sua atenção não se perde na observação das suas fisionomias, mas concentra-se exclusivamente no diálogo que trava com os outros.

29 maio 2011

Sondagem da U.L. (Universidade de Longa) em colaboração com o "Jornal da Caserna de Tabuaço"

PSD “Pessoas sensatas e democráticas” .... 35,8 %

PS “Pessoas satisfeitas”…. 33,2%

CDS “Cidadãos descendentes de Salazar”…. 14,6%

CDU “Cidadãos desviados do universo”…. 8,1%

BE “Bloqueados de esquerda”…. 7%

Outros partidos…. 1,3%

NOTA: Esta sondagem foi efectuada em plena campanha entre os dias 27 e 29 de Maio, num universo de 1490 telefonemas. A margem de erro é de 0, 0001%

A referida sondagem tem apenas carácter lúdico, não querendo ferir susceptibilidades.

Resposta Fictícia à minha Carta Aberta ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Tabuaço

Caro munícipe

Li atentamente a carta aberta que me dirigiu, que desde já agradeço e passo a responder.
Em relação à sua carta fechada de 9 de Fevereiro, que diz não ter obtido até à data qualquer resposta, tenho a informá-lo que respondi à mesma, no passado dia 30 de Fevereiro do corrente ano, pelo que a ausência da sua recepção, terá a ver com algum atraso dos CTT, ou ao seu desaparecimento na escola, onde já é habitual desaparecer quase tudo, talvez por obra e graça do Abel Botelho.
Aconselho-o, por isso, a dirigir-se à secção de perdidos e achados dessa escola.
Refere que pouco mudou neste curto espaço do meu mandato. Lamento não ter mencionado as “melhorias”verificadas na própria escola secundária, onde trabalha, onde tudo passou a funcionar na perfeição e se vive um ambiente de perfeita harmonia, o que já não acontecia há longos anos.
Em relação à sua crítica ao aumento de obesidade do executivo camarário, talvez a mais justa, já foi aberto concurso para colocar uma nutricionista, ainda não tendo sido o lugar ocupado, em virtude das candidatas concorrentes, não disporem de cartão “rosa”.
No que diz respeito às piscinas cobertas e à biblioteca, não são infra estruturas prioritárias, pelo que apenas serão inauguradas nas próximas eleições autárquicas a fim de podermos mostrar alguma obra feita.
Não estou esquecido das suas sugestões sobre melhorias nas acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida, mas compreenderá que esses melhoramentos não conquistam votos dado beneficiarem um número muito escasso de eleitores.
Em relação às classificações do pessoal não docente da escola Abel Botelho, é sem dúvida um dos grandes problemas que tenho a resolver, pois dado à sua coragem e valentia, todos mereciam excelente, mas como sabe, devido às quotas, não é possível fazê-lo.
Caro munícipe, descanse que este concelho não irá desaparecer do mapa, o que tem vindo a desaparecer, são os Tabuacenses…
Agradeço a sua frontalidade, que para mim não constitui novidade, e a oportunidade de poder responder-lhe num espaço público onde os habitantes desta terra possam conhecer a minha posição sobre as questões levantadas.

Com os meus cumprimentos

Tabuaço, 30 de Maio de 2011

Pelo “Presidente da Câmara”

José Luís Lopes

22 maio 2011

Um Porto de Honra

Depois das super colheitas de 1987, 2003 e 2004, 2011 será certamente uma das melhores de toda a história do F.C. Porto.
Um campeonato sem derrotas e apenas 3 empates, o melhor ataque, a melhor defesa, uma Liga Europa e uma taça de Portugal bem como uma supertaça Cândido de Oliveira, constituem um excelente pecúlio dificilmente igualado por qualquer potência do futebol mundial. Se considerarmos a diferença pontual de 21 pontos sobre o eterno rival e mais de 30 sobre o 3º classificado, bem se poderá dizer que os portistas passearam a sua classe ao longo da prova.
Estão de parabéns todos os seus jogadores e responsáveis pelo trabalho desenvolvido e pela organização demonstrada ao longo de várias décadas.
Teremos de destacar o seu polémico e carismático presidente e o seu jovem treinador, que demonstrou grande profissionalismo e dedicação.
Uma homenagem para o Sporting de Braga digno vencido da Liga Europa, que fez uma prova espectacular face ao seu orçamento e dimensão.
Está de parabéns o futebol português pelo prestígio mais uma vez demonstrado e pelas alegrias que proporcionou a quantos vibram com os êxitos das equipas portuguesas, independentemente das suas cores clubistas.

Carta aberta ao Sr. Presidente da República

Senhor Presidente, desculpe ser o último a quem me dirijo. Não o fiz por desconsideração ou outro motivo, mas porque habitualmente fica para o fim a análise à equipa de arbitragem. Para além disso, costuma-se dizer: os últimos são os primeiros.
Não querendo pôr em causa a sua competência e actuação ao longo deste jogo político, terei de dizer que me parece estar a fazer uma arbitragem muito condescendente no aspecto disciplinar, dadas as escaramuças constantes, para não dizer violência das equipas intervenientes. Será que se esqueceu dos cartões no balneário?
Neste duelo entre “rosas e laranjas”, únicos candidatos deste campeonato, à vitória a 5 de Junho, têm sido frequentes as agressões mútuas, numa economia de cartões amarelos por vezes injustificada dados a reincidência com que se verifica essa indisciplina.
Nesta prova também com direito a transmissões televisivas, que irá escolher os nossos representantes para disputar a taça FMI, não poderá haver desatenções, pois estamos perante uma competição mais rigorosa e importante que não se compadece com falhas técnicas ou disciplinares.
Esperamos assim, que V.ª Ex.ª esteja à altura da importância de que se reveste esse jogo quer no plano político, quer no aspecto económico, pois depende do êxito na prova podermos merecer continuar entre os grandes da Europa.

21 maio 2011

Sondagens podem condicionar resultados eleitorais

Já há algum tempo, tive oportunidade de me manifestar contra a realização de sondagens em vésperas de eleições.
Apesar de terem um valor relativo podem influenciar os eleitores, mesmo em alguns casos, contribuir para o aumento da abstenção. O voto é secreto e muitas vezes, decidido à boca das urnas, por isso, tudo o que se possa prever anteriormente, poderá ser manipulado e enganador. Os partidos poderão ser beneficiados ou prejudicados consoante a intenção de voto da maioria. Com a bipolarização verificada no nosso regime democrático, em que apenas 2 partidos têm possibilidades de vencer, poderá ser ainda mais notória essa influência, funcionando muitas vezes o chamado voto útil. Saem assim prejudicados os pequenos partidos quando as sondagens apresentam resultados muito próximos entre os principais partidos. Se a diferença entre estes for bastante grande, poderá ser prejudicado o que se apresenta mais destacado, na medida em que a mobilização para os seus habituais eleitores votarem, é menor, podendo levá-los à abstenção.
Muitos mais exemplos podia mencionar, para além dos casos conhecidos em que os resultados das sondagens foram extremamente enganadores.
Não compreendo como os nossos partidos ainda não alteraram uma lei que os pode prejudicar e confundir os portugueses, dando-lhes um cenário político, muitas vezes distorcido da realidade.
Será que um dia não vamos votar porque já sabemos com antecedência os resultados das eleições?

14 maio 2011

Portas impede passos a Coelho e abre caminho a Sócrates

Não pretendendo fazer futurologia, nem assumir a condição de comentarista político, tudo leva a crer que no próximo dia 5 de Junho, o povo venha a aclamar “Barrabás”em desfavor do “senhor dos Passos”, traído de certa forma pelo seu condiscípulo “judas Catroga”.
O que muitos julgam parecer impossível, poderá ser uma realidade, caso se confirme a tendência verificada na opinião pública, de uma transferência significativa de votos do PSD para o CDS. Porta será certamente a grande surpresa destas eleições, tirando partido dos confrontos entre os dois candidatos a primeiro-ministro e do zig zag de Coelho, muitas vezes provocado pelo seu candidato à pasta das finanças.
Nada o fazendo prever, poderemos assim, ter Sócrates como vencedor do próximo acto eleitoral.
Impossibilitado de formar um governo com uma ampla base de apoio, dada a posição assumida pelos responsáveis dos restantes partidos, esperemos que “Pilatos Silva” não venha a lavar as suas mãos, mas assuma as suas funções presidenciais, não deixando que o país caia em novo vazio político, o que seria fatal para a nossa agonizante economia.
Cabe aos portugueses fazer uma análise profunda do que será menos mau para a nossa democracia, para que estas eleições não sejam mais um acontecimento despesista, mas possam ser um ressuscitar das nossas esperanças numa estabilidade política e numa recuperação económica que tanto necessitamos.

11 maio 2011

Caros leitores

Um blogue é um espaço livre de opinião, onde podemos manifestar a nossa forma de pensar sobre os mais variados assuntos, sem censura, desde que o façamos de forma educada e civilizada. Decidi criar este espaço em 12 de Dezembro de 2006, depois de ser vítima dessa mão pesada, que pensava ter terminado com a revolução dos cravos, mas que alguns conservadores ainda a praticam nos seus órgãos de comunicação social.
Só com a colaboração activa dos seus leitores, é que podemos ter feedback sobre o que escrevemos.
Satisfeito com o número de visitantes que já ronda os 6000, sinto alguma frustração pela escassez de comentários, na medida em que o blogue não tem a vitalidade que desejava.
Por esse motivo, apelava a todos que visitem este espaço, que manifestassem a sua opinião mesmo que seja contrária às ideias por mim expressas.
Peço que o façam de uma forma elevada, respeitando a opinião dos outros e com uma linguagem que não ultrapasse as margens do bom senso e da sã convivência.
Obrigado a todos os colaboradores.

08 maio 2011

Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Tabuaço

Ex.mº Senhor Presidente

Passado ano e meio da sua tomada de posse à frente dos destinos deste concelho, penso ter terminado o seu estado de graça como responsável máximo desta autarquia.
Conhecedor da minha frontalidade e espírito crítico, certamente não ficará chocado com a minha apreciação sobre alguns aspectos da sua actuação.
Decidi dirigir-lhe esta carta aberta, porque a que lhe enviei fechada em 9 de Fevereiro, não obteve, até à data, qualquer resposta.
Tal como prometeu durante a campanha, estava à espera de uma mudança, mas verifico que pouco mudou, para além das cores das viaturas municipais e da crescente obesidade do executivo camarário. Em relação à primeira, totalmente desnecessária, parece-me que faria mais sentido o cor-de-rosa, pois já diz o nosso povo; “azul e verde, escarro na parede”. Em relação à segunda, é extremamente despesista e injustificada quando assistimos a uma contínua desertificação do nosso concelho e vivemos uma crise económica de que não há memória.
Por outro lado, espanta-me que obras praticamente concluídas desde a sua tomada de posse, continuem fechadas e inactivas.
Em matéria de acessibilidades, foram inúteis as minhas sugestões, mantendo-se as coisas na mesma, quando tudo se faria em menos de um dia e quase sem quaisquer custos.
Possivelmente, já concluiu que é muito mais difícil governar do que estar na oposição a criticar, como aconteceu durante vinte anos.
Senhor Presidente, ainda tenho mais algumas questões para lhe colocar.
Como estão as avaliações do pessoal não docente da escola Abel Botelho, em relação a 2009, 2010 e 2011? Estamos a ser totalmente desprezados e prejudicados pela autarquia, que é quem diz que manda, mas que não actua. Aonde estão as competências que a Câmara diz possuir?
Senhor Presidente, a sua actuação tem sido duma passividade total. Desta forma o nosso concelho não tardará a desaparecer do mapa.
É com tristeza que vejo o nosso concelho a regredir quando tem potencialidades naturais que têm sido totalmente desaproveitadas.

Tabuaço - doenças crónicas que impedem um desenvolvimento sustentado

Situado na margem esquerda do rio Douro, numa encosta de vinhas dispostas em verdadeiro anfiteatro, atravessadas por sinuosos traços de asfalto, nem sempre bem definidos dado ao seu deteriorado estado, Tabuaço é a sede de um pequeno concelho que serve de fronteira entre o Alto Douro e a Beira Alta.
Devido ao acidentado do terreno, esta vila é privilegiada graças às deslumbrantes paisagens que pode oferecer aos seus visitantes, e ao mesmo tempo prejudicada devido às dificuldades nas suas comunicações viárias e ao reduzido espaço destinado à construção.
Estes têm sido, sem dúvida, os principais factores para a falta de desenvolvimento desta terra, integrada numa região a quem foi atribuído o galardão de Património Mundial da Humanidade. Não existindo condições para a instalação de indústrias, vivendo essencialmente de uma agricultura cada vez mais asfixiada, os seus jovens são obrigados a partir rumo a outras paragens, contribuindo para a sua desertificação.
É evidente que sem boas vias de comunicação e com uma população cada vez mais reduzida e envelhecida, não há possibilidades de progresso.
Com o turismo a bater-nos à porta, é urgente criar condições para atrairmos e recebermos os turistas que cada vez mais visitam o Douro. Precisamos de ligações mais rápidas e seguras para quem vem até nós. Precisamos de alojamentos condignos para não o fazerem apenas de passagem. Precisamos de os saber receber e mostrar-lhes o que melhor possuímos. Vamos abrir as portas ao progresso para que este concelho possa inverter os seus dados demográficos e os nossos filhos possam sentir-se realizados na terra que os viu nascer. Só assim, Tabuaço poderá sair do marasmo em que se encontra.

06 maio 2011

Troika Portuguesa na alta-roda do futebol Europeu

F.C. Porto, Sport Lisboa e Benfica e Sporting de Braga, são os ilustres representantes de Portugal na Europa do Desporto Rei, que pela primeira vez apresenta 3 equipas numas meias-finais de uma competição europeia e dois finalistas a disputar a final da Liga Europa. Acontecimento inédito no nosso futebol, merece todo o destaque e elogios, comprovando que nem tudo vai mal, neste pequeno relvado voltado para o Atlântico.Merece-nos ainda mais respeito, a formação Bracarense nada habituada a estas andanças e com um orçamento incomparavelmente inferior às restantes equipas. O facto atinge ainda mais realce e mérito para o nosso País, na medida em que as 3 equipas são orientadas por treinadores portugueses, o que comprova que o “ sucesso Mourinho”, não é mero acaso, mas sim a prova de que dispomos também dos melhores treinadores do Mundo.
Se considerarmos o que se passa na nossa vizinha Espanha, em que teve dois semi-finalistas na Liga dos Campeões, com um deles já apurado para a final e outra equipa nas meias finais da Liga Europa, não haverá grandes dúvidas de que é na Península Ibérica onde se pratica melhor futebol.
Parece-me assim, que teria sido plenamente justa a escolha da candidatura conjunta a organização do mundial de 2018 pelos 2 países ibéricos.
Valha-nos ao menos o futebol para nos dar algumas alegrias e algum prestígio além fronteiras.

03 maio 2011

O quotidiano de uma pessoa cega

Tal como acontece com as pessoas normovisuais, não podemos classificar os cegos numa só categoria. Vários factores contribuem para que sejamos todos diferentes, cada um com a sua fisionomia, a sua personalidade e o seu carácter. A cegueira embora seja igual para todos, tem efeitos muito variados, consoante a mentalidade e formação de cada um. Enquanto alguns conseguem dar a volta por cima, fazendo uma reabilitação que lhes permite uma integração social, outros ficam mergulhados na sua mágoa, sendo incapazes de reagir a tal adversidade. É evidente que o dia-a-dia de cada um deles será extremamente diferente. Será normal, cada um sentir à sua maneira as dificuldades com que são confrontados ao longo da vida. Para estes últimos, tudo é obstáculo estando dependentes de terceiros para a maioria das actividades. Por outro lado, para os que fizeram uma boa reabilitação, tudo é mais fácil, embora encontrem algumas dificuldades no seu dia-a-dia.
Assim, para além das barreiras físicas originadas pela falta de sensibilidade das autarquias e do próprio Estado e pela negligência de parte significativa de cidadãos, com os carros e outros objectos em cima dos passeios, o cego tem de enfrentar uma sociedade ainda pouco preparada para lidar com a diferença. Para muitas pessoas, a cegueira continua a ter uma carga extremamente negativa, daí os invisuais serem vistos e tratados como seres inferiores. Ainda surgem algumas situações em que os deficientes visuais são discriminados, por vezes involuntariamente, outras em que são ajudados, mas de forma incorrecta, dada a inexperiência das pessoas em lidar com estas situações.
Impossibilitados de se dirigirem às outras pessoas, as pessoas cegas têm grandes dificuldades no relacionamento social e em criar novas amizades, pois estão dependente da aproximação dos outros, que muitas vezes as ignoram e desprezam. Esquecem-se que eles têm os restantes sentidos mais apurados e que muitas vezes se apercebem da sua presença.
Estes são alguns dos problemas sentidos pelos deficientes visuais, no seu dia-a-dia que poderiam ser francamente atenuados se houvesse mais respeito e mais sensibilidade para quem se viu privado do sentido dos sentidos, a visão.

12 abril 2011

Carta aberta ao Engº Sócrates

Como candidato ao próximo acto eleitoral, não podia deixar de lhe dirigir algumas palavras.
Algumas serão de desmotivação, outras de encorajamento consoante os defeitos e qualidades que lhe reconheço.
Apesar das más opções que tem tomado e da consequente condução desastrosa à frente da Nação, admiro a sua coragem de mesmo assim ainda ter forças para se sujeitar a novo sufrágio. É sobejamente reconhecida a sua habilidade em mentir aos portugueses com discursos e entrevistas aparentemente convincentes, mas que normalmente não se aplicam na realidade. Será que os eleitores ainda não se aperceberam disso? Diz o nosso povo: na primeira, quem quer cai; na segunda, cai quem quer e na terceira só cai quem é burro.
Tem acusado a oposição, em particular o PSD por terem provocado esta crise política ao não deixarem passar o PEC4. Não terá sido o Sr. Eng. a provocar essa situação, na medida em que não deu cavaco a ninguém, inclusive ao Sr. Presidente da República, do seu conteúdo?
Apesar de todas as desvantagens que implica uma ajuda externa, não compreendo a sua teimosia em só agora recorrer ao que era inevitável e possivelmente com consequências mais gravosas para o futuro. O seu ministro das finanças dizia há alguns meses que teríamos de recorrer ao FMI caso os juros da dívida soberana ultrapassassem os 7%. A verdade é que estamos quase a atingir os 10% e foi preciso os nossos bancos colocarem-lhe a pistola a trás da orelha para tomar essa decisão.
Tenho bastante dificuldade em saber quando está a falar verdade aos portugueses, mesmo apesar do seu ar de grande seriedade.
Esperemos que o povo português saiba escolher os melhores, ou talvez os menos maus, para que o país possa sair da crise em que se encontra e os nossos filhos não tenham o futuro hipotecado.

Carta aberta a Passos Coelho

Olá Pedro!
Desculpa este à vontade no meu tratamento, mas pensava estar a escrever ao meu filho Pedro que também é Coelho, mas que apenas difere nos “Passos”, que certamente são bastante diferentes. Compreendo a tua vontade de chegares depressa ao Poder e que por isso tenhas aumentado a velocidade, mas desculpa dizer-te, parece-me que o tens feito com uma passada bastante insegura e irregular, por vezes mesmo um pouco sinuosa.
O facto de seres o líder da oposição não significa que dependes apenas de ti, como acontece no futebol, mas terás de fazer uma analogia com o ciclismo, em que o corredor tem de saber gerir as suas forças, para poder atacar nos momentos certos e decisivos.
Estou convicto que como estreante nesta prova, dificilmente vais cortar a meta com êxito dada a experiência de alguns adversários que além de serem concorrentes habituais, dispoem de equipas bastante homogéneas e lutadoras. Sabes que nem sempre podes contar com os teus colegas de equipa que por vezes se distraem e dão uma ajudinha aos adversários. Por isso, penso não teres nada a perder se abrires as “portas” a uma ajuda daqueles que noutras alturas já deram a sua colaboração. Tens de contar com a experiência do outro favorito um excelente trepador e sprinter, que vai aproveitar-se da tua inexperiência para atacar a meta, conseguindo assim a 3ª vitória consecutiva.
Penso que só “S. Pedro” e “S. Paulo” juntos poderão afastar “Satanás” e evitar que este nos dê o último empurrão para o inferno.

Carta aberta ao Dr. Paulo Portas

Na sequência das cartas dirigidas aos 2 candidatos à vitória nas próximas eleições, senti a obrigação de também o fazer em relação a si, não porque tenha algumas hipóteses em vencer esse acto eleitoral, mas porque o seu resultado pode determinar o seu vencedor.
Estou convicto que o seu partido, mais uma vez, vai ter um papel fundamental na formação do novo governo, pois não se vislumbram maiorias absolutas de um só partido, o que vai obrigar o vencedor a proceder a coligações.
Tenho de felicitá-lo e ao CDS por nos últimos tempos terem tido um comportamento e um discurso bastante coerente o que, cada vez é menos frequente na classe política. Certamente que os portugueses vão compensá-lo por isso, pois estão cansados de mentiras e de discursos pouco claros, por vezes, mesmo contraditórios. Penso mesmo, que vai ter uma votação histórica, o que é positivo para a nossa democracia, mas também poderá contribuir para o tri do engenheiro Sócrates, o que não me parece benéfico para o País. A divisão de votos da direita, só irá beneficiar o PS e o seu candidato, que não sendo favorito à partida, poderá assim conquistar nova vitória.
Compreendo que o CDS e o PSD queiram apresentar-se sozinhos nas urnas, cada um com o seu programa, podendo assim testar a sua força junto do eleitorado, mas só uma coligação pré eleitoral, poderia tirar algumas ilusões ao actual primeiro-ministro, que continua a sonhar, que apesar de tudo, ainda poderá continuar a governar o País.

05 abril 2011

Mais uma conquista aos Mouros

Depois de há 71 anos, o Dragão ter conquistado Lisboa aos Mouros na célebre batalha das Amoreiras e após estes a voltarem a recuperar com a criação do reinado da “Luz”, eis que uma nova expedição, desta vez comandada pelo vice-rei Pinto da Costa, consegue reconquistar esta importante praça.
Não foi fácil esta reconquista, pois a esquadra chefiada por Jesus era sem dúvida a mais forte dispondo de artilheiros dos mais variados países. Terminada a batalha com o abandono dos Mouros, tudo se apagou, ao mesmo tempo que se regava o campo de batalha.
O reinado da “Luz” vivia assim o maior apagão de todos os tempos. Lisboa ficava de luto face à brilhante estratégia montada pelo jovem comandante Villas Boas.
Mais uma vez, o Dragão saía vitorioso no confronto com o seu principal rival de Lisboa, voltando a assumir a sua condição normal de campeão.

26 março 2011

Uma página do meu diário

Acabo de virar mais uma página do meu calendário. O mês de Março aproxima-se do fim, proporcionando-nos uns dias em que o sol se despede mais tarde e nos oferece temperaturas mais amenas.
Inicio mais um dia de trabalho nesta rotina que nos vai saturando, dada a repetição de tarefas a que nos obriga o nosso dia-a-dia.
Depois de uma noite dominada por um sono intermitente, graças às minhas crónicas insónias, preparo-me para mais uma etapa desta prova cujo percurso e meta desconhecemos. Por esse facto, não podemos gerir as nossas forças em função dos quilómetros que faltam, mas sim dar o nosso máximo como se a meta estivesse próxima. Para além disso, temos de estar preparados para um percurso, por vezes bastante sinuoso e para a condução extremamente desastrosa de alguns com quem somos obrigados a cruzar.
Após 7 horas de trabalho desgastante e monótono, dada a falta dele, interrompidas por 90 minutos destinados ao abastecimento e pequenos afazeres, dá-se o regresso a casa aliviado da atmosfera poluída provocada pelo ambiente profissional.
Surge então a necessidade de relaxar e atenuar os efeitos nefastos provocados pelo sedentarismo da profissão, recorrendo a uma caminhada, mais ou menos longa consoante a disponibilidade e as condições climatéricas.
Depois de tudo isto, já com o depósito quase na reserva, faço o meu último abastecimento para depois me distrair um pouco junto da televisão e do meu PC.
Está assim completa mais uma etapa desta corrida desenfreada, por vezes sem sentido, que nos obriga a uma condução sensata e extremamente cautelosa, para não sermos vítimas de maiores dissabores.

Eleições à vista

Começou na quarta-feira à noite a campanha eleitoral para as eleições antecipadas, sem que o Presidente da República tenha tomado qualquer decisão. Ninguém quer perder tempo nesta corrida que se espera rápida dado o seu curto percurso.
Assim, estiveram presentes na grelha de partida, as principais marcas, para os treinos iniciais.
Podemos observar Sócrates e Passos Coelho na pole position logo seguidos por Portas, Jerónimo e Louçã.
Apesar da desastrosa participação, na última corrida, Sócrates vai de novo participar esperançado em tirar partido da inexperiência do estreante Passos Coelho. Apesar de dispor de uma máquina menos potente, teremos de contar com a experiência do concorrente habitual, Paulo Portas, que poderá ser uma surpresa. Em relação aos outros dois candidatos presentes, não terão possibilidade de chegar ao pódio dado fazerem parte de equipas mais fracas. Poderão contudo, aproximar-se dos da frente caso aproveitem bem o tempo com curtas paragens nas boxes.
Fazem-se assim, as ultimas afinações para que as máquinas estejam preparadas na hora da partida, no sentido de cada um conquistar o maior número de pontos.
Vamos assim, aguardar por esta emocionante corrida na esperança de encontrar um vencedor que mereça tais pergaminhos.

24 março 2011

Da "filosofia" de Sócrates à "astúcia" do Coelho

Depois de várias negociações e acordos no sentido de evitar uma crise política que eventualmente poderia prejudicar o partido do governo e o principal partido da oposição, eis que tudo se alterou com a súbita apresentação do PEC 4, cozinhado e levado ao forno exclusivamente pelo nosso 1º ministro, sem que tenha ouvido quem lhe ajudou a temperar e adornar as anteriores ementas e sem dar cavaco ao Presidente da República.
Coelho, cansado dos temperos cada vez mais intensos usados por Sócrates, decidiu rejeitar a nova ementa, recusando-se voltar a cozinhar.
Abriu-se assim uma nova crise justificada pelo desentendimento entre os 2 principais partidos e a arrogância de um Primeiro-ministro que se esqueceu que já não governa em maioria.
Coelho estará convicto de que a maioria dos eleitores também estarão fartos dos pratos demasiado picantes que nos têm sido servidos pelo actual governo, daí ter achado oportuno tomar esta decisão.
Tudo leva a crer, que durante algum tempo, nos iremos ver privados da verdadeira cozinha portuguesa e teremos de recorrer a chefes internacionais. Não será fácil adaptarmo-nos aos seus cozinhados, pois também costumam usar condimentos bastante fortes.
Neste jogo político, em que nem sempre estão à frente os interesses nacionais, cada um procura justificar-se atribuindo as culpas ao seu adversário a fim de conseguirem obter o melhor resultado eleitoral.
Não pretendendo ignorar as outras candidaturas, que merecem o maior respeito, teremos de escolher entre um candidato inexperiente em termos governamentais e um candidato que não tem cumprido as suas promessas e nos conduziu ao abismo em que nos encontramos.
Nas urnas será feito o juízo final e os portugueses terão a governá-los aqueles em quem depositarem a sua confiança.

23 março 2011

A crise de que ninguém fala

Não há dia em que não ouçamos pronunciar esta palavra. Não é um fenómeno novo para os portugueses, já habituados a conviver com o apertar do cinto, com as guerrilhas partidárias, com eleições antecipadas, etc.
Desta vez, dada à má política do actual governo e à crise internacional, o país encontra-se numa situação extremamente crítica com um endividamento externo galopante, dado aos elevados e crescentes juros sobre a nossa dívida soberana.
A crise económica desponta numa crise política e consequentemente numa crise social. Porém, poucos falam na verdadeira crise que está na base das que acabei de enumerar; a crise de valores e competências.
A nossa classe política está praticamente falida e desacreditada. Os interesses partidários e pessoais são prioritários em relação aos problemas da nação. Os verdadeiros valores humanos deixaram de ser referência para a conduta da maioria dos cidadãos. O nosso complexo de superioridade é cada vez mais notório, continuando o país e os portugueses a viver acima das suas possibilidades. Os mais competentes e mais sensatos, demarcam-se da podridão e dos vícios das clientelas.
Perante este sombrio cenário, é impossível ser optimista e esperar melhoras de um doente à beira do estado de coma e que teima em recusar ajuda de especialistas internacionais. Não se vislumbra um remédio para tantos males, continuando os portugueses à espera de um milagre que nos permita pelo menos, um pouco de esperança e confiança no futuro.

18 março 2011

Dia do Pai

Apesar de passar um pouco despercebido, sendo muito mais realçado o Dia da Mãe, parece-me que devíamos dar um pouco mais de relevo a este dia, também dia de S. José.
Consagrado no passado como dia Santo, hoje é um dia normal no nosso calendário.
Se é verdade que o papel da mãe é mais importante, pois foi ela a nossa primeira morada e quem nos prestou os primeiros cuidados, não podemos desprezar o papel do Pai, sem o qual não teríamos direito à nossa existência.
Homem e mulher, unidos pelo casamento, são ambos responsáveis pela nossa formação e educação. Cada um com as suas características e aptidões.
Se à mãe competem normalmente, dada a sua natureza, os cuidados mais delicados e aquele carinho que só elas sabem dar, ao Pai competem outras funções, não menos importantes, tais como: protecção, ajuda em todas as tarefas relativas ao seu desenvolvimento e integração social, apoio económico, preparar para as dificuldades futuras, etc.
O Pai é o símbolo da firmeza, do respeito e da responsabilidade. Como chefe da família tem a obrigação de dar o exemplo nas mais diversas situações, incutindo nos filhos a importância dos verdadeiros valores humanos.
Infelizmente dada a crise que a família atravessa, nem sempre existe a relação Pai e Filho que seria desejável e que se deve à desunião e desentendimento dos seus progenitores. Todavia, ambos têm as suas obrigações não devendo em nenhum dos casos, fugir delas.
Felizmente posso orgulhar-me pelo meu saudoso Pai, que sempre soube assumir a responsabilidade da minha formação moral. Não tendo oportunidade de levar a obra até ao fim, dada a sua morte prematura, deixou contudo fortes alicerces, indispensáveis para me ajudarem a superar várias contrariedades na vida.
Para ele vai a minha póstuma homenagem e gratidão por tudo o que fez por mim.

08 março 2011

8 de Março, Dia Internacional da Mulher - coincidência ou brincadeira de Carnaval?

Apesar do ano de 2011 nos aparecer de horizontes bastante carregados no aspecto económico,  prevendo-se  dias de austeridade e algumas privações, oferece-nos alguns pormenores interessantes e bastante positivos, embora nada consentâneos com a crise que afecta as nossas carteiras.
Refiro-me à distribuição de alguns feriados que nos permitem usufruir de alguns  fins de semana prolongados e em alguns casos, umas verdadeiras mini-férias.
Por coincidência ou pura ironia, até as mulheres vão poder gozar o seu dia, sem estarem sujeitas aos horários e aos afazeres profissionais dos anos anteriores. Eis que o “santo Entrudo” também quis colaborar dando-lhes tolerância de ponto. Não pretendendo ser muito abrangente e  julgar a parte pelo todo, estou em crer que algumas vão necessitar de muita imaginação para conseguirem fantasiar-se e mascarar-se, pois no seu dia-a-dia já o fazem com bastante rigor e classe. Ou será que nesse dia vão tirar a sua habitual máscara e evidenciar a sua verdadeira elegância e beleza?
Pena é que o ser mais “ perfeito” e belo que Deus pôs à superfície da terra, nem sempre saiba explorar esses dotes e opte por viver o Carnaval ao longo de todo o ano. Para essas, veio mesmo a calhar esta colaboração do “santo Entrudo” ao associar-se ao Dia Internacional da Mulher.
O dia 8 de Março é, sem dúvida, uma data de grande significado para homenagearmos as verdadeiras mulheres que no seu dia-a-dia desempenham tão bem o seu papel de mães, de  esposas como ninguém poderia e saberia desempenhar.  Para além dessas tarefas tão nobres, irradiam um misto de beleza e simpatia, transmitindo um brilho e uma sensualidade que só o sexo feminino sabe oferecer.
Para estas que sabem manter os seus valores e a sua simplicidade e não fazem da sua vida um autêntico carnaval, vai o meu apreço e admiração.    

22 fevereiro 2011

Os cegos e o mercado de trabalho

Sendo a visão considerada o sentido dos sentidos, é normal a nossa sociedade dar à sua perda uma carga bastante negativa, sendo as pessoas cegas vistas como extremamente limitadas no seu dia-a-dia, em especial quando se fala de mercado de trabalho.
Não tem sido fácil alterar esta mentalidade, apesar dos frequentes exemplos evidenciados na comunicação social, que demonstram cada vez mais a quase total autonomia dos invisuais nos nossos dias. Graças às novas tecnologias, os cegos viram os seus horizontes profundamente alargados podendo executar funções que seriam impensáveis há poucos anos.
Apesar de alguns direitos sociais que estes usufruem, muito pouco tem sido feito no sentido de sensibilizar e premiar os nossos empresários na empregabilidade dos deficientes em geral e dos cegos em particular. São bem conhecidas as suas capacidades de concentração e memorização, o que lhes permite em muitos casos, serem mais produtivos do que os normovisuais.
Se é verdade a maioria dos invisuais estarem integrados em organismos públicos, nem sempre o Estado tem cumprido a legislação existente.
Ainda persiste bastante a ideia de que os invisuais apenas podem ser telefonistas, sendo-lhes muitas vezes negada a possibilidade de exercer outras tarefas.
Com a crise laboral que atravessamos e a tendência de extinção da categoria de telefonista, prevêem-se cada vez mais dificuldades de emprego para as pessoas com deficiência visual, pelo que é urgente criar mais incentivos e estágios nas mais diversas áreas, para que eles se sintam realizados e não sejam, mais uma vez, considerados cidadãos de segunda dependentes de pensões de miséria.

28 janeiro 2011

Presidênciais 2011

No auge de um inverno extremamente rigoroso, realizaram-se no passado dia 23 de Janeiro as eleições presidenciais.
Como já seria de esperar, a escolha da maioria dos portugueses recaiu no “Cavaco”. Sem dúvida, aquele que melhor nos pode ajudar a combater o frio intenso que se faz sentir. Com esta opção terá certamente ficado bastante triste o candidato que se intitulava de mais “Alegre”.
Com uma campanha diferente e muito “nobre”, apresentou-se o grande humanista, presidente da AMI, que provou o cansaço dos portugueses pela classe política que temos, conseguindo um resultado histórico para quem pela primeira vez se meteu nestas andanças.
A jogar pela fuga à despromoção, apresentaram-se mais 3 candidatos, um por uma equipa que já nos habituou à sua regularidade, conseguindo normalmente a mesma pontuação e a já esperada permanência entre os grandes.
Mais 2 candidatos desconhecidos da maioria dos portugueses, resolveram entrar também na corrida: um “Defensor” não se sabe bem de quê, ou talvez mais atacante do principal candidato; outro correndo de toca em toca, encenando alguns sketch relativos a vários aspectos críticos da política nacional.
Mais uma vez somos obrigados a dar os pêsames ao “vencedor”, que começa a habituar-nos a várias vitórias, em actos eleitorais: “a abstenção”.
Teremos de reflectir sobre estes resultados que demonstram a falta de credibilidade da classe política, face ao desgoverno e à consequente crise económica do nosso país.
Lamentamos que muitos eleitores tenham sido impedidos de exercer o seu direito de voto, dando ainda mais força ao “partido” vencedor.
Lamento também, que mais uma vez os invisuais não tenham podido votar com total autonomia e liberdade. Todos se deveriam recusar a fazê-lo enquanto não lhes forem dadas as mesmas garantias e direitos dos restantes cidadãos. Trata-se apenas de falta de sensibilidade e de vontade política, pois seria um processo simples e nada dispendioso comparativamente com os 3 milhões de euros pagos aos elementos das mesas de voto. Recordo que muitas vezes fiz parte de mesas de voto, não recebendo qualquer gratificação por esse facto e em períodos em que não vivíamos uma crise económica tão profunda.
Assim vai este país em que os nossos governantes continuam a poupar no farelo e a estragar na farinha.

19 dezembro 2010

Natal 2010

Já muito se disse e escreveu sobre o Natal. Crónicas, canções, mensagens, enfim, tudo que serve para retratar uma quadra única no ano, não só pelo espírito de paz e amor que pretende transmitir, como também pelo movimento, pelo colorido e alegria em que nos envolve.
Tudo o que possa escrever já foi dito de forma mais eloquente por outros. Por isso, este apontamento limita-se apenas a lembrar, mais uma vez, o nascimento de Jesus Cristo que se fez homem para nos salvar.
Escolheu a forma mais simples e humilde para o fazer e toda a sua vida foi um exemplo de amor e paz.
Porém, com o decorrer dos anos, essa mensagem tão sublime que poderia mudar o mundo, tem vindo a diluir-se para se transformar numa festa cada vez mais pagã onde impera o materialismo e um consumismo alucinante. Passou-se a dar mais importância às prendas, às iluminações e aos desfiles de pais Natais nas grandes cidades, esquecendo-se por completo o aniversariante que estamos a festejar e que deveria ser o alvo de todas as atenções.
Embora ainda prevaleça um pouco o espírito de família apesar da grave crise que esta atravessa, esquecemo-nos muitas vezes, que ao nosso lado, alguns não dispõem dos bens essenciais para uma consoada condigna e outros passam esses dias numa total solidão. Por outro lado, alguns vivem esta época Natalícia de uma forma supérflua esbanjando muitas vezes o que a muitos faria falta.
Façamos do Natal uma festa simples de Paz e Amor onde todos se sintam irmãos em Cristo e procuremos pôr em prática essa mensagem ao longo de todo o ano, para que o futuro que nos espera seja mais solidário, mais justo e mais fraterno.

10 novembro 2010

Dragões asfixiam Águias

Como dragão congénito, não podia deixar passar despercebido um feito pouco vulgar no nosso futebol e penso mesmo, inédito no nosso campeonato nacional. Se é verdade que no futebol tudo é possível, a prová-lo está a recente goleada do F.C. Porto sobre o Benfica. Nada fazia prever uma vitória tão expressiva dos portistas, pese embora o bom momento que atravessam. Foi sem dúvida humilhante de mais para uma equipa que acabou de se sagrar campeã nacional e que se reforçou imenso.
Estão de parabéns os seus directores, comandados pelo carismático Presidente Pinto da Costa, o verdadeiro timoneiro desta embarcação que tantas alegrias tem dado aos seus associados e simpatizantes. Será também o momento para elogiar o seu jovem treinador, sem dúvida um dos responsáveis pelos êxitos já alcançados na presente temporada.
São sem dúvida muitas as estrelas desta constelação que tem iluminado as noites da cidade invicta, mas onde se destaca uma bem mais cintilante que tem conduzido imensas vezes a bola para a baliza adversária. Refiro-me como é evidente a Hulk, o melhor jogador do nosso campeonato e porque não dizê-lo, um dos melhores jogadores da actualidade.
Pena é que o campeonato tenha perdido o seu interesse tão cedo, pois só um verdadeiro terramoto poderá retirar o título aos portuenses.
Parabéns a todos os intervenientes nesta magnífica vitória e oxalá continuem a levar o nome do nosso país além fronteiras e prestigiar ainda mais o futebol português, se possível com a conquista da Liga Europa.

15 outubro 2010

A CEGUEIRA NÃO É UM DRAMA (15 de Outubro, Dia Nacional da Bengala Branca)

Considerado o sentido dos sentidos, a visão permite às pessoas normovisuais terem uma percepção bastante abrangente do meio que nos rodeia. Isto não significa que os restantes sentidos não tenham uma grande importância, apesar de serem desvalorizados pelas pessoas que vêem. Deste modo, quando alguém fica privado de ver, sente-se totalmente desorientado e convicto de que o mundo acabou de desabar em cima de si e que toda a sua vida deixou de ter sentido. Esta ideia errada da realidade, faz com que ainda hoje, muitas pessoas vejam os cegos como pessoas tristes e inúteis à sociedade..
Se é verdade que isto acontecia em tempos remotos, pois não existiam formas de os reabilitar e integrar na sociedade, felizmente, hoje a realidade é totalmente diferente.
Com a invenção da escrita Braille no século XIX abriu-se a primeira porta para a educação das pessoas cegas. Mais tarde, com a produção de livros em Braille e produções em áudio, passou a ser bastante diversificada a oferta de obras de vários autores nacionais e estrangeiros. A criação de centros de reabilitação e mais recentemente o aparecimento das novas tecnologias, vieram permitir uma grande autonomia aos invisuais. Desta forma a perda definitiva da visão, deixou de ter a carga negativa que tinha noutros tempos. Hoje é frequente encontrarmos cegos que se distinguem na música, no desporto, nas artes e nas mais diversas actividades profissionais. É cada vez maior o número de licenciados nas mais variadas áreas, tais como o Direito, a Psicologia, a História, a Filosofia etc.
Hoje, são sem dúvida as barreiras sociais, as principais inimigas dos cegos. É necessário continuar a mudar as mentalidades para que as pessoas não discriminem, nem olhem de uma forma diferente para aqueles que no dia-a-dia lutam por uma plena integração. É preciso que os nossos empresários lhes dêem mais oportunidades e que o próprio Estado dê o exemplo pondo em prática toda a legislação existente.
Neste dia internacional da bengala branca, vamos sensibilizar a sociedade para esta problemática de modo que os cegos cada vez se sintam mais integrados nos mais variados domínios e possam ter cada vez mais, um papel activo na sociedade.

05 outubro 2010

Amigos

São flores perfumadas,
Por nós muito acarinhadas,
A quem damos atenção.
Enriquecem nossas vidas,
Mesmo as menos coloridas,
Dão beleza ao coração.

São faróis iluminados,
Que nos levam bem guiados,
Pelos difíceis caminhos.
São assim a nossa luz,
Que por vezes nos conduz
Fugindo de alguns espinhos.

São a estrela cintilante,
Presente a todo o instante
Para nos orientar.
O seu brilho incandescente,
Faz-nos ter sempre presente,
Que vivemos para amar.

São alegres passarinhos,
Que vivendo nos seus ninhos,
Nos transmitem alegria.
Exemplos de lealdade,
Contagiam felicidade,
Nos seus voos de magia.

São crianças inocentes,
Que nos oferecem presentes,
De forma desinteressada.
São exemplos de ternura,
Que nos oferecem doçura,
De uma forma acarinhada.

26 setembro 2010

Homenagear, porquê?

Tenho vindo a fazer algum esforço para compreender a razão de ser das comemorações do aniversário de Abel Botelho, todos os anos festejado no dia 23 de Setembro.
Embora tratando-se de um ilustre filho da terra, não consta ter sido um benemérito, nem ter contribuído de alguma forma para o seu desenvolvimento. Possuidor de um curriculum que de facto nos orgulha, Abel Botelho já foi sobejamente distinguido pelos seus conterrâneos ao atribuírem o seu nome a uma escola, a uma associação juvenil, a um parque de lazer e mais recentemente a uma artéria desta simpática vila. Além disso, trata-se de uma personalidade desconhecida da maioria dos portugueses, não nos permitindo sequer tirar alguns dividendos do seu nome para a projecção e divulgação de Tabuaço. Por outro lado, a coincidência do seu aniversário com o início do ano lectivo e a época das vindimas, faz com que as mesmas comemorações passem despercebidas à maioria da população.
Julgo ter sido oportuna a homenagem ocorrida no ano transacto, data em que se assinalavam os 150 anos do seu nascimento, mas totalmente despropositada e despesista nos moldes em que tem sido feita.
Parece-me no entanto, digno de realce um aspecto positivo nesta efeméride, que é a atribuição do prémio Abel Botelho, prémio esse que se destina a incentivar e premiar os melhores alunos ao longo do ano lectivo.
Necessitamos urgentemente de promover novos eventos, mas que sirvam para tirar este concelho do anonimato e o projectem numa região com imensas potencialidades turísticas que não podemos desperdiçar.


José Luís Lopes

Nota: Este texto foi escrito em Outubro de 2006 a fim de ser publicado no Jornal Notícias da Beira Douro, do qual fui colaborador durante vários anos.
Graças à mão pesada de censura do seu director Rui de Carvalho, o mesmo nunca foi publicado e muito menos dada uma explicação por esse facto.

Esta atitude inqualificável, levou-me a deixar de colaborar com o mesmo jornal e a criar este espaço totalmente livre de censura.

11 agosto 2010

Chamas que queimam mas não iluminam

Fustigado pela onda de incêndios que tem martirizado o norte e centro do nosso país, o concelho de Tabuaço foi mais uma vez, pela negativa, cartaz na comunicação social. Lamentamos que seja necessários ocorrerem fatalidades para o nome deste concelho ser divulgado. Foram sem dúvida dias de grande preocupação e ansiedade para os Tabuacenses e populações vizinhas. O fogo, não obedecendo à intervenção humana, passeou por grande parte das suas freguesias destruindo a sua paisagem verdejante para dar lugar a uma paisagem de verdadeiro luto. A nossa floresta ficou mais pobre face aos prejuízos causados pelo mesmo.
Há que louvar a pronta e desinteressada intervenção dos nossos bombeiros e a colaboração e solidariedade demonstrada por inúmeras corporações de Bombeiros dos mais variados e distantes pontos do país. Estiveram presentes corporações de Portalegre, Castelo Branco, Santarém, Seia, entre outras.
Esperemos que no futuro Tabuaço possa ser notícia por motivos e ocorrências mais agradáveis. Temos imensas potencialidades a mostrar a quantos visitam este pequeno, mas agradável concelho, embora agora esteja privado da verdura dos seus montes e vales, mas mantendo a deslumbrante paisagem voltada para a região que o caracteriza e que fez deste concelho, Património Mundial da Humanidade.
Ponhamos os olhos num dos nossos concelhos vizinhos que recentemente participou activamente num evento que projectou e divulgou o seu nome pelo nosso país. Estou a referir-me ao início de uma etapa da volta a Portugal em bicicleta na vila de Moimenta da Beira.
Oxalá os nossos autarcas sigam este e outros exemplos dados por outros concelhos, que tal como Tabuaço, sofrem do estigma da interioridade.

22 julho 2010

TABUAÇO - um destino a conhecer

Vítima da interioridade, da desertificação e dos fracos acessos em termos de comunicações viárias, Tabuaço é desconhecido pela maioria dos portugueses. Trata-se de uma pequena vila, sede de concelho, composto por 17 freguesias, fazendo parte dos concelhos durienses a quem foi atribuído o galardão de Património Mundial da Humanidade.
Embora geograficamente pertencente ao Distrito de Viseu, este concelho, localizado na transição das Beiras com o Alto Douro, identifica-se muito mais com esta região.
Dado aos desagradáveis acessos e à sua interioridade, o sector terciário é quase inexistente, obrigando os seus habitantes à emigração e à consequente desertificação.
Situado na encosta da margem esquerda do rio Douro, a sua área fica distribuída quase na sua totalidade, entre os afluentes Tedo e Távora. Devido ao acidentado do terreno, esta vila tem algumas dificuldades de expansão, pois são reduzidos os espaços destinados à construção. Por outro lado, Tabuaço é francamente compensado pela sua beleza natural, dispondo de paisagens maravilhosas que deixam deslumbrados quantos o visitam. Tal como acontece com toda a região do Douro, este concelho dispõe de imensas potencialidades, muitas delas, longe de estarem devidamente exploradas e divulgadas.
Tendo como principais riquezas o vinho e o azeite, primando qualquer um deles pela melhor qualidade, o concelho é rico também na produção de batata, castanha, cereja a e alguns cereais.
Para além da beleza paisagística, sem dúvida o principal cartão-de-visita de Tabuaço, muitos são os motivos de interesse para um passeio extremamente agradável a este concelho. Para os apaixonados pela arte e coisas antigas, destacamos o histórico convento de S. Pedro das Águias, a Igreja românica de Barcos, monumentos nacionais, a igreja de Longa com os seus magníficos quadros pintados a óleo no seu tecto, os Santuários de N.ª S.ª do Sabroso e de N.ª S.ª da Saúde, a igreja matriz desta vila com a sua rica talha dourada e inúmeras capelas. Destacamos também a freguesia da Granja do Tedo atravessada pelo rio do mesmo nome através de uma ponte romana. Aqui, terá alguns motivos de interesse ligados ao artesanato e poderá descansar e refrescar-se na sua calma e repousante praia fluvial. Perto da freguesia de Longa, poderá ver alguns vestígios de uma citânia e muralhas fortificadas que serviam de protecção aos nossos antepassados. Existe nesta zona um menir, o segundo maior da Península Ibérica. Ao contrário do que acontece hoje na maioria das localidades, não faltam neste concelho, espaços verdes propícios muitos deles a grandes piqueniques e a bons convívios. Na vila, destacam-se o sempre refrescante parque Abel Botelho, bem como os sempre bem cuidados jardins Conde Ferreira e toda a zona envolvente do recém-criado Museu do Imaginário do Duriense, onde podemos deliciarmo-nos com a simples mas simpática fonte luminosa.
No Posto de turismo da vila de Tabuaço, encontra-se uma peça de valor incalculável, mas que infelizmente não pode demonstrar toda a sua valia. Trata-se do Rijomax, um relógio único no mundo que dispõe de imensas funcionalidades, feito por um relojoeiro da terra ao longo de mais de duas décadas. Pena é, que dado o falecimento do seu construtor, ninguém tivesse aprendido a trabalhar com o mesmo, não sendo possível mostrar aos seus visitantes todo o seu potencial. Da sua gastronomia, destacam-se cabrito assado no forno, os folares tradicionais, principalmente na época da Páscoa, o famoso Bolo Rei, entre outras iguarias.
Neste concelho, existem algumas quintas durienses, algumas delas funcionando como casas de turismo rural e onde poderá saborear o famoso vinho generoso, ou seja o genuíno vinho do Porto. Poderão ser motivos de interesse o seu centro histórico, as suas piscinas municipais, bem como outras infra-estruturas que servem os seus habitantes.
Penso ter retratado um pouco deste airoso concelho, deixando a todos que o queiram visitar, bastantes motivos de interesse. Peço desculpa aos naturais desta região, algo de relevante que tenha omitido. Se tal aconteceu, agradeço que o mencionem nos vossos comentários, a fim de que este concelho não seja prejudicado na sua imagem.

13 junho 2010

Que nos valham os Santos Populares

“Crise” tem sido uma das palavras mais pronunciadas nos últimos meses. Não podemos dizer que é um fenómeno apenas dominante dos nossos dias, pois tem-nos acompanhado de uma forma ou outra, ao longo dos tempos.
Apesar de não se circunscrever apenas a este pequeno rectângulo mais setentrional da Europa, não há dúvida que os portugueses sempre se habituaram a viver acima das suas possibilidades. Temos um certo complexo de superioridade, querendo mostrar aquilo que na realidade não somos. É evidente que, quando assim acontece, as crises são inevitáveis
Temos feito demasiadas asneiras procurando dar a ideia que nos encontramos no pelotão da frente, mas infelizmente isso apenas acontece nas coisas negativas. Economicamente, estamos quase a ser absorvidos pelo carro vassoura. As autarquias, os clubes de futebol, um incalculável e crescente número de famílias e de uma forma mais alarmante o próprio Estado, são exemplo do desgoverno alucinante do nosso País
Desta vez, estamos a pagar o acumular de erros políticos que tiveram o seu apogeu no ano transacto com a realização de 3 actos eleitorais e as habituais políticas populistas.
Feliz, ou infelizmente, a crise não é para todos, ou pelo menos nem todos contribuem para a superar. São normalmente os mais desfavorecidos que nada têm a ver com as suas causas e os funcionários públicos os mais afectados.
Vivemos uma das mais graves crises económicas, mas também a maior crise de governação.
Os portugueses têm razões para andar deprimidos e preocupados com o futuro.
Precisamos de um acontecimento que nos levante a auto estima e de um milagre que salve a nossa economia.
Resta-nos a esperança de uma boa campanha da nossa selecção no mundial que se avizinha e a colaboração dos Santos Populares.

10 junho 2010

Um manicómio para turista ver

Todos os dias somos surpreendidos por notícias, ocorridas neste manicómio voltado para o mar, que nos enchem de desânimo pois os seus pacientes, além de não demonstrarem melhoras, verificam um agravamento acentuado na sua saúde mental. A situação mais grave acontece nos hospitais centrais do Terreiro do Paço, S. Bento e Belém, onde alguns pacientes não conseguem alta, apesar de vários anos de internamento. Foi o caso do doente crónico José Sócrates, que após quatro anos de tratamento, teve de permanecer internado pois o seu estado de saúde cada vez inspira mais cuidados. Receia-se que o mesmo venha a acontecer ao paciente Cavaco Silva, que se arrisca a mais 5 anos de internamento na Unidade de cuidados continuados de Belém, se não obter melhoras nos próximos meses.
Têm sido frequentes os ataques de verdadeira loucura praticados por alguns, podendo referir os mais relevantes e de piores consequências para o nosso Manicómio. A insistência no TGV, a legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, o congelamento de salários de miséria, o aumento do orçamento da Assembleia da República em 7 milhões de euros em tempo de grave crise económica, entre outros.
Recentemente, acordei com uma notícia em que cheguei a pensar que ainda não estava bem acordado e se tratava de um sonho. Era protagonista uma das pacientes recém chegadas, ex professora e escritora de literatura juvenil, que se lembrou de abolir o 9º ano para alunos com 15 anos de idade e que se encontrem no 8º ano de escolaridade.
É fantástico o que se faz nesta pequena varanda voltada para o Oceano Atlântico, para motivar as pessoas a estudar e a trabalhar.
Para quê, andei 8 anos no liceu para conseguir um diploma com equivalência ao 12º ano, quando agora se consegue o mesmo em pouco mais de 1 ano?
Porque decidi trabalhar a ganhar pouco mais do que o salário mínimo depois de mais de 15 anos de função pública, sendo invisual, quando muitos com mais capacidades físicas recebem o equivalente sem qualquer trabalho? Será o aumento do orçamento da Assembleia da República destinado para tratar da saúde mental dos nossos deputados? Será a legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, uma medida para “aumentar” a taxa de natalidade? Será que a urgência do TGV tem que ver com a necessidade de transferir os casos mais graves para a Europa?
Se assim for, que venha depressa o comboio de alta velocidade!

01 maio 2010

2 de Maio - Dia da Mãe

Querida mãe, gostava de hoje estar contigo, abraçar-te e beijar-te e se possível dar-te um presente neste dia a ti dedicado. Infelizmente não o posso fazer materialmente, mas podes crer que o farei de uma forma mais profunda, numa verdadeira comunhão espiritual.
Todos os dias são dia da mãe, por isso estás sempre presente no meu coração e na minha mente.
Muito tenho a agradecer-te, pois além da vida, deste-me muitos ensinamentos através do teu exemplo de vida. Foste um marco de humildade e simplicidade, qualidades que continuo a apreciar e que para mim são indispensáveis numa mulher.
Depois de tu partires, Deus sujeitou-me a uma verdadeira travessia no deserto, em virtude de nem todas terem um coração tão grande para amar.
Hoje, sou feliz porque abandonei o caminho da solidão, passando a ter alguém disposto a caminhar a meu lado, partilhando os dias radiosos e as intempéries que a vida nos proporciona
Estou convicto, que não terás ficado indiferente a tudo isto, apesar do grande mistério que se nos depara.
Para além da morte, a minha débil fé faz-me crer que estás também muito feliz, não tendo sido alheia a todo este processo, a tua vida repleta de santidade.Embebido nessa mesma fé, espero um dia voltar a abraçar-te e partilharmos juntos a verdadeira felicidade, a felicidade eterna.

19 março 2010

Carta Aberta ao Senhor Primeiro Ministro

Senhor ” engenheiro”, preferia enviar-lhe uma carta fechada, mas como provavelmente não seria aberta, ou se o fosse seria de imediato arquivada, optei por a enviar aberta para lhe evitar trabalho, dado andar demasiado ocupado com o desgoverno deste país.
Não posso de forma alguma estar satisfeito com a sua acção governativa, apesar de ter tido a coragem de encetar reformas há muito necessárias e que ninguém tivera a coragem de iniciar. Admiro por isso a sua firmeza e determinação enfrentando praticamente todas as classes sociais. Será bom recordar que muito contribuiu para essa decisão, o facto de ter governado com maioria absoluta, um dos principais inimigos da democracia. Vivemos assim 4 anos de semi-ditadura em que o seu governo punha e dispunha sem ter em conta as posições dos restantes partidos parlamentares, também eles, representativos dos portugueses.
Iniciada nova legislatura com a reeleição de V.ª Ex.ª, não resultante dos méritos da sua governação, mas sim da falta de uma oposição forte e organizada, não eram previsíveis grandes alterações apesar de muitos eleitores já não se deixarem levar ao engano pelas suas aveludadas mentiras. Surgiram então as desculpas da crise internacional, que vieram ofuscar e atenuar as políticas despesistas do anterior governo. O país afundou-se assim numa crise económica há muito existente, atenuada artificialmente em épocas eleitorais. É exemplo disso o que se passou no ano de 2009, em que poucos sentiram a recessão e em que os funcionários públicos puderam beneficiar do maior aumento desde o século passado. Será isto governar com honestidade e competência?
Senhor “engenheiro”, lamento que sempre que se vê com as calças na mão, recorra sempre aos funcionários do Estado como únicos salva-vidas do país. Serão estes os responsáveis pelos péssimos investimentos que o governo faz? Serão eles responsáveis pelas nomeações em série de assessores, chefes de gabinete e directores gerais e pelo elevado despesismo verificado na administração central? Serão eles responsáveis pelos vencimentos e reformas exorbitantes da maioria dos administradores das empresas públicas e demais cargos de Estado? Porque terão de ser sempre os mais pobres a pagar a crise quando verificamos no nosso país um crescente número de fortunas?
Seria bom que V.ª Ex.ª fosse o primeiro a dar o exemplo do apertar do cinto a que todos os anos estamos habituados. Prometeu não subir impostos, mas seria bem melhor que o fizesse para as classes mais favorecidas. Porque não aumenta o IVA para produtos de luxo e bens considerados supérfluos? Porque não são tributadas as chorudas fortunas conseguidas na bolsa? Porque não existem benefícios fiscais para quem tem necessidade de recorrer a profissionais liberais, evitando assim que os mesmos fugissem ao fisco? Porque não se congelam apenas os aumentos dos vencimentos dos contribuintes com vencimentos superiores a mil euros, a exemplo do que já foi feito no passado?
Desculpe senhor Primeiro Ministro, mas não me parece pertencer a um partido que se intitula de socialista. Onde estão as medidas sociais para combater a pobreza e diminuir o fosso cada vez maior entre pobres e ricos?
Os portugueses sempre tiveram um complexo de superioridade vivendo normalmente acima das suas possibilidades e o senhor “engenheiro” não foge à regra, porém o país não pode ser desgovernado por quem não tem a noção da nossa pequenez e pretende transmitir uma ideia errada aos nossos parceiros. Conseguimos estar no topo em quase tudo que é negativo, mas no nível de vida, somos cada vez mais últimos.
Senhor Primeiro Ministro, faça um exame de consciência, se é que ainda a tem, e verifique qual é na realidade a sua vocação. Não engane mais os portugueses nem os faça suspirar por uma nova ditadura nem pela perda da nossa independência. Devolva a todos a esperança de melhores dias para o nosso país, principalmente para os mais desfavorecidos.

Dia do Pai

Festejamos S. José,
Apenas pai adoptivo,
Carpinteiro em Nazaré,
Merecia um dia festivo.

Dia dedicado aos pais,
É a única homenagem,
Penso que merecia mais,
Dada a sua vassalagem.

É um exemplo a seguir,
Por todo educador
Porque soube sempre agir,
Com humildade e amor.

Ser pai, missão muito nobre,
Muitas vezes esquecida,
Que torna muito mais pobre,
Todo o sentido da vida.

Lamento não possuir,
Apesar de já velhinho,
Quem me soube conduzir
Por este nobre caminho.

Foi um Pai exemplar
Que deixou ensinamentos,
Pois sabia educar,
Cultivando sentimentos.

Apesar de ter partido,
De uma forma inesperada,
Deixou muito construído,
Sem ter obra terminada.

Alicerces muito fortes
Contra os grandes vendavais
Foram as melhores sortes,
Que pude herdar de meus pais.

05 março 2010

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Habituei-me desde a criação deste espaço, a escrever todos os anos algo sobre a mulher neste dia internacional a si dedicado.
Apesar do tema ser bastante sugestivo e abrangente, sinto alguma dificuldade em fazê-lo dada a minha tendência em sintetizar o que penso.
Conhecida a minha opinião sobre o assunto por quantos visitam com frequência o meu blog, talvez me vá repetir um pouco neste breve apontamento de homenagem a quem nos deu a vida e sempre sabe dar aquele carinho e aquela ternura que só o sexo feminino sabe transmitir.
Misto de sentimentos, beleza e instabilidade, a mulher apresenta-se repleta de contrastes nas suas reacções, nos seus comportamentos e atitudes
Dotada de um sexto sentido e de uma sensibilidade extremamente apurada, em contraste com a virilidade e maior racionalismo do sexo oposto, esta desempenha um papel fundamental como mãe e esposa, sendo o esteio da família tradicional. Seria impensável uma sociedade sem a mulher, não só pelo seu privilégio de dar à luz, mas também pela sua sensualidade, ternura e beleza.
Que seria dos filhos sem o carinho e o espírito maternal? Que seria dos homens, sem o amor incondicional e sem a fada do lar, sempre atenta ao mais pequeno pormenor? Que seria dos idosos sem os cuidados e atenção que só ela sabe oferecer?
Teremos de reconhecer que apesar da sua instabilidade, a mulher tem qualidades ímpares que são sem dúvida uma mais valia para um melhor bem estar e melhor qualidade de vida, principalmente nos dias e gerações em que mais necessitamos de apoio.
Não poderia terminar este breve apontamento, sem homenagear ainda que de uma forma póstuma, aquela que me deu o ser e a quem devo muito do que sou e do que penso.
Quero também aproveitar este dia para, pela primeira vez, demonstrar publicamente todo o apreço e gratidão ao maravilhoso anjo que Deus pôs no meu caminho e que desinteressadamente está disposta a deixar tudo para abraçar um resto de vida onde transborda amor e carinho.
Oxalá todas as mulheres saibam desempenhar os seus deveres para que a família possa sobreviver às intempéries a que tem sido sujeita. Não sendo ela a única responsável pela crise nela instalada, pode com a sua sensibilidade e audácia contribuir para a estabilidade da mesma, transformando esta sociedade, em plena decadência, numa sociedade menos individualista e mais fraterna.

27 outubro 2009

AMOR: O Sol do Planeta

Acordei. O Sol espreitava pela janela, parecendo espreguiçar-se face ao ultimato que recebera no passado fim-de-semana, de madrugar mais uma hora. A melancolia da noite, dava lugar a um novo dia cheio de luz e calor graças ao majestoso astro. A natureza sorria para quantos a contemplavam.
É a vida a germinar, florescendo para depois nos brindar com maravilhosos frutos. O Sol é de facto o astro rei que nos aquece, ilumina e nos dá vida. Mas outro astro, pertencente a outras galáxias, tem o misterioso poder de aquecer e iluminar os nossos corações. Apesar de invisível, tem a força de transpor montanhas, atravessar oceanos e sobrevoar continentes.
É sem dúvida, a verdadeira chave da felicidade, podendo fazer-nos felizes mesmo quando as densas nuvens não permitem que os raios solares cheguem até nós.
Sem Amor, a vida seria mais triste do que um dia sem sol.
Este sentimento tão profundo e tão nobre, é a especiaria mais fina e gostosa que dá um tempero especial à nossa vida.
Pena é que muitos não abram o seu coração para dar e receber esse Amor, que mais não é, senão a verdadeira mensagem deixada por Cristo.
Façamos do Amor o sol deste planeta e deixemo-lo brilhar nos nossos corações.

14 outubro 2009

Autárquicas 2009 - "Ribeiro" transborda em Tabuaço

Depois de 20 anos de seca de ideias, projectos e alternativas credíveis por parte da oposição, dominados pelos “Santos” que controlaram o poleiro onde os “Pintos” se recreavam a seu belo prazer, eis que inesperadas chuvas torrenciais vieram engrossar um “Ribeiro” quase seco, coberto por alguns “ramos” e “silvas”, vindo a transbordar no passado dia 11 de Outubro, afogando assim os “pintos” sem que os “Santos” lhes pudessem valer.
Tabuaço foi assim inundado por uma esperança de mudança para alguns, e de desânimo para aqueles que apostavam na continuidade com a consagração dos “santos” no seu último mandato. Mais uma vez, “santos” da casa não fizeram milagres.
O futuro dirá se esta inundação serviu para levar na enxurrada o lixo acumulado ao longo de duas décadas ou se veio destruir a obra feita.
Façamos votos para que o “ribeiro” não ultrapasse as margens da sensatez, da boa convivência democrática e da dignidade
Esperemos que Tabuaço possa de facto mudar, mas para melhor, saindo do anonimato e criando condições para o desenvolvimento do turismo que nos bate à porta.
Oxalá que a exemplo do que acontece com o rio Douro, o nosso “ribeiro” possa ser também um chamariz para fazer deste concelho uma verdadeira região turística.

07 outubro 2009

Eleições em série!

Terminadas as tradicionais romarias, tão apreciadas pelos portugueses, o país continua em festa com um colorido pouco vulgar de bandeirinhas, cartazes e outros adereços, acompanhado pela estridente sinfonia das caravanas e culminando com os mais ou menos inflamados discursos dos comícios partidários.
Portugal, queima assim alegremente, as hipotecadas economias que tanta falta fazem a alguns sectores da vida económico-social, em lavagem de roupa suja e polémicas desnecessárias que apenas servem para descredibilizar ainda mais a classe política e confundir os portugueses. Por alguma razão, a abstenção continua a ser o “partido” mais votado, manifestando uma verdadeira desilusão em relação à democracia portuguesa.
Como se não bastassem 15 dias de romaria pelas nossas vilas e cidades, decidiu o chefe supremo da Nação que a mesma se estendesse também às nossas aldeias, não fossem estas sentir-se descriminadas. Será caso para dizer: se 15 dias de campanha incomodam muita gente, 30 dias incomodam muito mais.
Apesar de alguns inconvenientes na realização simultânea dos dois actos eleitorais, parece-me que seria uma decisão mais acertada, não só para evitar um maior despesismo em tempo de crise, mas também para evitar uma cada vez maior aversão às campanhas e actos eleitorais. Os cidadãos estão na sua maioria cansados de votar, na medida em que têm sido defraudados nos seus anseios e enganados nas promessas que lhes têm sido feitas.
Penso que com esta decisão, o Presidente da República não foi totalmente isento, tendo dado uma ajudinha ao partido mais votado “a abstenção”. Desta vez os resultados não serão mais dramáticos porque esta eleição é a que diz respeito mais directamente aos portugueses porque estão em causa os destinos das suas terras e porque os candidatos estão mais próximos dos eleitoresSerá necessário defender com mais garra e determinação, o que tanto nos custou a conquistar, para que no futuro possamos continuar a escolher livremente quem queremos à frente dos destinos da Nação.

02 setembro 2009

Fim de férias!

Com grande pena de alguns, terminou o período destinado ao lazer e ao retemperar de forças para mais um ano de trabalho. Alguns, menos bafejados pela sorte lamentam-se por não usufruirem desse direito ou pelas condições económicas não o permitirem. É de facto o mês mais curto do ano, ou melhor, o mês em que os ponteiros do relógio andam mais depressa.
Não sendo dos mais priviligiados, tive oportunidade de descansar um pouco e de dar uma fugidinha até à beira mar e poder relaxar estendido na areia ouvindo o sussurrar do imenso mar.
De regresso ao trabalho e à rotina do dia a dia, senti-me na obrigação de marcar presença neste espaço, embora confesse ser cada vez menor a motivação para o fazer, dado ter deixado há algum tempo, de ter comentários ao que escrevo e dessa forma não ter feedback sobre os meus apontamentos e desabafos. Embora o número de visitantes não tenha sofrido grande redução, lamento o facto de os que o visitam não deixarem um comentário, uma crítica ou uma sugestão. Gostamos sempre de saber como é recebido o que escrevemos.
Faço aqui um apelo àqueles que casualmente, ou por rotina visitam o meu blog, para perderem mais alguns minutos e deixarem a sua impressão sobre o que leram. Estou receptivo a críticas, desde que construtivas e a novas ideias sobre os temas que abordo. Ficará mais rico este espaço que não pretende ser um monólogo, mas um debate de ideias.
Fico à espera da vossa contribuição que desde já agradeço.

27 junho 2009

Cego ou Invisual?

Embora estejamos perante dois sinónimos é um pouco diferente o impacto social de cada uma das palavras, dada a época e o conceito de cegueira a que os mesmos estão associados.
Durante vários séculos, a cegueira foi vista como uma incapacidade extremamente limitativa, que via no cego um pesado fardo para a sociedade e à qual estava associada a ignorância e a total invalidez. Hoje felizmente, graças a novos métodos e novas tecnologias, esta deficiência tornou-se muito menos limitativa dando aos seus portadores a possibilidade de exercer as mais variadas funções e tarefas. Este avanço, nem sempre acompanhado pela mentalidade de alguns, veio a justificar uma nova denominação para aqueles que não têm a faculdade de ver com os olhos.
Apesar de mal escolhido o termo invisual, para definir quem não vê, pois o significado do mesmo é, o que não é visto, este deixou de estar associado ao passado e à carga negativa associada à palavra cego.
Não é menos verdade que algumas pessoas põem em prática o verdadeiro significado etimológico da palavra invisual, na medida em que muitas vezes passam por eles como se tratassem de seres invisíveis.Seja como for, parece-me positiva uma nova denominação que melhor se identifique com os cegos dos nossos dias, muito mais autónomos, mais cultos e mais integrados no meio social.

10 junho 2009

Quem acredita na Europa?

Como já era previsível, os portugueses e a generalidade dos nossos parceiros europeus, mostraram-se bastante indiferentes em relação às recentes eleições europeias, verificando-se a maior abstenção de sempre em actos eleitorais realizados no nosso país.
Vários factores contribuíram para estes preocupantes resultados. A crescente falta de credibilidade da classe política, o distanciamento, cada vez maior entre eleitos e eleitores, afastando-nos das instituições que nos regem, a falta de um verdadeiro debate sobre a importância do Parlamento Europeu e o que se pretende da união europeia e quais as vantagens para os cidadãos, foram sem dúvida algumas das causas deste fracasso eleitoral.
Embora situados geograficamente no continente europeu, os portugueses continuam muito distantes do velho continente, não sentindo no geral, as vantagens dessa adesão continuando a pagar mais caros alguns dos bens essenciais e a usufruir dos mais baixos salários europeus.
Por outro lado, verificamos que esta campanha pouco se preocupou em esclarecer os portugueses para esta matéria, funcionando mais como um aquecimento para as legislativas.
Não poderão os políticos queixarem-se destes resultados, pois a responsabilidade é exclusivamente sua. Estamos fartos de falsas retóricas e carentes de mais acção política que nos possa tirar da cauda da Europa.